Pergunto-me muitas vezes: o que
posso fazer pelo mundo? Não sei.
Nem sei se as pequenas coisas ajudam a coisa
no todo. Faço-me entender? É fácil constatar que a terra que nos dá lar não
anda bem. Todos os dias, no meu dia-a-dia, encontro situações tão desesperantes,
tão delicadas, tristes e que me apertam por dentro. E não consigo fazer nada.
Ou por vezes até consigo, mas uns tempos depois constato que não resolveu. É uma
espécie de incapacidade. Incapacidade de fazer alguma coisa realmente
significativa, e que possa mudar. Conheço tanta gente inspiradora. Gente que se
dá pelos outros, e muda, muda a vida de quem está mal. Isto é maravilhoso.
Intenso. Desafiante. É mais que voluntariado, mais que um donativo, mais que dar
a mão. Trata-se de dar o tempo, a vida, a voz, o pensamento, as ideias, os
objectivos, o dinheiro, as rotinas. DAR. Sim, eu conheço gente assim, e que se
recusa à entrevista e à fotografia.
E sinto-me pequeno. Muito pequeno. Sem
resposta para a pergunta de início. É tudo maior que eu.
Até amanhã
Hélder