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terça-feira, maio 06, 2014

O OLHAR

Ora viva


Olho para ti. Para os teus lábios. O teu peito. Imagino o lugar por onde andam os teus pés. O que trazes   nos sacos, que música estás a ouvir, que livro carregas nas mãos. Gosto de te ver. Não a ti em exclusivo,  gosto de ver gente, pessoas que olhem a vida de modo curioso. Gosto de mãos e olhos, gosto de adivinhar para onde vão,  de onde vêm,  o que levam e aquilo que ainda vão levar.

 Hoje caíste-me tu na vista, enquanto fazia a minha viagem, centrado na minha vida, quando a tua se cruzou com a minha. E pronto,   ficamos ligados  por breves minutos, eu mais ligado a ti, que tu a mim, receio que nem deste por mim.   Eu, por outro lado, agarrei-me a ti, bebi a tua serenidade, irreverência limpa, roupa honesta. 

Sem te saber apercebi-me dos teus sonhos e da garra na gana. Saíste do comboio primeiro que eu, fiquei mais uns minutos a contemplar a tua ausência e o que em mim ficou de ti, mesmo sem te conhecer, mesmo sem saber o teu nome.

até amanhã
hélder

quarta-feira, julho 04, 2012

OLHAR INVASOR?

ORA VIVA

Olhar. Gosto particularmente. Parar num café e olhar parado. Eu sei...perturba. Também não gosto que me olhem, pausadamente. Não o faço para invadir, faço-o para imaginar a intensidade das coisas que vivo mas na cabeça dos outros. Tomar café. Gosto da chávena fria e do café não muito quente. Bebê-lo de manhã cedo, desperta-me, enquanto tomo o café penso no dia que vou ter e quantos precisarei de tomar para que o dia tenha o ritmo a que o café me chama. E a mulher que está à minha frente e olha para a chávena...pensará no seu dia, no dia de ontem, no tempo de amanhã?

Supermercado. O que levam e porque levam aquelas coisas, e não outras? Quando era miúdo adorava arrumar as compras com a minha mãe; o arroz no sítio do arroz, as bolachas na segunda prateleira, a farinha, os sumos para um dia de festa. E os outros? Quem arruma? onde? Sozinhos ou brincam com os filhos aos supermercados, como eu fazia em miúdo?!

Banalidades. Pensar naquilo que outros pensariam, se fossem os outros a fazer aquilo que faço das coisas simples...o que fariam os outros? Porque é aos outros que pertence o direito de fazer o que fazem como querem fazer, com a ritualidade que devem fazer. E eu vou-me permitindo invadir, sem beliscar, o mundo das coisas simples feitas por gente que gosto de adivinhar as histórias que têm.

Enfim....

Até amanhã!

Hélder