Olho para ti. Para os teus lábios. O teu
peito. Imagino o lugar por onde andam os teus pés. O que trazes nos sacos, que música estás a ouvir, que
livro carregas nas mãos. Gosto de te ver. Não a ti em exclusivo, gosto de ver gente, pessoas que olhem a vida
de modo curioso. Gosto de mãos e olhos, gosto de adivinhar para onde vão, de onde vêm,
o que levam e aquilo que ainda vão levar.
Hoje caíste-me tu na
vista, enquanto fazia a minha
viagem, centrado na minha vida, quando a tua se cruzou com a minha. E
pronto, ficamos ligados por breves minutos, eu mais ligado a ti, que
tu a mim, receio que nem deste por mim. Eu, por outro lado, agarrei-me a ti, bebi a tua serenidade, irreverência
limpa, roupa honesta.
Sem te saber apercebi-me dos teus sonhos e da garra na
gana. Saíste do comboio primeiro que eu, fiquei mais uns minutos a contemplar a tua ausência e o
que em mim ficou de ti, mesmo sem te conhecer, mesmo sem saber o teu nome.
até amanhã
hélder