terça-feira, novembro 19, 2019

VIAGEM. MESMO SEM DINHEIRO



                                                                                                                   HABANA.HR


Tirei esta fotografia em Habana. Confesso, é dos meus países de eleição. A musicalidade, a cor, a autenticidade do seu povo, a resiliência, a história. Não temos outra forma de conhecer um país, a não ser ir. 

Viveria sem muitas das coisas que o meu dinheiro compra, mas dificilmente viveria sem viajar. E a minha jornada ainda agora começou. Caro? Pode ser, depende sempre de como viajas, com quem viajas, e das opções que fazes durante o ano. Mas não precisas de dinheiro para te perderes nas ruas de um país, ires fotografando, olhares a vida das outras vidas, entrares numa mercearia, comer na rua, passear em todas as horas da luz e da lua, procurar as ofertas gratuitas... ires, o melhor verbo para o viajante.

Afonso Cruz tem um livro imperdível sobre viagens, JALAM JALAM, um hino a todo o que se inquieta por novas culturas, detalhes de civilização, cultura da simplicidade fora de portas.
 É pela ferida que entra a luz, é um dos textos. Não pode haver verdade mais absoluta para quem quer curar as feridas da vida, e encontra o remédio numa viagem.

Podemos ser tudo o que quisermos, mas seremos sempre menos se nos deixarmos no comodismo de não ir. É só fazer as devidas opções. Para quem tiver a sorte de poder, ou querer, optar, claro. O regresso de uma viagem nunca nos traz iguais, confesso, já sou muitas vezes diferente daquilo que fui, e raramente volto para trás.

Boas viagens

Hélder


segunda-feira, novembro 04, 2019

SAÚDE, MUITA SAÚDE


                                                                                                  imagem J.P.Freitas

Há alguns anos, sem premeditar, comecei a despedir-me em televisão, e numa vida mais real, com os votos de saúde. É no que acredito, e no que de melhor posso desejar a quem cumprimento, me despeço, ou me vê pelo televisor.

A vida é sempre cheia de planos, estratégias, agendas, sucessos, fracassos, amigos e inimigos, dores de cabeça ao deitar com tanto que ficou por fazer, mas quando a saúde nos falha parece que o nosso corpo ganha uma dimensão extra, sem o qual a vida não marcha; e é mesmo assim. Sem saúde a vida emperra, o amor murcha, as guerras esfumam-se, os planos ficam em páginas em branco. 

A vida tem sido muito generosa comigo, a saúde tem-me agraciado com afáveis dias. Bons sorrisos. Procuro espremer o meu tempo ao essencial. O meu essencial é saúde, amor, paz e trabalho. Por esta ordem, precisamente, sem tirar nem por. Esta é a minha lista de felicidade. Não preciso me confrontar mais com o que a privação de ter um corpo saudável provoca na vida; por isso deixei de ter tantos problemas, e de combater qualquer expectativa e ansiedade, só pelo simples facto de estar a conseguir reduzir a minha vida ao que defini como essencial. E sorrir, sorrir de dentro para fora.

Saúde, desejo-vos muita saúde


Hélder

segunda-feira, outubro 14, 2019

Sobre a vida




A vida não é leve.
É intensa
Analítica
Indefinida.
Na verdade, a vida também é suave.
Branda
Transparente
Fresca.
A vida, é mutante.
Nós somos inconstantes.
Progredimos
Regredimos.
Somos o melhor rosto que a vida conseguiu.
E sabemos que nem sempre conseguimos o melhor que queremos.

HR

terça-feira, outubro 08, 2019

DESPIDO DE SOLTEIRO

Não é gralha no título. É mesmo despir, tirar a roupa, nuzinho da silva. E quero com isto chegar às despedidas de solteiro. Admito, o despir era só uma tentativa de chamar a atenção e de ser provocante para o que acontece nestas noites de adeus ao solteiro. Por muito que me tentem explicar, não consigo perceber, e sou quase tão intolerante como à lactose. Pensem comigo. Um casamento é uma coisa boa, para quem o quer. Certo? A vida antes do casamento também não será um inferno; pois posto este cenário, qual é o sentido da despedida? Mas vai o noivo e a noiva para uma vida assim tão horrível que exija uma despedida para um nunca mais voltar? Pois que não se casem. 

De grosso modo, a malta junta-se para fazer numa noite, ou em várias, o que se faz em toda uma vida de solteiro, estoura os cartuchos todos, pois a arma nunca mais se vai carregar. 
Despem-se de preconceitos, bebe-se bastante, e aqui vai o noivo e a noiva, com respectivas comitivas, serem malucos e marotos, porque depois do casamento vestem-se de gente séria e não há cá borgas para ninguém. Eu, até acho que este comportamento remontará a algures numa história bastante arcaica. E levante a mão quem, em nenhum momento do casamento estonteante, não pensa: é pá, já chegava, não? Estou farto do fato, os sapatos são apertados, ... bem me parecia que este vestido era pequeno para mim! Vamos comer o bolo e seguimos para casa, porque eles querem estar sozinhos. Não?

Mais engraçado ainda é que depois da despedida louca de solteiro há a grandiosa festa do casamento.  Onde toda a gente está vestida de gala, porque a ocasião o dita, e porque os noivos vão entrar numa vida a dois, coisa nunca antes experimentada. Então em que ficamos? Ou será também o casamento uma continuação da despedida de solteiro, mas sem stripers, gritos e cenas maradas ( linguarejar cool) ? Ou o casamento, por ser uma festa maior, vem dizer que afinal de contas a despedida de solteiro era só o aperitivo da grandiosa festa que será o casamento e todo o seu fogo de artifício? E já agora, sem os artifícios da outra festa, a de solteiro. Não sei, nem a mim me convence a teoria. 

Eu não acho que o casamento exija despedida de nada, e mesmo o dia de casamento não me parece um momento de tanta gala, croquete, fotografia, vídeos e mais de mil ideias que na verdade alimentam a máquina monetária do matrimónio. E quantos noivos saem falidos para o recomeço de uma vida a dois que já vai nascer torta e endividada. É tudo um excesso, quando o que importa mesmo é a celebração do amor, entre os dois e que em casa a vida deles seja uma festa, solene, serena, digna e harmoniosa. Acreditem, para isto não é preciso tanto planeamento. Tudo o resto são brilhantinas que se colocam para disfarçar os nervos e outros receios. Bom, bom, é fazer festa todos os dias, e sem tanto alarido!

quinta-feira, setembro 26, 2019

60 anos de amor?



Ora viva

Há dias parei para falar com um casal de vizinhos. Ele 83. Ela 91. Casados há 65 anos. Passeiam-se de mão dada. Gostam de ir juntos ao café e passearem-se, sem tempo, pelas ruas onde sempre se fizeram.

De que falarão? Como se amarão? Em conversa, descobri que falam deles, das flores que esperam nascer, do cão que tem de se vacinar, dos planos para o jantar. Descobri que se riem um do outro habitados na sua velhice. E o amor? O amor é isto, Sr Hélder. O amor é o tempo dos dias. Disse-me ele.

Deram as mãos e foram ao seu tempo, eu já lhes tinha roubado minutos que chegue. Deve ser isso, o amor dos 60 anos gosta de flores e fruta da época. Gosta de passeios lentos e mãos dadas. Não gosta de muitas perguntas por segredos e conversa fiada. Gosta de sorrir mais do que cara séria, deve ser isto a reconciliação.

Não sei nada do futuro. Provavelmente não será muito mais interessante do que comer só a fruta da época. Porque amanhã o tempo a pode estragar, tal como  pode arruinar os meus meticulosos planos para o futuro.


  • Até amanhã 

segunda-feira, setembro 16, 2019

REJUVENESCER AOS MEUS 44





Aos 44 anos decidi rejuvenescer-me. Sem cirurgias, sem aditivos, corantes nem conservantes. Decidi comer mais verdes do que carnes e peixes, escolhi os desportos que os meus médicos dizem ser os que o meu corpo gosta. Comecei a meditar. Aprendi a gostar de dormir. Cultivei o gostar de não fazer nada. Faço massagens terapêuticas regularmente. Como mais biológico. E em casa o açúcar desapareceu. Deixei de amamentar o stress. Proponho-me a experimentar o que nunca fiz.

Estas são as coisas de mim para mim. Aconteceu um sem número de outras coisas fora de mim, sobre as quais tive grande influência. Mas resume-se a não cultivar a expectativa. O que é ótimo para uma harmonia física, mental e emocional.

Acredito estar a meio da minha vida, e é o tempo certo para decidir ter mais tempo para mim. O meu mestre espiritual ensinou a minha mente e corpo a serem a base e o topo da minha pirâmide existencial, de modo a que tudo o resto funcione na perfeição.
Em breve mostrarei os resultados, os mais visíveis, claro.
Um abraço, e muita saúde. A vida é a mais excitante e estrondosa viagem que faremos.

Hélder

quarta-feira, julho 31, 2019

DESCONFIA DOS AMIGOS DE TODA A GENTE







Desconfia sempre de quem é amigo de toda a gente. Estas são das palavras mais marcantes que ouvi da boca da minha avó. Demorei a perceber-lhe o sentido, é natural, era muito miúdo, e precisamos de tempo para o entendimento. A história da humanidade revela-nos nomes de gente grandiosa e que, por acreditar em causas e ideologias, nunca foi amigo de toda a gente, bem pelo contrário. Luther King, Gandhi, Madre Teresa, Jesus, Dandara dos Palmares, Confúcio, Nelson Mandela, Simone de Beauvoir, Wangari Muta Maathai, Florence NightingalePessoas que mudaram o mundo, … e o que tem a ver connosco? Tudo.

 Não mudamos o mundo, mas mudamos a nossa circunstância, e por ventura a realidade que nos acolhe. Estatisticamente, um homem consegue reunir 6 amigos ao longo da vida. Vamos espremer a amizade, como limões, e o que vai ficar serão os tais 6, ou menos. Porque há limões que são só casca e outros que apodrecem. Não sou eu quem diz, mas… confirmo.
Não há mal nenhum em desconfiar. Não há mal algum é confiar. Mas torna-se um problema quando o confiar desmerece-se. Não se vive no céu e no inferno. Não se ama quem nos apodrece. A perfeição vive longe da humanidade. A inconveniência é um outro rosto da verdade e que, "impossivelmente", é conciliável com toda a gente. 

Os amigos de toda a gente, rapidamente se transformam em amigos de ninguém. É gente que não dá ponto sem nó. Quando? Na hora da verdade.

Sim, eu já fui um dos amigos de toda a gente. Aprendemos com os nossos piores erros e as nossas maiores dores para o caminho da felicidade.

Até breve

HR