terça-feira, setembro 11, 2018

SOBRE A PELE...


BALCÃS\HR

As mãos. Os olhos. A pele. O abraço. O compromisso. A cor. Não sou dos que acham que já foi o tempo dos valores, sou dos que sentem falta de tempo para os valores. Às vezes, a vida pede-nos jogos pessoais, artimanhas sociais, velocidades interiores que atropelam os valores. Barreiras. Errado, tão errado. É quase legítima defesa. E depois? O que nos fica?

Continuo esperançado na força de um aperto de mão e de um abraço. Cada vez menos sentidos, eu sei. Cada vez mais precisos, eu sinto. É como ousar necessitar escutar um outro coração, para que o nosso bata com a mesma intensidade. O som compõe-se de multiplicidade.

Até já

HR


domingo, setembro 09, 2018

CANSADO

Cansado. Às vezes sento-me cansado e parece que o meu corpo e a minha cabeça não se sentam comigo. Nunca sentiram? Eu quero que tudo o que é meu pare, respire fundo, relaxe, e o movimento não permite.

O mundo tem muito movimento.

Podem ser os meus 43 anos e muitos outros de algumas coisas na minha vida, mas há dias de muito cansaço. E sabem que mais? Não vejo nisto um problema. É uma realidade desta nossa curta existência. Há muito barulho na rua, nas lojas, nos restaurantes, nas igrejas, no trabalho. A vida pede-nos tudo. O erro é impossível. As pessoas iludem e desiludem... e tudo isto cansa... ou vai cansando.


Eu não me sento no cansaço. Isso seria grave. Sento-me no descanso e na vontade,  para depois me levantar. Tal como o faço há 43 anos. Levantar-me.


Saúde

HR

terça-feira, setembro 04, 2018

Quem vê portas...

                           Fotografia HR


A glória e as portas são-nos dadas todos os dias. Ou entramos. Ou ficamos à soleira... a meio da escada... a meio da rampa... ou não entramos de todo.

Em bom da verdade... não temos de entrar em todas as portas que vemos. Mesmo as tentadoras. O não também serve ao movimento. Às vezes, muitas vezes, basta contemplar a porta e imaginar o que vive dentro da sombra daquela casa. Há casas erradas para nós mas com belas entradas.

Quem vê fachadas... não vê corações, mesmo os mais religiosos.

HR

Conveniente

A vida é  conveniente mas não é uma conveniência. Amar exige esforço. Trabalhar é um desgaste. Os amigos são uma dedicação. A luz desilude. A noite ilude.

A vida seria bem melhor sem a expectativa da conveniência. Eu sei. Todos sabem. Mas somos seres que vivem do elevadíssimo luxo da conveniência. E agora?

Até já

HR

domingo, setembro 02, 2018

Definição

Orgulha te de todo o silêncio que conquistares
Um dia serás colecionador de silêncios
Portanto, um observador.
           
HR/2018

O silêncio que queremos calar

                     
                             Mourão|2018|HR


Ora viva. O silêncio. Os Silence 4 têm a melhor canção sobre o estado desta quietude auditiva. O mundo está cada vez mais barulhento. As pessoas falam alto, sem saberem que a afirmação vem da atitude e não do volume.

As criancas gritam porque os pais acham saudável a libertação pulmonar dos miúdos. As musicas estão altas nas lojas, nos bares, nas ruas...

E falam e falam falam falam falam. Sem pontos e virgulas e .muito menos parágrafos. Estar calado é uma virtude. Eu sou dos calados. Não dos que as fazem pela calada. Sempre confundiram o meu silêncio com timidez. Porque falaram sempre mais do que me ouviram e olharam. Uma boa conversa é feita de silêncio. Partilhar silêncio numa relação é a maior idade da mesma. Só grandes amigos sabem estar juntos e calados.


Experimentem o silêncio que o mundo tem e que nós tanto queremos calar.

Até já.

sábado, setembro 01, 2018

A tua carreira acabou... sem nuvens

                  HR 2018

Quem nunca passou um bocado a olhar as nuvens e a perceber-lhes a forma. Elas só podem nascer de uma máquina que lhes dá a geometria. Seja de onde vierem... eu sempre as acreditei... tal como nos meus sonhos.

Há uns bons anos, já era eu um rapaz da televisão, um diretor disse que por eu já ser velho, devia encarar a minha carreira por findada. Nesse dia as nuvens ganharam forma de tempestade. Caramba... ainda tinha céus por conquistar. Julgava.

Não desisti. Mantive a rota do querer... nem muito nem pouco... só querer. E aconteceu. O senhor diretor saiu... eu mantive-me... às vezes a olhar as nuvens... e fiz novos programas... confiaram me emissões especiais, delegaram me representações internacionais em nome da RTP... Eu e todas as nuvens que ainda insistia agarrar, dar lhes nome e forma.

Eu acredito que quando se quer... a culpa é da vontade. E há uma nuvem para todos nós .

HR

sexta-feira, agosto 31, 2018

Sobre portas e telhados

                  Alentejo.2018.HR

Ora viva


Uma porta é um inegável banquete de possibilidades. Uma porta no telhado coloca-nos ainda mais perto dos lugares altos e possíveis.

Tenho um fascínio por as fotografar. Portas e janelas. Imaginar quem vive nelas. Nas casas que mais não são que gente vestida de cal e sítios permanentes.

O primeiro poema que escrevi foi sobre uma janela. Um entendedor metido no seu conhecimento achou-o mediano e sem tema. Nunca mais parei de escrever. Nunca mais parou o meu fascínio pelas geometrias que se desenham nas casas, que deixam ver a forma da luz, mas que podiam bem se desenhar nos nossos corpos.

Até já.

HR


quarta-feira, agosto 29, 2018

Preciso de asas que me levem para longe de mim.

HR

Observar. Não há melhor verbo para acompanhar a beleza e a sabedoria. Esta flor nasceu me em casa. De um cato que não é para brincadeiras. Longe de o saber sensível na cor. Hoje encontrei o assim... despido de vergonha e abusado na cor. Não reparei entre uma selva que crio na varanda. Escapou me.

Por isso... observar. Não há melhor forma de conhecer um bom ou mau ouvinte. Um amante da estética. Um bajulador. Um lambe botas e um ardiloso. Um cato de uma flor... ou os dois em um. Observem... 5 minutos. Quando era novo... sim... 43 já me dão velhice. Diziam me: a forma como olhas até magoa... parece que estás escavar.

E estou. Sempre a escavar para perceber. Escavar com os olhos... para se chegar ao lugar onde tudo nasce. E mesmo assim escapou se me este cato em flor.

Fotografei o. Para guardar  a sua beleza e a minha distração.

Experimentem.

Até.

terça-feira, agosto 28, 2018

Senta-te naquele banco daquele mesmo jardim
O jardim que sempre pensas
Quando pensas num jardim
Arruma-te no teu lugar
Observa o tempo passar por ti
Dentro de ti
Por fora de ti
Ao teu lado
É para tudo isto que serve um banco
Um jardim
E toda a imaginação que tens de ti
E das horas da tua vida
Observa-te
Como se fosse agora o teu princípio
Nesse mesmo jardim
Nesse mesmo banco
HR

segunda-feira, agosto 27, 2018

Ora Viva


Hoje arranquei ervas de alguns vasos da minha varanda. Arranquei-as como se arrancasse as mesmas da minha vida. Folha e raiz, para não lhes deixar fôlego para renascerem. Semeia-se para se colher e arrancam-se ervas para se plantar em terra limpa.

Quando era muito garoto, e vivia num campo que era perto da praia, passava os dias descalço, havia sapatos, mas não existia melhor sensação do que a de sentir o sítio onde se planta na palma do pé, na raiz do meu corpo. Tudo, mas tudo faz mais sentido quando mais velhos e com a nobre capacidade de eliminar as daninhas da vida, nem que se comece por um vaso.

até já

HR

domingo, agosto 26, 2018

Agarro na palavra
Como se fosse músculo e folhas
Seguro-a com os dentes
Vontade de comer
Trinco as letras e construo sentidos
Mastigo as frases
Engulo as verdades
Cuspo as mentiras
Sou um comedor de conversas cartas bilhetes e outros alimentos
Sobrevivo à custa da palavra
Da que é dita com os olhos e a pele
         HR 2018

sexta-feira, agosto 24, 2018

A REDE

Ora viva

Fiz contas, confesso-me mau contador, e gasto 55 minutos por dia nas redes sociais. Gastava. A rede furou. Já todos ouvimos e lemos sobre a intoxicação das redes, já há os detox da rede. Percebo. Não quero. Prefiro não usar.

Entras na rede e vais na faina, és robalo do facebook, sardinha do instagram, e usas um whatsup que te revela se a pessoa leu ou não, está online ou já esteve e por aí fora... Eu quero as cartas de volta, os selos de correio, as chamadas de telefone em vez dos emojis. Quero ouvir e escrever, quero conhecer a verdade de quem me fala e não a verdade que nos engana na rede que nos apanha.

Tudo bem para quem as usa. Permitam-me desligar. Até que não seja para sempre, mas que seja o tempo que o meu tempo quiser. Para estar feliz não o tenho de gritar ao mundo e nem quero esconder lágrimas em fotgrafias de arquivo onde naquele dia estava de sorriso posto

Preciso de paz, compromisso, perceber a verdade, sem grandes fotografias, e que quase sempre revelam o oposto do estado. Quero a democracia do não querer as redes.

Para os que, simpaticamente me seguem, o mais fácil... é encontrar-me. Ainda recebo cartas na RTP... isso seria outra conversa!

Até.

Hélder

segunda-feira, março 21, 2016

O AMOR NUM PALAVRÃO

Ora viva



O amor é fodido, quem o diz é Miguel Esteves Cardoso. Ele pode definir assim. Eu não. Mas posso citar. Por pudor, usarei o F. sempre que parafrasear o Miguel. O desamor ainda é mais F. E quem sofre de desamor é uma pessoa F. Todos conhecemos gente não amada e isso criou-lhes amargura no peito, rancor no olhar, ações medíocres. 

O amor cura tudo, a falta de amor tudo adoece. Não há melhor do que ser amado, chegar a casa e ser abraçado, ter janelas cheias de beijos, bilhetes de surpresa, mãos dadas na aventura e nos sonhos, uma cama quente. Amar é pleno de quem nos cuida e de quem cuidamos. O amor passa a ser F. quando é tanto que não nos cabe no peito, o excesso de amor não estraga, purifica. A falta de amor azeda, fede a rancor e a vómito. 

Pessoas mal-amadas cheiram mal, tresandam a uma espécie de solidão merecida porque nunca souberam o que é a maravilha de amar e ser amado. Por tudo isto, o Amor é fodido quando o lugar do amor está vazio, carregado de pó. 

Quem não tem amor, quem não é amado é só um poço seco, um buraco no meio da terra que não serve para nada, a não ser para ser perigoso. Cada um tem o amor que merece!

divirta-se

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

INVEJA

Ora viva


Constatei que a felicidade cria inveja. Se a felicidade do outro não interferir na minha, tudo bem, mas se toca na minha alegria, eis que se torna um problema. Medíocres. Sermos medianos na capacidade de ser feliz, corta-nos as asas de um universo construtivo. Quanto mais saudável e feliz o mundo for, mas eu serei também. O sucesso dos meus colegas de trabalho, será o meu. A realização dos meus amigos no amor, será a minha. A prosperidade do negócio do meu vizinho será a minha prosperidade. 
O mundo não é a minha circunstância. 

Eu acredito na boa vontade, nos bons valores, no dar que recebe, no recebe que dá. Eu incluo-me nos invejosos. Mais tarde ou mais cedo… Odeio a inveja. Amo a felicidade. Mas a verdade é que tenho tropeçado em muitos invejosos. Ainda estou a pensar se os contorno, na indiferença; ou se passo por cima, para ver as vistas!

abraço

quinta-feira, dezembro 17, 2015

O Natal passou a ser irritante

Ora viva



O Natal é irritantemente bonito e bom. Só porque permite que sejamos bonitos e bons uma vez, com a justificação de que mais vale uma vez bom, do que nenhuma. E lá nos deixamos levar pelas ondas solidárias, os cabazes de consoada, as mantas para os sem-abrigo, os jantares bem querentes. Dia 1 de Janeiro. Não temos tempo, adorava ajudar mas…, as luzes pisca pisca apagam-se e o nosso mundinho fica às escuras, o nosso e o dos que no Natal beneficiaram da solidariedade das Marias que vão com as outras. Batemos palmas e somos todos felizes no Natal.

As empresas ganham fortunas com a solidariedade. As pessoas ganham fortunas por ajudarem e os designados necessitados ficam felizes uma vez por ano. E batemos palminhas.
Eu não sei se concordo com a ideia: antes fazer o bem uma vez, do que nunca. Eu não sei se gosto da solidariedade calendarizada e natalícia.

Contudo, ajudar é sempre ajudar. Quem precisa, uma única ajudada é abissalmente melhor do que nenhuma. Se gosto do circo à volta tudo isto, e com presépio e árvore de Natal? Este ano acho que não gosto. Acho mesmo que odeio, e odiar é tão feio numa altura de paz, amor e esperança (citação de um postal de Natal).

Há ilhas humanas que são Natal todos os dias, e que estão caladas, resguardadas das bocas do mundo, e são Natal sempre. Eu sei. Mas longe de serem a maioria. Longe de contagiarem o mundo por esta bondade.


Eu faço parte de todos estes esquemas estratégicos de ser solidário. Não sei é se me apetece para o ano. Todas as palavras que escrevi são para mim, também. Os 40 são tramados.

Feliz Natal

Palminhas! J

domingo, novembro 29, 2015

MUITA CONVERSA

Ora viva


Globalmente as pessoas falam muito. Eu falo muito, nos dias de hoje. Contrario-me, mas falo. Portanto, as pessoas ouvem pouco. Sempre fui uma pessoa na linha das pessoas caladas, e virei apresentador, o tipo que fala. Falar para televisão, não é falar socialmente. Estas minhas palavras refletem sobre as conversas sociais, entre amigos, a família, conhecidos, trabalho. Eu gosto de gente sintética, intensa e sintética. 

Podemos ser objetivos sobre qualquer assunto sem dar a volta o mundo para voltar ao mesmo dito assunto. Ser rápido na conversa, não tem de ser atabalhoado, a despachar. Nada disso. Ser rápido na conversa incentiva a atenção do nosso ouvinte. Óbvio, ninguém tem paciência para quem usa os verbos e adjetivos de todo o dicionário para falar de uma ida à mercearia.


Há também os que falam muito e de tudo. Não. Silêncio. Por favor. Um pouco de silêncio que nos ensine a ouvir. Calados também estamos bem. Nem tudo precisa da nossa opinião. Silêncio, porque se pode cantar o fado, a qualquer instante.

abraço

domingo, novembro 22, 2015

Paris

Ora viva

Todos podíamos ser Paris. Estive, pela RTP, em reportagem onde 7 atentados mataram gente como nós. Nunca terei palavras para um cenário de morte num sítio onde deveria haver luz e festa. As pessoas que morreram estavam a viver, tranquilamente, e morreram, aterradoramente.

O que aconteceu em Paris, acontece em todo o mundo, num mundo mais pobre, menos político, menos interessante mediaticamente. As mortes por atos de terrorismo cresceram muito. Mas nem de todas as mortes ouvimos falar. Outras mortes, longe de Paris, de gente como nós. Nem sabemos os sítios, nem vos digo agora, porque não escrevo aqui para informar, mas para pensar alto. Pesquisem, vão ficar assustados, e tristes por não se aperceberem que Paris é uma entre tantas feridas.
Ver os rostos de quem morreu, e que só estava a jantar com a namorada, é inquietante. Morrer porque se estava no sítio errado; provavelmente era um casal que tinha primos muçulmanos  e que naquela noite, juntos, iam fazer uma vigília contra a violência.

O mundo é pequeno. Na dor e na paz. Nós não estamos longe de nada disto. Estamos perto e fazemos parte desta história.




Abraço

terça-feira, outubro 13, 2015

SOL

Ora viva



A vida podia ser menos que o sol, mas não é. Com o sol, vem as coisas e pessoas que encontramos e olhamos. Com o sol vem o alimento do lado feliz da vida, uma vida em flor. Com o sol vem a casa luminosa, o brilho dos objetos, a transparência, o sabor do mar, a pele morna. 

O sol de todo o ano sabe-me a vida, a vontade de abrir janelas e portas. O sol alimenta-me a vontade. A luz é solene e mostra caminho.



Um dia luminoso é um dia com certezas e confiança. O sol amansa a alma. Convida a esticar a pele e deixar que a luminosidade nos aqueça. O sol é uma melodia constante de boas vontades; não será isto tudo o que precisamos para conseguir a felicidade?

abraço

terça-feira, outubro 06, 2015

A minha mãe

Ora viva



A minha mãe é um mundo, as mães são um mundo. A minha vai à luta, tem 79 anos de vida dura, nunca lhe deram nada, tudo o que tem foi conquistado por ela, até a vida de cada dia. A minha mãe enche a minha alma de segurança, a mesma que eu precisava quando chegava de um dia de escola e, com urgência, precisava do colo da minha mãe. 

Quando tinha 12 anos fui para o seminário, passava uma semana longe do regaço da mãe; lembro-me, como se fosse hoje, das despedidas semanais. A minha mãe dava-me um beijo e um abraço, nesse gesto colocava o amor que não podia dar-me durante a semana em que eu estava no seminário. Essa injecção de amor durava-me toda a semana; em bom da verdade a quarta-feira era o dia em que eu precisava do seu amor, porque já ia longa a semana. Era à quarta-feira que a minha mãe me podia ligar para o seminário e nesse dia recebia novo carregamento de amor. 

Ainda hoje é assim. A minha mãe abastece o meu coração de amor, determinação, garra, responsabilidade e perseverança. Aquilo que a vida nos dá, é aquilo pelo qual lutamos; foi sempre o que aprendi da minha mãe, Margarida de nome.

Um abraço

quinta-feira, setembro 24, 2015

A MINHA VARANDA

Ora viva

Da minha varanda vejo o mundo. Hoje, a meio da tarde, estava saturado de ideias, confusões do dia, leituras…enfim, precisava de ar. Fui até à minha varanda, fechei os olhos, desliguei-me. Consegui ouvir os sinos de uma Igreja que nem sabia haver perto, um avião, o mar, os pássaros no adeus do Verão, a rua, o silêncio. Ouvi isto tudo, e deixei de ouvir as minhas confusões que me torravam o cérebro. 

Pensar é um movimento tramado. Exige tudo de nós. Depois precisamos de varandas que nos levem para outro lado da nossa vida, onde até pode haver silêncio e outras coisas que nos fazem falta. Haja uma varanda que nos aproxime de tudo o que é realmente importante.

 Qual é a vossa varanda?

abraço

segunda-feira, maio 04, 2015

TODO O TEMPO QUE O MUNDO TEM

Ora viva



Perante o tempo…somos impotentes. Todo o tempo, da meteorologia ao relógio. O tempo mostra-nos o nosso lugar. Somos instantes pequenos no infinito universo da história universal. No meu dia-a-dia, no que ao tempo do relógio diz respeito, sou organizado e só gasto tempo com quem gosto, naquilo que gosto. O tempo é precioso, irrepetível. 

Quanto à meteorologia, tirem-me da frente nevoeiro e ventanias. Mas o que nos adianta não gostar, se não pudemos mudar, não adiantamos nem atrasamos. Perante o tempo somos aquilo que somos sempre, frágeis. De que vale a correria, se na corrida passamos ao lado de tanta coisa que pode distinguir a nossa vida. De que me vale amuar em dias de vento e nevoeiro, se a roda dos dias avança na mesma? 

Viver é o melhor remédio. O melhor e o maior remédio que temos. Extraordinária oportunidade diária. Momentânea. Aproveitem. Tudo. Ao máximo.

ABRAÇO

Hélder

segunda-feira, abril 27, 2015

OS OUTROS

ORA VIVA


Os problemas dos outros são sempre dos outros, ainda que amemos profundamente os outros antes dos seus problemas. É sempre um conflito entrar na história da outra pessoa. Não há um livro que registe a memória, as emoções, as estratégias. Não há um livro de estilo. Por mais que nos esforcemos a história nunca será a nossa. Honestamente, acho que não deve ser. A objetividade é sempre uma ferramenta para lidar com a crise.
Esta distância sobre os problemas que não são os nossos pode fazer de nós maus ouvintes, e até insensíveis para com a dor dos outros. Nunca percebemos bem o que é um dia complicado de um amigo se não vivemos o dia desse amigo. Fazemos uma ideia.
Nunca entenderemos a morte de um pai de um colega de trabalho porque não sabemos da dinâmica que havia entre ambos, e nem conhecemos o lugar mais secreto da afetividade que os unia ou desligava. Os outros serão sempre os outros e nunca nós, por muito amor que lhes tenhamos.

ABRAÇO

sexta-feira, abril 10, 2015

Laranjeiras em flor

Ora viva

Laranjeiras em flor é o melhor e maior sinal de verão, frescura, liberdade e sabor a vento. Uma ida ao nosso Alentejo ou Algarve, por esta ocasião, é dar o melhor mergulho na infância. As correrias pela rua, a bicicleta, as casas muito brancas, as escadas dos jogos sem fim. Tudo isto é, para mim, laranjeiras em flor. A par do aroma, que me fica na boca, a beleza da flor. Tão bonita como frágil, dura tão pouco e marca tanto. 

No fim do perfume e das flores, vem o fruto, que fresco recebe o verão. Uma laranja fresca no fim de um almoço de verão, entre amigos e abraços, é a melhor forma de celebrar a criação da cor, da amizade, da sede saciada, da memória de antigamente. Tanta coisa numa flor de laranjeira, que as grandes perfumarias bem tentam eternizar mas não conseguem, ninguém consegue pôr tanto num frasco. 

abraços

sexta-feira, março 06, 2015

perder e vencer

Ora viva

Perder pode ser uma incrível forma de vencer. Tenho várias derrotas na minha vida, algumas ainda não engoli bem. Grande parte delas deram-me vitórias nos dias de hoje. É assim comigo, é assim com o mundo inteiro. Dar a volta. Fazer do velho novo. Reconverter. Recomeçar. São verbos que gosto. Perder alicia a nossa paciência, a nossa resistência, fortalece o sopro da nossa vontade. Perder é tramado, dá a volta à tripa da nossa existência. 

Eu nunca daria tanto valor às minhas vitórias se não tivesse as minhas derrotas, as minhas quase tragédias. Mas não é tudo estrada à frente. Perder pode ser uma pedra no sapato e na mente. Perder esgota, gasta e consome. Perder derrete-nos por dentro. O bom é agarrar na lama dessas derrotas e dar músculo à vida, limpar a cabeça, limpar a casa da alma, perdoar e avançar. Não há outra, nem melhor, forma de vencer.

abraço

terça-feira, fevereiro 10, 2015

O frio

Ora viva

Podia custar menos, mas custa muito, passar frio! Podia não me saber tão bem, mas sabe-me a vida, músculos, palpitações. Sou fascinado por dias de Inverno, frios, cheios de sol, com árvores despidas e gente agasalhada na rua. Sabe-me melhor a bebida quente, as camadas de roupa, a luz abrigada, a forma das coisas, a mesa. O frio chama-me ao centro de mim, concentra-me. É assim, nem mais nem menos. 

Por norma levanto-me cedo. Como repórter tenho uma vida exposta ao frio, chuva, calor, desconforto, conforto, tudo num mesmo dia. Custa, muitas vezes, mas gosto, quase sempre.
A par de tudo isto há o olhar a natureza e saber que ela está abrigada dentro de si mesma, a preparar-se para sair, mostrar a sua beleza numa primavera que se quer sempre morna e com os dias a crescer.


Por tudo isto, o inverno sabe-me bem. Leva-me para o melhor de mim, o melhor de tudo o que ciclicamente vai nascer. E recomeçar pode ser tudo o que é esperança.

Bons dias de inverno

até já.

HR

terça-feira, janeiro 27, 2015

JANEIRO


Ora viva


Janeiro é o mês das concretizações. Em dezembro desejamos, em janeiro cumprimos. Pode ser? A ser, janeiro é um mês difícil. Todos falhamos nas concretizações e por conseguinte todos ficamos aborrecidos cá por dentro, é o pior dos conflitos. Eu gosto do inverno, muito. Gosto do frio, da regeneração, das mesas fartas, da lareira, do vinho tinto, de tisanas quentes, das malhas e blusões, do sol de inverno, da luz das manhãs frias.
Para mim, todos estes gostos inspiram à concretização dos meus votos de dezembro. Um dia, uma possibilidade, e com um cenário meteorológico excelente. Provavelmente é por isto que gosto tanto do inverno, de janeiro e de falhar com objetivos; sei que posso sempre voltar a tentar amanhã, porque amanhã ainda é janeiro e um ótimo dia de inverno: a altura ideal para recomeçar.

até amanhã

hélder

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Espreitei para uma casa

Ora viva



Há dias, enquanto passeava a minha cadela e as minhas ideias, vi uma senhora a decorar a sua árvore de Natal. Sim, espreitei para dentro de uma casa. A mulher estava sozinha, mas feliz. Ajustava, com detalhe, cada brilho da árvore. Foi a melhor imagem que tive deste Natal. Preparar a casa para a época. É como quando nos aperaltamos para uma ocasião especial. Mas no Natal todos os dias são ocasião solene.

O meu Natal é sempre maravilhoso. Mesmo depois de saber o que é não ter alguém para sempre…na nossa mesa. O fabuloso do Natal é mesmo isso, persistir. Persiste à dor, à morte, à guerra, à derrota, à tristeza, ao luto, à pobreza, às dívidas, ao desamor, a toda a espécie de fins. O Natal mantem-se, fiel a si. Solene. Provavelmente aquela mulher teria marido e filhos, para os quais vestia a casa. Provavelmente aquela mulher vivia sozinha e enfrentava a maior dor da sua vida. Mas o Natal mantem-se, digno de si mesmo. Haja o que houver, seja para quem for. Feliz Natal

Abraço

segunda-feira, novembro 17, 2014

AS SAUDADES

Olá gente boa


As saudades. Nunca percebi este sentimento. Confesso, não me dou muito à saudade. Há coisas boas de nos recordamos, pessoas, momentos. A saudade, a mim, parece-me sempre coisa do passado, e que não volta, e que dificilmente ajudará no futuro. Não quero ser injusto com o sentimento mais português que o mundo conheceu. 

Há vezes em que a saudade até me parece injusta. Eu explico: lembrar-se de uma pessoa que amamos, que já não está entre nós; alimentar esta saudade é dano para a alma, dor para o coração, e a pessoa nunca voltará. Ficam os bons momentos. Pois ficam, isso é um facto, mas não voltam os momentos. Não regressam as pessoas.

É…acho que afinal de contas não gosto da saudade. É tristeza para a alma, e ausência para o coração. Não consigo gostar daquilo que me faz sentir falta.

Até amanhã

Hélder

quarta-feira, outubro 08, 2014

perder

ora viva

Saber perder exige tanta humildade como saber ganhar. Quando perdemos há sempre uma revolta, um certo desejo de vingança, uma vontade de desistir. Tudo na escala da perda que sofremos, claro. Mas que há sempre um frio de indignação, isso há. Pois bem, eu tenho perdido, como todos vocês. E com o tempo que o tempo me tem dado, tenho-me apercebido da necessidade de humildade para receber a derrota. Não é resignação, é humildade. Quando perco, olho para o que perco e pergunto: e agora? O que vou fazer contigo? Antes disso, vasculho dentro de mim os motivos, as culpas, as soluções. 

Este é o esqueleto de como lido com a perda. Nem sempre chego às respostas, e eu que tanto gosto de boas respostas. Mas, até à data, tenho resolvido quase todas as minhas perdas. Nem sempre fáceis. Nunca públicas. Coisas minhas, de mim para mim e depois de mim para o mundo. No fim de contas fica a humildade, a minha humildade sai sempre mais forte depois de cada derrota.

abraço

quarta-feira, setembro 24, 2014

O silêncio

Ora viva

No princípio era o silêncio e o silêncio tornou-se no princípio de todas as coisas. Quanto mais vivo, mais gosto do silêncio. Quanto mais gosto do silêncio, mais vivo. Como profissional da comunicação, cabe-me saber perguntar, mas também saber ouvir a resposta. Nunca farei uma boa pergunta, com toda a preparação e concentração que perguntar exige, se não me dedicar à resposta do meu convidado. Para tal tenho de me calar, é simples. Nunca conseguirei fazer uma nova canção se não me calar e ouvir o silêncio, que é o espaço onde existe a criação. Para vos escrever este texto, estou sentado, em silêncio, na companhia de uma luz morna, uma janela aberta, no sossego da casa.


O mundo é falador. Cada vez mais. Há gente que não se cala. Por todas estas contas, gosto de gente calada, não dos sonsos, mas daqueles que se calam para ouvir, ou porque não têm nada a acrescentar. Quem disse que temos de ter sempre opinião? Ou que para se ser sincero tem de ser dizer tudo o que se pensa e não pensar no que se diz, ou se vale a pena dizer?


 O silêncio é de ouro, diz quem sabe, e há muitos anos. Eu gosto do admirável mundo do ouvir calado. Experimentem. Vale mesmo a pena!

Abraço

terça-feira, setembro 16, 2014

O tempo que faz lá fora

Ora viva

O tempo que faz lá fora nunca é o tempo que faz dentro de mim. Falo de meteorologia. Gosto do tempo todo. A chuva embala-me o corpo, apetece-me quente. O calor amolece-me a alma, desejo as árvores e a sua sombra. O vento acorda-me os músculos, espevita-me por dentro. O nevoeiro adormece-me os sentidos. A trovoada acorda-me os olhos. Gosto da luz do outono, das manhãs de primavera, das noites de verão, da morrinha do inverno.


 Do frio na pele e chegar a um sítio quente. Gosto muito da minha vida cá por dentro, e acho que ela fica agradada com qualquer tempo que faça cá fora. Isto é bom. Nunca estou sentado no constante do mesmo tempo. O meu corpo, o meu dentro, surpreende-se sempre com cada estado de tempo…e a monotonia morre entediada. Sempre gostei das coisas de dentro para fora. Parecem-me sempre mais resolvidas. Neste movimento, quando o meu dentro se confronta com o tempo cá de fora, a surpresa e o agrado são sempre constantes. Experimentem!

abraço
Hélder

sexta-feira, agosto 29, 2014

Meu querido mês de setembro

Ora viva

Setembro era um mês que eu adorava. Dias mornos. Molenguice. Vontade de nada. Fins da tarde na praia, a apetecer uma toalha enrolada no corpo. A areia a suspirar de alívio depois das enchentes de Verão. Preparar o regresso às aulas, à altura sem esta especulação de mercado! Enfim…dias serenos do meu querido mês de Setembro. 

Bom…agora setembro parece o mês em que se concretiza tudo aquilo que uns e outros andaram a preparar entre julho e agosto. Pois é neste mês nove que tomamos conhecimento de tudo. Muito muda. Muito aumenta. Muito se despede. Muito se contrata. Muito se espera e desespera. Até parece que os dias apetecem menos com medo do mês em que todos os ventos se conhecem. 

A verdade é que quando eu vivia os suaves dias de setembro dos tempos idos, a vida não me fazia tanta aflição como me faz hoje. Crescer tem destas coisas. Emancipa-nos e dá cabo da nossa inocência. 

até amanhã
Hélder

domingo, agosto 24, 2014

Viajar e Regressar

Ora Viva

Gosto muito de viajar. É um prazer e um investimento na minha cultura. Não há livro que substitua uma viagem. Considero-me um homem já com algumas grandes viagens feitas. Curiosamente, cada vez que faço uma incursão, já preparo a próxima. Não há nada melhor do que preparar uma viagem enquanto se está a viajar. Parece um movimento contínuo e intrínseco à minha rotina.

O mundo é, efectivamente, muito grande. Já me apercebi que não viverei o suficiente para todas as viagens que quero fazer, vou tentar acreditar que uma nova vida me dará o resto do tempo.

A par de viajar, gosto de regressar a casa. Mas gosto muito. O cheiro das minhas coisas faz-me falta. Em cada objeto estão as pessoas que amo, só elas vão e habitam o meu lar. Sabe-me bem entrar nas minhas paredes, no fim de uma viagem, abrir a porta e ainda com as malas na mão inspirar a minha casa. Encher os pulmões com o ar e a luz do sítio onde vivo, e matar saudades cá por dentro.

Entendo que viajar é tão bom como regessar. Em cada regresso nasce a vontade de uma nova viagem, certamente porque tenho um lugar para onde voltar e que tanto amo, a minha casa!
Até amanhã

quinta-feira, julho 17, 2014

JOVENS

Ora viva

Ao longo dos últimos meses tenho entrevistado jovens. Quero saber o que andam a fazer e o que lhes diz a palavra futuro. De empregados a desempregados, voluntários a empresários. Todos cabem nestas minhas duas perguntas. A par das respostas vou conhecendo as suas vidas, os seus projetos, por vezes avivando-lhes a memória sobre o que queriam ser quando ainda eram mais jovens. Já entrevistei perto de 40. São inspiradores. Gente que se faz ao mundo porque a vida não admite que seja ao contrário. 

Apesar do desavesso deste sítio onde vivemos e morreremos, encontro uma juventude esperançosa, otimista nos seus objetivos, adotaram o lema: eu sou o primeiro a acreditar em mim. Já se emocionaram comigo, já me emocionei com eles. Só quero saber como estão. Sem pressas. Esta televisão que faço não contempla a correria. É para ouvir e partilhar com o espectador o sumo destas conversas. São nutrientes para a alma, pelo menos para a minha tem sido. Temos um futuro de gente que acredita e está disponível. Tantas vezes isso, isto, é tudo.

até amanhã
hélder

quarta-feira, julho 09, 2014

Pirilampo?

Ora viva

obrigado a todos os que passam por aqui, e me deixam mensagens tão generosas. Obrigado!! Esta semana vi pirilampos...

E se a vida fosse como um pirilampo? Há dias, passeava na praia, com um amigo (nunca passearia na praia com quem não amo) e desabafávamos problemas que nos inquietavam. Nem sempre a vida nos dá o que queremos, da forma como queremos. Há dias cheguei a essa conclusão, nem sempre o retorno é na moeda que queremos (metaforicamente falando). Bom, dizia eu que passeávamos na praia, inundados pelos nossos problemas, quando muitos pirilampos invadiram a nossa conversa. A fragilidade de um ser que, apesar de quase impercetível, é deslumbrantemente luminoso. Era a resposta que faltava à nossa nuvem de comos e porquês. 

A luz é um fenómeno maravilhoso em dias escuros, seja de uma vela, candeeiro, ou de um grande pirilampo.

Até breve
Hélder

terça-feira, julho 01, 2014

A vida é...

Ora viva

A vida é para quem dá. Quem gosta de abraço e sabe perdoar, perder, dar e avançar. A vida é dos que acreditam no amanhã. Daqueles que não se regozijam com o mal dos outros. A vida é de quem gosta de água limpa. A vida é dos determinados, dos que constroem e ajudam quem está destruído. A vida é de quem dá oportunidades, uma, duas ou três. A vida é dos que voam dentro deles. A vida é um sopro, por isso é de quem gosta de respirar profundamente. A vida é de quem olha e fica. A vida é de quem sorri com a esperança e dá esperança a quem precisa de sorrir.

A vida é dos frágeis que querem ser fortes e dos fortes que ajudam os frágeis. A vida é de quem não quer saber do que se diz da vida dos outros. A vida é de quem a vive, não de quem vive a vida do vizinho. A vida é dos altos, mesmo que sejam baixos, veem além. 

A vida é de quem quer ser pássaro mesmo que saiba que nunca será, persegue o sonho possível, o de ser livre com asas de vento. A vida é assim. Cheia e vazia. Se está cheia partilha, se está vazia, procura quem a encha e sê obreiro de ti, nunca ninguém viverá o que só tu podes viver. É assim que vejo a vida. A minha. A dos que amo.

até breve
Hélder

quarta-feira, junho 25, 2014

Hoje

Ora viva

Hoje vi a D. Maria, nos seus 90 anos, sair de casa e olhar para a praia. Uma necessidade de quem tem uma vida inteira naquela rua, naquela casa, naquele sítio virado para o mar. Esta concentrada na sua observação, atenta aos pormenores de uma praia que em pouco mudou. Estaria a respirar profundamente. Os olhos enchiam-se da serenidade do fim de tarde.

A vida é mesmo assim. Os sítios que amamos, a casa, a nossa rua, e enchermo-nos com o que nos faz bem. Num fim do dia, são vários os atentados à nossa convicta serenidade, precisamos de lutar contra o vazio que nos querem meter. A nossa vidas será sempre nossa, por muito que nos tentem tirar. À D. Maria ninguém lhe roubou o mar nem a enorme vontade de o ver. Assim nos inspiremos.

Abraço

terça-feira, junho 10, 2014

O meu frigorífico

Ora Viva

Esta semana avariou-se o frigorífico. Já vos deve ter acontecido. Imaginam as consequências. Pois eu fazia uma vaga ideia do transtorno, mas nunca pensei em tanta confusão. Uma simples avaria mudou toda a minha rotina, e por muito que não goste de rotinas, há algumas que me sabem bem. Um frigorífico fez o que muitas pessoas tentaram fazer e não conseguiram: mudar-me hábitos. Tudo por que eu não tinha onde guardar frescos.

 A vida é assim, não um frigorífico, mas uma roda cheia de itinerâncias que sucedem pelos motivos mais inesperados. E quando damos por nós, mudamos. Deixamos de fazer como fazíamos, ou já não fazemos de todo. Mudar por fora, pode resultar em mudar por dentro, ou um movimento contrário. Mudar, simplesmente.


O meu frigorífico fez-me mudar. Não sei se as mudanças se vão manter, agora que ele voltou do sítio onde nasce o frio, mas pensei na mudança, na alteração de padrão, de hábitos. Questionei porquê assim, e não de outra forma. No fundo fez-me bem a tua ausência, meu simples frigorífico!

Abraço

terça-feira, maio 27, 2014

Saúde



Ora viva

Os hospitais ou são lugares de saúde ou de doença. Os hospitais são sítios de avaliação. Do corpo. Da alma. Ir ao hospital, por motivo do nosso corpo, ou do corpo de alguém que amamos, é um motivo de constatação simples: sem corpo somos muito pouco. Traduzido em linguagem mais simples, sem saúde não vamos a lado nenhum. E no corpo todos somos iguais, fisiologicamente falando. Numa maca de hospital, não há ricos nem pobres, há pessoas à espera da cura. Simples não é?

Gosto de terminar as minhas entrevistas desejando saúde ao meu convidado, a quem me vê. Pensei que não era uma expressão que fosse muito tida em conta, até repetidamente me dizerem que gostam de me ouvir dar votos de saúde. Em bom da verdade de que mais precisamos nesta curta vida? Podemos ser muito ricos, ser muito pobres, com saúde podemos recomeçar, lutar, desistir, mudar, ser melhor, ou ser pior; mas sem saúde nada feito, sem a dita senhora não vamos a lado nenhum. O triste é darmos por ela, pela sua infinita importância, quando não a temos. A maior ambição da minha vida? Ter saúde. O resto, tudo o resto eu conquisto.

até amanhã
Hélder

terça-feira, maio 06, 2014

O OLHAR

Ora viva


Olho para ti. Para os teus lábios. O teu peito. Imagino o lugar por onde andam os teus pés. O que trazes   nos sacos, que música estás a ouvir, que livro carregas nas mãos. Gosto de te ver. Não a ti em exclusivo,  gosto de ver gente, pessoas que olhem a vida de modo curioso. Gosto de mãos e olhos, gosto de adivinhar para onde vão,  de onde vêm,  o que levam e aquilo que ainda vão levar.

 Hoje caíste-me tu na vista, enquanto fazia a minha viagem, centrado na minha vida, quando a tua se cruzou com a minha. E pronto,   ficamos ligados  por breves minutos, eu mais ligado a ti, que tu a mim, receio que nem deste por mim.   Eu, por outro lado, agarrei-me a ti, bebi a tua serenidade, irreverência limpa, roupa honesta. 

Sem te saber apercebi-me dos teus sonhos e da garra na gana. Saíste do comboio primeiro que eu, fiquei mais uns minutos a contemplar a tua ausência e o que em mim ficou de ti, mesmo sem te conhecer, mesmo sem saber o teu nome.

até amanhã
hélder

domingo, abril 13, 2014

Morrer de fome

Ora viva

Morreram de fome 30 mil crianças na Somália; em 3 meses. Isto é uma merda. Já imaginaram o que é uma criança morrer porque não tem o que comer? Século XXI. Nem vou falar da morte de crianças com fome no resto do mundo. Vamos ficar só pela Somália. Li hoje esta notícia, e umas páginas à frente falava de Portugal como o 6º país mais envelhecido do mundo.

Anda tudo a navegar na maionese e tudo do avesso. Não pode ser, e eu como cidadão não posso fazer nada. Num mundo morrem crianças de fome, noutro mundo não nascem crianças para que não passem fome. O que é que vocês sentem ou ler estas notícias? E temos de passar ao lado, não há outro remédio. A gravidade dos dois factos é incomparável, óbvio. 

Mas parece que nada faz sentido. Morrer de fome? Mas o que é que se passa? Lembro-me, há dezenas de anos, das campanhas contra a fome, e está tudo na mesma. E nós cá andamos, sem poder fazer nada. E não temos filhos porque o estado social não nos garante o futuro deles, nem o nosso, às vezes é o que penso. Num mundo e noutro mundo são estas as notícias; e a realidade é o que os dois mundos fazem parte do mesmo planeta. E fica tudo na mesma. E vamos dormir e acordar, porque não podemos fazer nada. Nem por eles, nem por nós.

até amanhã

segunda-feira, abril 07, 2014

AMIZADE

ora viva

A amizade é um namoro. Por vezes o mais eterno. É aos meus amigos que me permito mostrar o que de   bom e mau tenho,  eles vão aceitar-me, não é tolerar-me. Os meus amigos ralham comigo e depois           dão-me um abraço. É assim  que funciona. Com honestidade, emocional e intelectual. Tenho grandes       amigos. Há muitos anos. Falamos diariamente. Dizemos que sim e que não. Entramos em casa sem avisar. Juntamo-nos quando o coração aperta e precisamos de mais corações à nossa volta.

 Há muito que não      faço novos amigos, os que tenho já são vintage. E bastam- me. Agora a amizade é lavoura que dá trabalho. Dedicação de agricultor. Abdicar de nós em função do amigo. É... A amizade é uma grande empreitada. Dá trabalho ao coração. A amizade não é conveniente, isso são as relações sociais, todos sabemos disso. A amizade é limpa como uma casa branca. Arrumada como uma praia em setembro. E um namoro...um   namoro generoso, que não cobra e é eterno, provavelmente o mais eterno das nossas vidas.

abraço

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

A NOSSA HISTÓRIA

Ora Viva...

A nossa história é fascinante. Falo da história individual. O que fomos, o que somos, o que queremos ser. Não sei explicar o prazer que sinto ao entrevistar pessoas fora das luzes da ribalta. É apaixonante perceber o que motiva a pessoa, o que a desanima, as paixões, os vícios, o futuro. Tudo dito sem pensar em estratégias de comunicação, sensacionalismos, e outros bla bla blas...

Falam porque lhes vem do coração, o mesmo sítio onde nascem as paixões da nossa história. O ser humano é extraordinário. Fixo-me sempre no lado nobre e luminoso. Tenho conhecido gente desprezível, a gente que acha que o dinheiro lhe traz tudo, a gente que entende que o sucesso é eterno e os torna um pouquinho mais iguais que os outros, a gente que espezinha, a gente que proíbe quem está hierarquicamente numa posição inferior de ter qualquer protagonismo, a gente que diz o que fica bem e nunca diz o que pensa…enfim...essa gente. Mas depois há aqueles que amam o anonimato e encaram a entrevista como uma forma de divulgar a obra que até nem é deles, mas pode dar uma ajuda à vida e todos, a gente que tem orgulho na história que fez com o sangue, suor e lágrimas que na boca dizemos. 

Há a gente da terra, do campo, da cidade, das palavras, dos abraços, do dar sem esperar, do fazer sem ser para se ver, do sorriso constante, do acreditar, do partilhar. A gente que desanima e acredita no dia seguinte. A nossa história é NOSSA, e quando honesta pode ser extraordinária!

Até amanhã!

terça-feira, janeiro 07, 2014

OUVIR



Ora viva

Ouvir é um exercício. A dedicação ao outro. Prova máxima de respeito, curiosidade e humildade. Eu conheço uma pessoa pela capacidade que esta tem de ouvir. Basta-me isso. A minha vida é, há muito tempo, dedicada a este ofício da atenção. Não posso fazer boas perguntas se não escutar respostas. Às vezes custa-me ouvir algumas entrevistas, porque o entrevistador simplesmente não ouve. Não há boas perguntas sem respostas.

Noto se me estão a ouvir pelos olhos e pelas mãos. Denunciam mentirosos, falsos ouvintes. É claro que nem sempre estamos com capacidade para escutar, e há gente muito chata, mas se nos dispomos a ouvir, então que assim seja. Há, contudo, gente que nos desafia, gente que para dizer uma palavra, usam dez. Gente que para ir a um sítio da conversa, vão primeiro a cinco. Pois, há gente difícil de ouvir, gente que não diz nada, gente que diz tudo, gente que não interessa acatar. Mas para saber disto, temos de nos calar e ouvir. Nem mais, nem menos.

Até amanhã
Hélder

quinta-feira, janeiro 02, 2014

DAR




Pergunto-me muitas vezes: o que posso fazer pelo mundo? Não sei.

Nem sei se as pequenas coisas ajudam a coisa no todo. Faço-me entender? É fácil constatar que a terra que nos dá lar não anda bem. Todos os dias, no meu dia-a-dia, encontro situações tão desesperantes, tão delicadas, tristes e que me apertam por dentro. E não consigo fazer nada. Ou por vezes até consigo, mas uns tempos depois constato que não resolveu. É uma espécie de incapacidade. Incapacidade de fazer alguma coisa realmente significativa, e que possa mudar. Conheço tanta gente inspiradora. Gente que se dá pelos outros, e muda, muda a vida de quem está mal. Isto é maravilhoso. Intenso. Desafiante. É mais que voluntariado, mais que um donativo, mais que dar a mão. Trata-se de dar o tempo, a vida, a voz, o pensamento, as ideias, os objectivos, o dinheiro, as rotinas. DAR. Sim, eu conheço gente assim, e que se recusa à entrevista e à fotografia. 

E sinto-me pequeno. Muito pequeno. Sem resposta para a pergunta de início. É tudo maior que eu.

Até amanhã
Hélder

quarta-feira, dezembro 04, 2013

FOME DE BACALHAU

Ora viva

Há dias, a propósito da recolha para o banco alimentar, uma jornalista perguntava a uma criança se sabia para quem era a comida…resposta? Para os pobres. Fiquei azedo, mas tão azedo. Vivo a vida com pessoas, muitas e de diferentes raças, sexo, profissões, estatutos, e antes de se me apresentarem como tal, são pessoas. Exatamente pessoas. Ainda que o ser “só” pessoa, para determinados indivíduos, possa ser coisa igual a toda a gente. Pessoa é o que são e serão. Com tudo aquilo que de mais físico e espiritual a pessoa tem!

Numa das reportagens que fiz esta semana, entreguei um cabaz de comida a uma instituição, não era oferta minha, e no cabaz vinha bacalhau. A diretora da casa chorou, chorou porque tinha 12 postas de bacalhau para dar a algumas das 1100 pessoas a quem ajuda contra a fome. E nunca lhe tinham dado bacalhau, e era uma festa ter aquelas 12 postas. Chorou por ver o bacalhau e eu chorei por dentro, porque tinha à minha frente uma mulher que criou uma IPSS há 10 anos, que vive da sua pensão de quase 300 euros e cujo sonho é fazer a sua cantina social.

Às vezes acho que anda tudo ao contrário. Os problemas que nos ralam a cabeça no dia-a-dia. A fome que milhões passam. O que eu não faço pelos outros. O que tanta gente faz pelos outros.
Gostava eu de ter palavras para agradecer a quem faz da vida a causa social, como voluntário ou profissionalizado. Quem trabalha para e pelos outros não fecha a porta do escritório e deixa lá os problemas. Quem trabalha nas casas sociais fecha a porta da instituição e traz no coração os problemas dos outros, quase sempre dos outros.


Nunca chamem a ninguém pobre. Nem rico. Nem doutor. Nem nada que não seja o nome próprio. Aquele que nos assina e nos lembra o berço de pessoas que somos e para sempre seremos.

até já

terça-feira, novembro 19, 2013

AGRICULTURA

Ora viva

Pés na terra. É das melhores sensações que posso dar à minha pele. Quando era miúdo lembro-me de andar descalço pelo campo de milho e adorar sentir a terra entre os deditos dos pés, e aquando de levar a água ao milheiro, era o deleite total, terra molhada e pé descalço. São memórias físicas que guardo da agricultura que os meus pais faziam. Em bom da verdade eu devia ajudar, mas passava mais tempo de cabeça na lua e de pés engolidos na terra, do que a dar uma mão ao cultivo. Mas sempre me fascinou a sementeira, a colheita, o pousio para os dias que hão-de vir. 

A agricultura é o melhor exemplo que podemos dar à vida, às coisas, ao amor, às emoções, à paciência, à perseverança. O agricultor é um vulcão de garra, de esperança e futuro. Semeia que Deus há-de ajudar, dizem os mais velhos. Na horta dos dias é a mesma coisa, semeamos na vontade de colher, e isto dá para tudo, para todos, por muito sábios e bem aperaltados que sejam. 

Cada um a seu jeito é um agricultor de palavras, projetos, construções, lições e sermões, curas e remédios, sorrisos e engenhos.

Curiosamente, nunca se falou tanto de futuro com uma arte de tão antigamente: a agricultura. Serena e paciente, ela vem sempre ter com a gente. É na terra que habitamos, e sem terra flutuamos. É por isso que gosto tanto de quem faz da vida a sementeira. É gente de esperança morena pelo sol. É gente de bem, é gente com raízes bem fundas, como convém a quem se planta nos campos que lavra.

abraços
Hélder

terça-feira, outubro 15, 2013

ARRUMAR O ARMÁRIO

Ora Viva

Este texto começou com uma arrumação da roupa de Verão, é… acho que acabou mesmo! Quantas vezes dizem a expressão: E se… ?! Para mim é uma frase terrível, sem exagero. A teoria dos “e se” é destrutiva. Castra a decisão no presente e gera-nos uma agonia no futuro, quando olhamos para o passado. 

Eu sou um homem ponderado, não entro nada na onda do Carpe diem. Para mim é uma quase treta. Claro que é ótimo viver intensamente o presente, mas sem a consequência do futuro? É como não acreditar nos sonhos, nos projetos, nas relações. Pois se eu vivo intensamente o agora, como se não houvesse o futuro, é dizer que tudo o que é plano não faz sentido. Não acham? Não há nada como viver o momento a ponderar o futuro. Um sem o outro é coisa estranha.


Voltando ao “E se…”, para mim é sinal de passado mal resolvido e medo do futuro. Pior que uma dúvida no presente, é uma dúvida no futuro sobre o passado. E se…nada. É preciso fazer de cabeça para a frente, ou não fazer de cabeça igualmente a direito. Não dar grande tempo à terrível dúvida que nos pode entorpecer. É claro que, como em tudo, esta regra não a cumpro a direito, mas dou-lhe poucas curvas. Ter, orgulhosamente, o passado arrumado em gavetas é ter uma casa com cada coisa no sítio certo. E há lá melhor sabor que um lugar arrumado?

Abraço
Hélder

terça-feira, outubro 08, 2013

GOSTAR



 Ora Viva

Hoje uma amiga disse-me que adora dizer às pessoas, quando assim se justifica, que gosta delas! Ora aqui está um bom tema de escrita. Gostar e dizer que se gosta. Para mim gostar é um exercício e uma generosidade. Um exercício porque para se gostar é preciso tempo e atenção. Tempo para ouvir, ver, perceber, abdicar de nós para entrarmos no mundo dos outros. Atenção para cumprir o grande desígnio de atender aos pormenores, às diferenças, às particularidades.

Eu não acho que se gosta porque se gosta. Nada disso. Gosta-se porque tivemos o cuidado de sairmos de nós, do conforto da nossa zona, para nos dispormos a entrar no fascinante mundo, que pode ser, o dos outros. Por tudo isto, tenho um profundo respeito e gratidão quando alguém diz que gosta de mim. Quero perceber os comos e porquês e depois agradecer a generosidade do sentimento.
Gostem-se muito! Tenho dito.

abraço
hélder

domingo, agosto 18, 2013

AS PALAVRAS

Ora Viva



Usamo-las abreviadas, gastas, novas, erradas e certas, na verdade e na mentira. Usamo-las de dia, à tarde e à noite. Entre silêncio e conversas. Na casa, na cama, no escritório, na rua, no telefone e no papel. As palavras.
Gosto tanto das palavras, dos seus contornos no papel. Do atrevimento de as usar. Da inquietação pelas novas e pelas do antigamente. A palavra, para mim, ainda é um poder, um saber, um amor perdido e achado numa frase que me faz parar. A palavra é um compromisso, uma missão, um segredo e um desejo. Coisa séria de se fazer. De se dizer. Mesmo que as palavras que agora dizes se amanhã forem mentira, que tenhas a ousadia de novas usar para dizer que estavas a enganar. Por isso as palavras serão sempre grandes. De heróis. De gente de mar e amor.
A palavra pode construir e destruir, tudo e nada, todos e só alguns. Tenho profundo respeito pela palavra. Pela honra. Pelo casamento que ela nos liga na união que é a conversa. Mesmo quando as uso para dizer que errei.

Gosto das palavras, até quando não as uso para dizer tudo o queria.

Fiquem muito bem!

terça-feira, julho 16, 2013

EU A NU

Ora Viva

Aqui vou eu...

O que me inspira? A luz da manhã. Uma noite de abraços. O cheiro do alecrim. Gosto de laranjas  frescas no Verão. Sou doido por água quando tenho sede, e adoro beber vinho sozinho. Gosto do cheiro   da terra molhada e de andar descalço, é quase um vício. Perco-me por casacos e por peixe fresco. Adoro a praia no Inverno e o sol de Março. 

Gosto de ruas com árvores e de olhar para o topo das árvores no céu. Gosto tanto do ombro da minha mãe e de quando o meu pai, em noites de frio, me puxava as meias para  cima. Gosto do branco e de canetas. Gosto de ouvir a gargalhada dos meus amigos. Adoro adivinhar o que levam as pessoas nos sacos das compras. Gosto de janelas de madeira. Adoro jarras transparentes. Gosto do cheiro dos livros novos e da madeira. Gosto de entrar em casa. Gosto do nome das pessoas.

Gosto que gostem de mim. Perco-me por batatas fritas. Gosto de dar. Gosto de receber. Adoro rasgar os   embrulhos. Gosto de lareira e de meias. Ahhhhh e queijo, sempre. Gosto das  coisas quando me apetecem. Gosto durante  muito tempo, por vezes o tempo todo, das pessoas que gosto há muito e daquelas que       comecei a gostar, gostarei sempre. Gosto de gostar, é isso, gosto muito de gostar.

Até.
Hélder

segunda-feira, julho 01, 2013

Caminhar















Ora viva

O que sentes quando caminhas? Quando tocas com os pés na terra? Quando usas sapatos novos para um dia especial? Caminho, caminho e caminho. Olhas para trás? Para o que os teus pés já fizeram? Às vezes o corpo anda e a alma fica parada, perdida num sítio cheio de casas e ruas chamadas por sentimentos.  E gostas de areia fresca
nos pés descalços numa noite de Verão? E andar para trás? Malditos caranguejos que nos ensinaram a andar para todos os lados, e para mim o caminho deve ser em frente, à procura do destino, se destino houver.

E quando tropeçamos? Confesso, acho um certa piada às quedas, às minhas também, fico sempre com a ideia de que toda a gente na rua está a olhar para mim...e rio-me, assim não haja dor no corpo. Atarantados para evitar cair, ... é também assim na vida. E por vezes tem piada.

E com que pés caminha a nossa alma? Serão de sede? De medo? De determinação? De vento? De espuma do mar? De veludo? Ou de ver onde isto vai dar?

Pés no chão, cabeça no ar!

Abraços

Hélder


quarta-feira, maio 01, 2013

Amar nas coisas pequenas


Ora Viva

Amar nas coisas pequenas. Não sei conhece a canção da Madredeus, Coisas Pequenas. Ouça, por favor. Partindo do princípio que já ouviu, pergunto -lhe o que achas das coisas pequenas no amor? Os detalhes de uma relação, o cuidado, a capacidade de reparar, parar, olhar e abrir as portas do sítio do coração. O mundo é feito da aparência das grandes coisas. Grandes carreiras, grandes empregos, grandes sonhos, grandes marcas, grandes livros, grandes viagens, carros, discursos, conhecimentos...E quem não tiver algo grande, ou é um infeliz, ou não é ninguém, para alguns, claro. E os que amam e se alegram com as coisas pequenas da vida. 

Aqueles para quem viver é ter para viver e não viver para ter, os que escolhem dar mais do que receber? Os que gostam de parar para ouvir as gargalhadas dos outros e se sentam a olhar o que oamorr faz da vida? E dar coisas pequenas? Aquelas que na fragilidade do seu preço ou valor bolsista, arrebitam o engenho da criatividade e aguçam o desafio do material? É...o mundo pode ser maravilhoso nas coisas pequenas, e nestas estão as coisas do amor, que para muitos é tudo o que a vida tem, e "tudo aquilo que eu quero dar". 

E um grande amor...poderá ser uma coisa pequena? Claro que não, por isso, diz a canção: Coisas pequenas são coisas pequenas...que dizem que eu te quero amar". Neste mundo que nos come a alma, quem ama nas coisas pequenas consegue o maior lugar para um grande amor;tenho dito.

Até já! E ouçam a canção dos Madredeus!!

Hélder

segunda-feira, abril 01, 2013

GOSTO DE ANÓNIMOS


Ora Viva

Sou apresentador de televisão há 10 anos. Já percorri o país inteiro, ilhas inteiras. Diariamente! Por semana entrevisto dezenas de pessoas, geralmente anónimas, extraordinárias. Tanta gente que no peso do anonimato, porque ao ser-se figura pública tem-se uma vida mais leve em muita coisa, faz tanto por um mundo que é constantemente melhor e não sabemos por mão de quem…eu sei, graças aos anónimos, que fazem, dão, lutam, perdoam, inventam, recriam-se, e voltam a dar. Sem fotografias ou capas de jornais. O retorno? Muitas vezes é essencialmente o bem comum. Não sou um homem muito dado ao social, ao glamour, reconheço. Mas sou um homem dado a gente que faz das tripas coração para levar a vida para a frente, e ou vai ou racha. Quanto mais conheço esta gente que a maioria dos portugueses ignora e eu tenho o privilégio de entrevistar, mais me fascino pelas pessoas que não têm exposição pública. São porque são, fazem porque fazem! Gente valente e brava. Amanhã, talvez, entrevisto-o a si, que me está a ler! Quem sabe…terei essa sorte!

Hélder Reis

domingo, fevereiro 17, 2013

Fim do dia

Ora viva

Quando o dia termina, olho para o princípio... e avalio. Geralmente aquilo que fiz, a quantidade, depois a qualidade, e por fim o que não devia ter feito.

Hoje. Acaba o dia e sinto que não fiz nada. Dormi. Muito. Não gosto de dormir, amuo ao ir para a cama. Mas preciso de dormir e não vale a pena muita história. Mas a verdade é que não fiz nada. Não li, não observei, não escrevi. Nada.

Apesar deste nada, a vida continua a sua ordem natural de afazeres. A noite vem, o dia vai, o vento marca presença, a chuva dá o seu ar de graça, ou desgraça, a respiração toca o compasso. Tudo anda, menos eu. Perdi um dia e nada. Nem dei nada ao mundo, nem deixei que o mundo me desse nada. Caramba, isto não pode voltar a acontecer. A não ser que o próximo domingo seja de chuva e vento... Lá está...vou cair no mesmo. Ou não!

Abraços

Hélder


quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Preparativos

Ora Viva

Sempre gostei do antes. Antes das férias, fazer a mala, preparar os bilhetes, escolher a roupa e definir roteiros. Antes de me deitar, a agenda do dia seguinte, a preparação do trabalho, o arrumar as ideias e saber que tenho um novo dia para recomeçar. Sabe bem a preparação.

Mas das preparações que mais gosto, aquela que é Aquela, é o tempo que antecede a primavera, aquele mês antes, está quase... Março até pode ser ainda frio e com gripe, mas já é primavera. Preparo os vasos para receber as novas plantas, as árvores vestem-se de roupa nova, e eu preparo a roupa fresca de sabor a mar e esplanadas. Antecipo um tempo onde a força do nascer me inspira profundamente.

Quando era miúdo dizia que gostava de ser uma árvore, deve ser daqui que vem esta paixão pela estação que anuncia bons dias de luz!


Abraços

Hélder

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Natal

ora viva...

Já não sei se gosto do Natal....ou se o Natal fez com que deixasse de gostar dele. é tanto barulho à volta de um nascimento...que acabamos por nem conseguir ver o menino nascido.

Sou católico. Mas estou a caminho de perder o sentido natalício. Culpa minha. Tudo o que não se alimenta...morre. Mas caramba são tantas luzes que me cegam...ou não?

Moral da história....todos os anos ando à procura do Natal...e fico pelo caminho,e este ano não fujo a esta regra que eu criei para mim. Enfim...ainda este não passou e já digo para mim: Para o ano é que vai ser....

até já

terça-feira, outubro 23, 2012

Regresso



Fui ver-te. Procurar-te, como faço sempre, no teu passado. Vi-te numa alma presa ao corpo. Sim...como numa caverna. Sim...como uma sombra. Sim...mas sem alegorias. Presa naquilo que não se percebe do tempo.

Pendurada na janela a olhar para a própria vida, rendida pela força do futuro. Dilema da batalha que poderia existir entre passado e futuro. Nem sempre a história nos importa, quando está em jogo aquilo que fomos e não voltaremos a ser...

É...a vida tira-nos a força das pernas interiores. As mesmas que na meninice nos levaram entre sonhos e travessuras, agora recusam-se a inoportunos regressos.
Procuro-te, na esperança de encontrar a minha infância e a ti nela... Não encontro, mas regressarei a ti constantemente.

teu,

Hélder

terça-feira, setembro 25, 2012

VIDA

Ora Viva

Hoje entrevistei uma senhora que me ensinou Vida...não me disse a idade..mas tinha a idade que o tempo dá a quem quer dar e receber muito.

Sabes o que queres da vida e para que queres a vida? Quando o teu caminho se encurta e atrapalha, não te espantes, haverá outro ao virar da curva. E andamos nós, na velocidade da vida, a soprar balões para que o nosso ar veja o céu e assim pensamos que o céu já conquistamos. Enganados andamos. Caramba....custa acordar e fazer do dia uma matéria proveitosa e interessante. Dá trabalho fazer bem feito. Quer seja a vida quer seja uma coisa qualquer. Enquanto corremos pela estrada que pode acabar....vamos fazendo a malha da vida...bem ou mal feita, mas tem de ser feita. Seria sempre bom que fosse bem feita...mas o que sabemos nós do perfeito? O que sabemos nós da vida?

Duvidar é bom....faz-nos pensar. Pensar custa, mói as ideias...faz bem...mas dá trabalho ao sangue e aos músculos da alma. Seguimos caminho...com balões na mão, não vá haver festa e a festa tem de ter balões. Avançamos e paramos e se nos enganarmos recomeçamos, neste caminho ou no outro que se segue. Mas de olhos no ar e pés na terra, porque o homem não foi feito para voar.

até já.


quinta-feira, setembro 20, 2012

CANSADO?

Ora Viva

O meu trabalho não me permite estar cansado, desapontado, aborrecido. Sorrir, concentrado, ativo, dinâmico, criativo: obrigações diárias.

Mas há dias em que custa, ser o que não nos apetece ser. Baixar os braço e dizer.: hoje não consigo. Tenho alguns dias assim. O que faço?

Penso no quanto gosto daquilo que faço. Penso na responsabilidade que é passar uma mensagem. Na sorte que tenho em poder trabalhar e ter uma vida que posso gerir. Posto isto não dou tempo à tristeza. Ninguém a merece, ela não nos alimenta nem nos torna mais fortes.

Para que serve este texto? Para dizer que nem sempre a vida me sorri. Nada de especial..

Até já.

Hélder


segunda-feira, agosto 27, 2012

PORTUGAL PORTUGAL

Ora Viva

Gosto do Jorge Palma. Muito. Mas ainda mais quando ouço...Portugal Portugal de que és que estás à espera?

Já não gosto tanto de esperar como gosto do Jorge Palma. Eu sei o que dizem as vozes de quem tem a sabedoria do tempo: esperar é uma virtude...pois é, deve ser, mas prefiro arriscar, levantar-me, ir, fazer enquanto espero e quando chegar está feito...e isto serve para tudo.

Ter um país à espera, é o que às vezes sinto de Portugal. Conquistamos mundo, descobrimos, ensinamos, fomos pioneiros e somos marinheiros e inventores, pastores e cientistas, mineiros e cantores, doutos e agricultores, arquitetos, atores, cineatas, diretores, construtores, professores, atletas, médicos e pescadores. Em tantas destas artes e ofícios somos referência...e estamos à espera, ou parece que estamos, de quê, de quem?

Eu estou cansado de esperar. O que isto significa? Pois terão de esperar para ver...ironia do texto!


abraços e beijos

Hélder Reis

sexta-feira, agosto 10, 2012

COMO É QUE SE FAZ?

Ora Viva

ISTO NÃO É UM LAMENTO.

Tenho 37 anos e constantemente não sei como se faz. Não sei fazer um bom arroz de forno. Nunca sei dar a ferro uma camisa. Não sei fazer a papelada do IRS. Não sei quando se plantam as alfaces. Não sei mudar uma fralda. Não sei fazer contas de cabeça. Não sei podar uma árvore. Não sei escrever romances. Não sei representar. Não sei se o copo na mesa é do lado direito ou esquerdo. Não sei o que se faz quando uma pessoa que não conheço bem desata a chorar....Ia por aí fora....

Não temos que saber tudo. Ainda bem. Eu não sei nada, acho que é do convívio com quem sabe muito. Melhor, sei bastantes coisas, mas deparo-me muitas vezes com coisas que não sei. E agora?

Há vantagens em não saber. Claro. O querer saber mais. Mas mais tarde ou mais cedo outra coisa vai surgir que não sei, e até devia saber, e pronto fico na mesma.

Por exemplo, entrar numa livraria....a quantidade de livros que nem lhe conheço o nome...e devia...e não sei. E agora? Será que há aquela altura em que saberei tudo, ou mais de tudo? Ou, sem a ignorância atrevida, serei sempre o tipo que não sabe...e pronto. E isto..será defeito ou feitio...esta coisa do não saber?

Confesso, às vezes gosto e prefiro não saber. A curiosidade leva-me para tantos outros lados...e aqui é feitio.

Enfim.
Se tiverem respostas...façam o favor.

Abraços
Hélder

quarta-feira, julho 04, 2012

OLHAR INVASOR?

ORA VIVA

Olhar. Gosto particularmente. Parar num café e olhar parado. Eu sei...perturba. Também não gosto que me olhem, pausadamente. Não o faço para invadir, faço-o para imaginar a intensidade das coisas que vivo mas na cabeça dos outros. Tomar café. Gosto da chávena fria e do café não muito quente. Bebê-lo de manhã cedo, desperta-me, enquanto tomo o café penso no dia que vou ter e quantos precisarei de tomar para que o dia tenha o ritmo a que o café me chama. E a mulher que está à minha frente e olha para a chávena...pensará no seu dia, no dia de ontem, no tempo de amanhã?

Supermercado. O que levam e porque levam aquelas coisas, e não outras? Quando era miúdo adorava arrumar as compras com a minha mãe; o arroz no sítio do arroz, as bolachas na segunda prateleira, a farinha, os sumos para um dia de festa. E os outros? Quem arruma? onde? Sozinhos ou brincam com os filhos aos supermercados, como eu fazia em miúdo?!

Banalidades. Pensar naquilo que outros pensariam, se fossem os outros a fazer aquilo que faço das coisas simples...o que fariam os outros? Porque é aos outros que pertence o direito de fazer o que fazem como querem fazer, com a ritualidade que devem fazer. E eu vou-me permitindo invadir, sem beliscar, o mundo das coisas simples feitas por gente que gosto de adivinhar as histórias que têm.

Enfim....

Até amanhã!

Hélder

domingo, maio 13, 2012

A CASA

Ora viva

Lembras-te da casa onde nasceste e te fizeste..e desfizeste daquilo que não querias ser? Lembras-te das tardes de sol, dos lanches apressados porque a vida era uma brincadeira de levar a sério? O jardim bem arrumado, as escadas quentes do sol...à espera de ti para as desceres e subires vezes sem conta. Nem pensavas...para onde me levam as escadas?

E as portas, as janelas, a chaminé, tudo o que nos nossos desenhos ganhavam uma espécie de vida com olhos e boca, e era a nossa casa. E o cheiro!? Da cozinha no Natal? Dos almoços de domingo, melhorados por ser dia solene. E lá permanecia a casa...a ver o tempo passar e nós nem pensávamos que o tempo passava para outra coisa que não fosse a brincadeira que se seguisse, e o tempo passa da luz para as sombras, da morte para a vida, da vida para outra coisa chamada saudade e que tem uma insaciável fome.

E quando cresces e vês esta casa envelhecida, com o tempo a fazer das suas. As coisas lá estão, paradas e pousadas. Carregadas de sombras e de memórias. Malditas e benditas memórias sejam vós! Agora somos nós que vemos a casa, desejosa que o tempo regresse aos almoços de domingo. E tudo vai longe. E o longe não volta. E nunca nos disseram isto enquanto perdíamos horas a brincar com o tempo, o mesmo que um dia nos faria falta à juventude.

E como havemos lidar com esta dor do fim e do perto do fim. Do adeus e do quase adeus. Arranha-nos, não os joelhos das brincadeiras, mas a alma, porque agora somos gente séria de alma dolente e madura, e gente de poucas brincadeiras. Tem de ser. Tem que ser. Tenho de Ser.Eu e a casa. A que fica e a que não volta.

Até breve

Hélder