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segunda-feira, abril 01, 2013

GOSTO DE ANÓNIMOS


Ora Viva

Sou apresentador de televisão há 10 anos. Já percorri o país inteiro, ilhas inteiras. Diariamente! Por semana entrevisto dezenas de pessoas, geralmente anónimas, extraordinárias. Tanta gente que no peso do anonimato, porque ao ser-se figura pública tem-se uma vida mais leve em muita coisa, faz tanto por um mundo que é constantemente melhor e não sabemos por mão de quem…eu sei, graças aos anónimos, que fazem, dão, lutam, perdoam, inventam, recriam-se, e voltam a dar. Sem fotografias ou capas de jornais. O retorno? Muitas vezes é essencialmente o bem comum. Não sou um homem muito dado ao social, ao glamour, reconheço. Mas sou um homem dado a gente que faz das tripas coração para levar a vida para a frente, e ou vai ou racha. Quanto mais conheço esta gente que a maioria dos portugueses ignora e eu tenho o privilégio de entrevistar, mais me fascino pelas pessoas que não têm exposição pública. São porque são, fazem porque fazem! Gente valente e brava. Amanhã, talvez, entrevisto-o a si, que me está a ler! Quem sabe…terei essa sorte!

Hélder Reis

quinta-feira, setembro 17, 2009

NÃO SOU FIGURA PÚBLICA

Ora viva

Encaro o meu trabalho exactamente como tal TRABALHO. A par da felicidade que sinto em comunicar, do privilégio de trabalhar no programa, no canal e com as pessoas que trabalho. Mas é trabalho. Apesar da minha actividade profissional me possibilitar conhecer país e mundo, pessoas e multidões, artes e histórias, é o meu trabalho.

Trabalhar é exercitar continuamente a nossa humildade de aprender, de cumprir o desafio de fazer melhor, de desafiar a capacidade de saber perder, e de se dedicar convictamente ao objectivo do trabalho.

É claro que me sinto um homem profundamente realizado, naquele que é o meu trabalho. Comunicar.

Por todas estas razões não me considero uma figura pública, mas sim uma pessoa com um trabalho de exposição pública. Percebem que são coisas muito diferentes!?!

Há dias, numa das minhas reportagens, disse que engraçava com os postais das terras. Conduzem a nossa memória pelos sítios por onde passamos e provocam-nos para a escrita. Sabe bem receber um postal de férias... Bom, estava eu a reportar, e no meio da conversa....lá disse: adoro postais. Dias passados e recebo na RTP uma encomenda com a colecção de 600 postais, assinado: D. Maria.

É claro que liguei à senhora, não poderia ficar com aquelas imagens da memória. Resposta do outro lado: vi no senhor Hélder a pessoa indicada para guardar este meu tesouro.

Num jantar solidário para quem não tem família, nem paredes , a D. Rosa agarrou-me na mão e disse: obrigado senhor Hélder, por permitir que eu fale consigo, é um dia muito feliz para mim.

É por estas generosidade que eu trabalho, e é por esta razão que eu não sou, nem posso ser, figura pública. Sou uma pessoa, com trabalho público, que comunica, e gosta de o fazer com a crença de que está a fazer bem a alguém.


Até já.

Hélder