quarta-feira, julho 04, 2012

OLHAR INVASOR?

ORA VIVA

Olhar. Gosto particularmente. Parar num café e olhar parado. Eu sei...perturba. Também não gosto que me olhem, pausadamente. Não o faço para invadir, faço-o para imaginar a intensidade das coisas que vivo mas na cabeça dos outros. Tomar café. Gosto da chávena fria e do café não muito quente. Bebê-lo de manhã cedo, desperta-me, enquanto tomo o café penso no dia que vou ter e quantos precisarei de tomar para que o dia tenha o ritmo a que o café me chama. E a mulher que está à minha frente e olha para a chávena...pensará no seu dia, no dia de ontem, no tempo de amanhã?

Supermercado. O que levam e porque levam aquelas coisas, e não outras? Quando era miúdo adorava arrumar as compras com a minha mãe; o arroz no sítio do arroz, as bolachas na segunda prateleira, a farinha, os sumos para um dia de festa. E os outros? Quem arruma? onde? Sozinhos ou brincam com os filhos aos supermercados, como eu fazia em miúdo?!

Banalidades. Pensar naquilo que outros pensariam, se fossem os outros a fazer aquilo que faço das coisas simples...o que fariam os outros? Porque é aos outros que pertence o direito de fazer o que fazem como querem fazer, com a ritualidade que devem fazer. E eu vou-me permitindo invadir, sem beliscar, o mundo das coisas simples feitas por gente que gosto de adivinhar as histórias que têm.

Enfim....

Até amanhã!

Hélder

5 comentários:

Lálá disse...

Que lindooo...:) eu também faço isso muitas vezes...sempre fiz...:) Escreves mesmo bem...! Adoro ler-te :) Continua a deliciar quem gosta de ti, com o que escreves...Bjs

Transmontana disse...

Como se pode ser tão simples e tão profundo?...

Amo-o tanto que não consigo encontrar-lhe defeitos! (Tenho 70 anos, esclareça-se...)

Tenha um fim de semana feliz!

Anita

disse...

"A curiosidade é maiss importante que o conhecimento" já nos dizia ALbert Einstein, pois é ela que nos move...

Obrigado

Beijos curiosos O;DD

Alexandre Evaristo disse...

São os olhos que dizem o que o coração sente...

Anónimo disse...

E quando de repente se muda de rotina, de cidade, de país? Volta-se a pensar no que os outros pensam. Como vivem o que eu vivo? O que pensam ao pisar a mesma carruagem do metro? Até a chávena já mudou, já não é o mesmo café. Eu sempre gostei de observar. Mais do que falar.. porque o silêncio ajuda. É bom perceber antes de tentar deduzir. Mas as certezas dos outros são difíceis de alcançar. As certezas… e as ideias. Não procuro adivinhar, procuro simplesmente ideias com as quais me possa identificar. Com o resto não perco tempo. O caminho, por isso, percebo que continuará a ser longo. Porque as ideias não se apagam mesmo com a distância.
Um grande abraço. Cá irei sempre passando. A82