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sábado, março 01, 2025

O SILÊNCIO NÃO TEM RELIGIÃO

 

Nos 12 anos que tive de seminário estudei, muito, 6 anos na universidade católica onde a Teologia me deu a história universal, a história de arte, a lógica, antropologia, sociologia, filosofia, história das religiões, análise do eu e o maiores pensadores e filósofos do mundo, Aristóteles, Kant, Descartes, Hegel, Hume, Sartre, Ortega Y Gasset. Cresci a lê-los.

 Não podemos falar de interioridade, contemplação, meditação, sem estudar os clássicos, e ler os contemporâneos só me faz pensar na genialidade dos clássicos e nos lugares comuns de alguns dos atuais. E tudo isto leva-me ao silêncio. No seminário fazia 8 dias de silêncio absoluto por ano, sem religião, ou com, conforme a nossa vontade. Não havia conversa nas refeições, nas caminhadas, NADA, e o silêncio. No silêncio levava todos os nomes que estudava e com eles a profunda reflexão sobre o ser, a humanidade, e a interioridade. Ou então estava calado dentro de mim. 12 anos desta prática. No final... o meu caminho era ainda longo.

Hoje? Parece que a estrada é ainda mais longa... Estes dias saí de casa para um retiro de 3 dias de silêncio. Numa casa de silêncio e longos jardins, uma casa que não é um negócio. O objetivo... limpar-me com silêncio, e provavelmente um ou outro filósofo clássico, ou nada. O nada é um bom mergulho no tudo.


Recomendo. CALEM-SE UM BOCADINHO, POR FAVOR.


Abraços

Hélder

domingo, novembro 29, 2015

MUITA CONVERSA

Ora viva


Globalmente as pessoas falam muito. Eu falo muito, nos dias de hoje. Contrario-me, mas falo. Portanto, as pessoas ouvem pouco. Sempre fui uma pessoa na linha das pessoas caladas, e virei apresentador, o tipo que fala. Falar para televisão, não é falar socialmente. Estas minhas palavras refletem sobre as conversas sociais, entre amigos, a família, conhecidos, trabalho. Eu gosto de gente sintética, intensa e sintética. 

Podemos ser objetivos sobre qualquer assunto sem dar a volta o mundo para voltar ao mesmo dito assunto. Ser rápido na conversa, não tem de ser atabalhoado, a despachar. Nada disso. Ser rápido na conversa incentiva a atenção do nosso ouvinte. Óbvio, ninguém tem paciência para quem usa os verbos e adjetivos de todo o dicionário para falar de uma ida à mercearia.


Há também os que falam muito e de tudo. Não. Silêncio. Por favor. Um pouco de silêncio que nos ensine a ouvir. Calados também estamos bem. Nem tudo precisa da nossa opinião. Silêncio, porque se pode cantar o fado, a qualquer instante.

abraço

quinta-feira, setembro 24, 2015

A MINHA VARANDA

Ora viva

Da minha varanda vejo o mundo. Hoje, a meio da tarde, estava saturado de ideias, confusões do dia, leituras…enfim, precisava de ar. Fui até à minha varanda, fechei os olhos, desliguei-me. Consegui ouvir os sinos de uma Igreja que nem sabia haver perto, um avião, o mar, os pássaros no adeus do Verão, a rua, o silêncio. Ouvi isto tudo, e deixei de ouvir as minhas confusões que me torravam o cérebro. 

Pensar é um movimento tramado. Exige tudo de nós. Depois precisamos de varandas que nos levem para outro lado da nossa vida, onde até pode haver silêncio e outras coisas que nos fazem falta. Haja uma varanda que nos aproxime de tudo o que é realmente importante.

 Qual é a vossa varanda?

abraço