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domingo, agosto 24, 2014

Viajar e Regressar

Ora Viva

Gosto muito de viajar. É um prazer e um investimento na minha cultura. Não há livro que substitua uma viagem. Considero-me um homem já com algumas grandes viagens feitas. Curiosamente, cada vez que faço uma incursão, já preparo a próxima. Não há nada melhor do que preparar uma viagem enquanto se está a viajar. Parece um movimento contínuo e intrínseco à minha rotina.

O mundo é, efectivamente, muito grande. Já me apercebi que não viverei o suficiente para todas as viagens que quero fazer, vou tentar acreditar que uma nova vida me dará o resto do tempo.

A par de viajar, gosto de regressar a casa. Mas gosto muito. O cheiro das minhas coisas faz-me falta. Em cada objeto estão as pessoas que amo, só elas vão e habitam o meu lar. Sabe-me bem entrar nas minhas paredes, no fim de uma viagem, abrir a porta e ainda com as malas na mão inspirar a minha casa. Encher os pulmões com o ar e a luz do sítio onde vivo, e matar saudades cá por dentro.

Entendo que viajar é tão bom como regessar. Em cada regresso nasce a vontade de uma nova viagem, certamente porque tenho um lugar para onde voltar e que tanto amo, a minha casa!
Até amanhã

domingo, maio 13, 2012

A CASA

Ora viva

Lembras-te da casa onde nasceste e te fizeste..e desfizeste daquilo que não querias ser? Lembras-te das tardes de sol, dos lanches apressados porque a vida era uma brincadeira de levar a sério? O jardim bem arrumado, as escadas quentes do sol...à espera de ti para as desceres e subires vezes sem conta. Nem pensavas...para onde me levam as escadas?

E as portas, as janelas, a chaminé, tudo o que nos nossos desenhos ganhavam uma espécie de vida com olhos e boca, e era a nossa casa. E o cheiro!? Da cozinha no Natal? Dos almoços de domingo, melhorados por ser dia solene. E lá permanecia a casa...a ver o tempo passar e nós nem pensávamos que o tempo passava para outra coisa que não fosse a brincadeira que se seguisse, e o tempo passa da luz para as sombras, da morte para a vida, da vida para outra coisa chamada saudade e que tem uma insaciável fome.

E quando cresces e vês esta casa envelhecida, com o tempo a fazer das suas. As coisas lá estão, paradas e pousadas. Carregadas de sombras e de memórias. Malditas e benditas memórias sejam vós! Agora somos nós que vemos a casa, desejosa que o tempo regresse aos almoços de domingo. E tudo vai longe. E o longe não volta. E nunca nos disseram isto enquanto perdíamos horas a brincar com o tempo, o mesmo que um dia nos faria falta à juventude.

E como havemos lidar com esta dor do fim e do perto do fim. Do adeus e do quase adeus. Arranha-nos, não os joelhos das brincadeiras, mas a alma, porque agora somos gente séria de alma dolente e madura, e gente de poucas brincadeiras. Tem de ser. Tem que ser. Tenho de Ser.Eu e a casa. A que fica e a que não volta.

Até breve

Hélder