Ora viva
Quando o dia termina, olho para o princípio... e avalio. Geralmente aquilo que fiz, a quantidade, depois a qualidade, e por fim o que não devia ter feito.
Hoje. Acaba o dia e sinto que não fiz nada. Dormi. Muito. Não gosto de dormir, amuo ao ir para a cama. Mas preciso de dormir e não vale a pena muita história. Mas a verdade é que não fiz nada. Não li, não observei, não escrevi. Nada.
Apesar deste nada, a vida continua a sua ordem natural de afazeres. A noite vem, o dia vai, o vento marca presença, a chuva dá o seu ar de graça, ou desgraça, a respiração toca o compasso. Tudo anda, menos eu. Perdi um dia e nada. Nem dei nada ao mundo, nem deixei que o mundo me desse nada. Caramba, isto não pode voltar a acontecer. A não ser que o próximo domingo seja de chuva e vento... Lá está...vou cair no mesmo. Ou não!
Abraços
Hélder
Um sítio onde se encontram palavras que encontraram outros sítios, pessoas e histórias.
domingo, fevereiro 17, 2013
quarta-feira, fevereiro 13, 2013
Preparativos
Ora Viva
Sempre gostei do antes. Antes das férias, fazer a mala, preparar os bilhetes, escolher a roupa e definir roteiros. Antes de me deitar, a agenda do dia seguinte, a preparação do trabalho, o arrumar as ideias e saber que tenho um novo dia para recomeçar. Sabe bem a preparação.
Mas das preparações que mais gosto, aquela que é Aquela, é o tempo que antecede a primavera, aquele mês antes, está quase... Março até pode ser ainda frio e com gripe, mas já é primavera. Preparo os vasos para receber as novas plantas, as árvores vestem-se de roupa nova, e eu preparo a roupa fresca de sabor a mar e esplanadas. Antecipo um tempo onde a força do nascer me inspira profundamente.
Quando era miúdo dizia que gostava de ser uma árvore, deve ser daqui que vem esta paixão pela estação que anuncia bons dias de luz!
Abraços
Hélder
Sempre gostei do antes. Antes das férias, fazer a mala, preparar os bilhetes, escolher a roupa e definir roteiros. Antes de me deitar, a agenda do dia seguinte, a preparação do trabalho, o arrumar as ideias e saber que tenho um novo dia para recomeçar. Sabe bem a preparação.
Mas das preparações que mais gosto, aquela que é Aquela, é o tempo que antecede a primavera, aquele mês antes, está quase... Março até pode ser ainda frio e com gripe, mas já é primavera. Preparo os vasos para receber as novas plantas, as árvores vestem-se de roupa nova, e eu preparo a roupa fresca de sabor a mar e esplanadas. Antecipo um tempo onde a força do nascer me inspira profundamente.
Quando era miúdo dizia que gostava de ser uma árvore, deve ser daqui que vem esta paixão pela estação que anuncia bons dias de luz!
Abraços
Hélder
quarta-feira, dezembro 19, 2012
Natal
ora viva...
Já não sei se gosto do Natal....ou se o Natal fez com que deixasse de gostar dele. é tanto barulho à volta de um nascimento...que acabamos por nem conseguir ver o menino nascido.
Sou católico. Mas estou a caminho de perder o sentido natalício. Culpa minha. Tudo o que não se alimenta...morre. Mas caramba são tantas luzes que me cegam...ou não?
Moral da história....todos os anos ando à procura do Natal...e fico pelo caminho,e este ano não fujo a esta regra que eu criei para mim. Enfim...ainda este não passou e já digo para mim: Para o ano é que vai ser....
até já
Já não sei se gosto do Natal....ou se o Natal fez com que deixasse de gostar dele. é tanto barulho à volta de um nascimento...que acabamos por nem conseguir ver o menino nascido.
Sou católico. Mas estou a caminho de perder o sentido natalício. Culpa minha. Tudo o que não se alimenta...morre. Mas caramba são tantas luzes que me cegam...ou não?
Moral da história....todos os anos ando à procura do Natal...e fico pelo caminho,e este ano não fujo a esta regra que eu criei para mim. Enfim...ainda este não passou e já digo para mim: Para o ano é que vai ser....
até já
terça-feira, outubro 23, 2012
Regresso
Fui ver-te. Procurar-te, como faço sempre, no teu passado. Vi-te numa alma presa ao corpo. Sim...como numa caverna. Sim...como uma sombra. Sim...mas sem alegorias. Presa naquilo que não se percebe do tempo.
Pendurada na janela a olhar para a própria vida, rendida pela força do futuro. Dilema da batalha que poderia existir entre passado e futuro. Nem sempre a história nos importa, quando está em jogo aquilo que fomos e não voltaremos a ser...
É...a vida tira-nos a força das pernas interiores. As mesmas que na meninice nos levaram entre sonhos e travessuras, agora recusam-se a inoportunos regressos.
Procuro-te, na esperança de encontrar a minha infância e a ti nela... Não encontro, mas regressarei a ti constantemente.
teu,
Hélder
terça-feira, setembro 25, 2012
VIDA
Ora Viva
Hoje entrevistei uma senhora que me ensinou Vida...não me disse a idade..mas tinha a idade que o tempo dá a quem quer dar e receber muito.
Sabes o que queres da vida e para que queres a vida? Quando o teu caminho se encurta e atrapalha, não te espantes, haverá outro ao virar da curva. E andamos nós, na velocidade da vida, a soprar balões para que o nosso ar veja o céu e assim pensamos que o céu já conquistamos. Enganados andamos. Caramba....custa acordar e fazer do dia uma matéria proveitosa e interessante. Dá trabalho fazer bem feito. Quer seja a vida quer seja uma coisa qualquer. Enquanto corremos pela estrada que pode acabar....vamos fazendo a malha da vida...bem ou mal feita, mas tem de ser feita. Seria sempre bom que fosse bem feita...mas o que sabemos nós do perfeito? O que sabemos nós da vida?
Duvidar é bom....faz-nos pensar. Pensar custa, mói as ideias...faz bem...mas dá trabalho ao sangue e aos músculos da alma. Seguimos caminho...com balões na mão, não vá haver festa e a festa tem de ter balões. Avançamos e paramos e se nos enganarmos recomeçamos, neste caminho ou no outro que se segue. Mas de olhos no ar e pés na terra, porque o homem não foi feito para voar.
até já.
Hoje entrevistei uma senhora que me ensinou Vida...não me disse a idade..mas tinha a idade que o tempo dá a quem quer dar e receber muito.
Sabes o que queres da vida e para que queres a vida? Quando o teu caminho se encurta e atrapalha, não te espantes, haverá outro ao virar da curva. E andamos nós, na velocidade da vida, a soprar balões para que o nosso ar veja o céu e assim pensamos que o céu já conquistamos. Enganados andamos. Caramba....custa acordar e fazer do dia uma matéria proveitosa e interessante. Dá trabalho fazer bem feito. Quer seja a vida quer seja uma coisa qualquer. Enquanto corremos pela estrada que pode acabar....vamos fazendo a malha da vida...bem ou mal feita, mas tem de ser feita. Seria sempre bom que fosse bem feita...mas o que sabemos nós do perfeito? O que sabemos nós da vida?
Duvidar é bom....faz-nos pensar. Pensar custa, mói as ideias...faz bem...mas dá trabalho ao sangue e aos músculos da alma. Seguimos caminho...com balões na mão, não vá haver festa e a festa tem de ter balões. Avançamos e paramos e se nos enganarmos recomeçamos, neste caminho ou no outro que se segue. Mas de olhos no ar e pés na terra, porque o homem não foi feito para voar.
até já.
quinta-feira, setembro 20, 2012
CANSADO?
Ora Viva
O meu trabalho não me permite estar cansado, desapontado, aborrecido. Sorrir, concentrado, ativo, dinâmico, criativo: obrigações diárias.
Mas há dias em que custa, ser o que não nos apetece ser. Baixar os braço e dizer.: hoje não consigo. Tenho alguns dias assim. O que faço?
Penso no quanto gosto daquilo que faço. Penso na responsabilidade que é passar uma mensagem. Na sorte que tenho em poder trabalhar e ter uma vida que posso gerir. Posto isto não dou tempo à tristeza. Ninguém a merece, ela não nos alimenta nem nos torna mais fortes.
Para que serve este texto? Para dizer que nem sempre a vida me sorri. Nada de especial..
Até já.
Hélder
O meu trabalho não me permite estar cansado, desapontado, aborrecido. Sorrir, concentrado, ativo, dinâmico, criativo: obrigações diárias.
Mas há dias em que custa, ser o que não nos apetece ser. Baixar os braço e dizer.: hoje não consigo. Tenho alguns dias assim. O que faço?
Penso no quanto gosto daquilo que faço. Penso na responsabilidade que é passar uma mensagem. Na sorte que tenho em poder trabalhar e ter uma vida que posso gerir. Posto isto não dou tempo à tristeza. Ninguém a merece, ela não nos alimenta nem nos torna mais fortes.
Para que serve este texto? Para dizer que nem sempre a vida me sorri. Nada de especial..
Até já.
Hélder
segunda-feira, agosto 27, 2012
PORTUGAL PORTUGAL
Ora Viva
Gosto do Jorge Palma. Muito. Mas ainda mais quando ouço...Portugal Portugal de que és que estás à espera?
Já não gosto tanto de esperar como gosto do Jorge Palma. Eu sei o que dizem as vozes de quem tem a sabedoria do tempo: esperar é uma virtude...pois é, deve ser, mas prefiro arriscar, levantar-me, ir, fazer enquanto espero e quando chegar está feito...e isto serve para tudo.
Ter um país à espera, é o que às vezes sinto de Portugal. Conquistamos mundo, descobrimos, ensinamos, fomos pioneiros e somos marinheiros e inventores, pastores e cientistas, mineiros e cantores, doutos e agricultores, arquitetos, atores, cineatas, diretores, construtores, professores, atletas, médicos e pescadores. Em tantas destas artes e ofícios somos referência...e estamos à espera, ou parece que estamos, de quê, de quem?
Eu estou cansado de esperar. O que isto significa? Pois terão de esperar para ver...ironia do texto!
abraços e beijos
Hélder Reis
Gosto do Jorge Palma. Muito. Mas ainda mais quando ouço...Portugal Portugal de que és que estás à espera?
Já não gosto tanto de esperar como gosto do Jorge Palma. Eu sei o que dizem as vozes de quem tem a sabedoria do tempo: esperar é uma virtude...pois é, deve ser, mas prefiro arriscar, levantar-me, ir, fazer enquanto espero e quando chegar está feito...e isto serve para tudo.
Ter um país à espera, é o que às vezes sinto de Portugal. Conquistamos mundo, descobrimos, ensinamos, fomos pioneiros e somos marinheiros e inventores, pastores e cientistas, mineiros e cantores, doutos e agricultores, arquitetos, atores, cineatas, diretores, construtores, professores, atletas, médicos e pescadores. Em tantas destas artes e ofícios somos referência...e estamos à espera, ou parece que estamos, de quê, de quem?
Eu estou cansado de esperar. O que isto significa? Pois terão de esperar para ver...ironia do texto!
abraços e beijos
Hélder Reis
sexta-feira, agosto 10, 2012
COMO É QUE SE FAZ?
Ora Viva
ISTO NÃO É UM LAMENTO.
Tenho 37 anos e constantemente não sei como se faz. Não sei fazer um bom arroz de forno. Nunca sei dar a ferro uma camisa. Não sei fazer a papelada do IRS. Não sei quando se plantam as alfaces. Não sei mudar uma fralda. Não sei fazer contas de cabeça. Não sei podar uma árvore. Não sei escrever romances. Não sei representar. Não sei se o copo na mesa é do lado direito ou esquerdo. Não sei o que se faz quando uma pessoa que não conheço bem desata a chorar....Ia por aí fora....
Não temos que saber tudo. Ainda bem. Eu não sei nada, acho que é do convívio com quem sabe muito. Melhor, sei bastantes coisas, mas deparo-me muitas vezes com coisas que não sei. E agora?
Há vantagens em não saber. Claro. O querer saber mais. Mas mais tarde ou mais cedo outra coisa vai surgir que não sei, e até devia saber, e pronto fico na mesma.
Por exemplo, entrar numa livraria....a quantidade de livros que nem lhe conheço o nome...e devia...e não sei. E agora? Será que há aquela altura em que saberei tudo, ou mais de tudo? Ou, sem a ignorância atrevida, serei sempre o tipo que não sabe...e pronto. E isto..será defeito ou feitio...esta coisa do não saber?
Confesso, às vezes gosto e prefiro não saber. A curiosidade leva-me para tantos outros lados...e aqui é feitio.
Enfim.
Se tiverem respostas...façam o favor.
Abraços
Hélder
ISTO NÃO É UM LAMENTO.
Tenho 37 anos e constantemente não sei como se faz. Não sei fazer um bom arroz de forno. Nunca sei dar a ferro uma camisa. Não sei fazer a papelada do IRS. Não sei quando se plantam as alfaces. Não sei mudar uma fralda. Não sei fazer contas de cabeça. Não sei podar uma árvore. Não sei escrever romances. Não sei representar. Não sei se o copo na mesa é do lado direito ou esquerdo. Não sei o que se faz quando uma pessoa que não conheço bem desata a chorar....Ia por aí fora....
Não temos que saber tudo. Ainda bem. Eu não sei nada, acho que é do convívio com quem sabe muito. Melhor, sei bastantes coisas, mas deparo-me muitas vezes com coisas que não sei. E agora?
Há vantagens em não saber. Claro. O querer saber mais. Mas mais tarde ou mais cedo outra coisa vai surgir que não sei, e até devia saber, e pronto fico na mesma.
Por exemplo, entrar numa livraria....a quantidade de livros que nem lhe conheço o nome...e devia...e não sei. E agora? Será que há aquela altura em que saberei tudo, ou mais de tudo? Ou, sem a ignorância atrevida, serei sempre o tipo que não sabe...e pronto. E isto..será defeito ou feitio...esta coisa do não saber?
Confesso, às vezes gosto e prefiro não saber. A curiosidade leva-me para tantos outros lados...e aqui é feitio.
Enfim.
Se tiverem respostas...façam o favor.
Abraços
Hélder
quarta-feira, julho 04, 2012
OLHAR INVASOR?
ORA VIVA
Olhar. Gosto particularmente. Parar num café e olhar parado. Eu sei...perturba. Também não gosto que me olhem, pausadamente. Não o faço para invadir, faço-o para imaginar a intensidade das coisas que vivo mas na cabeça dos outros. Tomar café. Gosto da chávena fria e do café não muito quente. Bebê-lo de manhã cedo, desperta-me, enquanto tomo o café penso no dia que vou ter e quantos precisarei de tomar para que o dia tenha o ritmo a que o café me chama. E a mulher que está à minha frente e olha para a chávena...pensará no seu dia, no dia de ontem, no tempo de amanhã?
Supermercado. O que levam e porque levam aquelas coisas, e não outras? Quando era miúdo adorava arrumar as compras com a minha mãe; o arroz no sítio do arroz, as bolachas na segunda prateleira, a farinha, os sumos para um dia de festa. E os outros? Quem arruma? onde? Sozinhos ou brincam com os filhos aos supermercados, como eu fazia em miúdo?!
Banalidades. Pensar naquilo que outros pensariam, se fossem os outros a fazer aquilo que faço das coisas simples...o que fariam os outros? Porque é aos outros que pertence o direito de fazer o que fazem como querem fazer, com a ritualidade que devem fazer. E eu vou-me permitindo invadir, sem beliscar, o mundo das coisas simples feitas por gente que gosto de adivinhar as histórias que têm.
Enfim....
Até amanhã!
Hélder
Olhar. Gosto particularmente. Parar num café e olhar parado. Eu sei...perturba. Também não gosto que me olhem, pausadamente. Não o faço para invadir, faço-o para imaginar a intensidade das coisas que vivo mas na cabeça dos outros. Tomar café. Gosto da chávena fria e do café não muito quente. Bebê-lo de manhã cedo, desperta-me, enquanto tomo o café penso no dia que vou ter e quantos precisarei de tomar para que o dia tenha o ritmo a que o café me chama. E a mulher que está à minha frente e olha para a chávena...pensará no seu dia, no dia de ontem, no tempo de amanhã?
Supermercado. O que levam e porque levam aquelas coisas, e não outras? Quando era miúdo adorava arrumar as compras com a minha mãe; o arroz no sítio do arroz, as bolachas na segunda prateleira, a farinha, os sumos para um dia de festa. E os outros? Quem arruma? onde? Sozinhos ou brincam com os filhos aos supermercados, como eu fazia em miúdo?!
Banalidades. Pensar naquilo que outros pensariam, se fossem os outros a fazer aquilo que faço das coisas simples...o que fariam os outros? Porque é aos outros que pertence o direito de fazer o que fazem como querem fazer, com a ritualidade que devem fazer. E eu vou-me permitindo invadir, sem beliscar, o mundo das coisas simples feitas por gente que gosto de adivinhar as histórias que têm.
Enfim....
Até amanhã!
Hélder
domingo, maio 13, 2012
A CASA
Ora viva
Lembras-te da casa onde nasceste e te fizeste..e desfizeste daquilo que não querias ser? Lembras-te das tardes de sol, dos lanches apressados porque a vida era uma brincadeira de levar a sério? O jardim bem arrumado, as escadas quentes do sol...à espera de ti para as desceres e subires vezes sem conta. Nem pensavas...para onde me levam as escadas?
E as portas, as janelas, a chaminé, tudo o que nos nossos desenhos ganhavam uma espécie de vida com olhos e boca, e era a nossa casa. E o cheiro!? Da cozinha no Natal? Dos almoços de domingo, melhorados por ser dia solene. E lá permanecia a casa...a ver o tempo passar e nós nem pensávamos que o tempo passava para outra coisa que não fosse a brincadeira que se seguisse, e o tempo passa da luz para as sombras, da morte para a vida, da vida para outra coisa chamada saudade e que tem uma insaciável fome.
E quando cresces e vês esta casa envelhecida, com o tempo a fazer das suas. As coisas lá estão, paradas e pousadas. Carregadas de sombras e de memórias. Malditas e benditas memórias sejam vós! Agora somos nós que vemos a casa, desejosa que o tempo regresse aos almoços de domingo. E tudo vai longe. E o longe não volta. E nunca nos disseram isto enquanto perdíamos horas a brincar com o tempo, o mesmo que um dia nos faria falta à juventude.
E como havemos lidar com esta dor do fim e do perto do fim. Do adeus e do quase adeus. Arranha-nos, não os joelhos das brincadeiras, mas a alma, porque agora somos gente séria de alma dolente e madura, e gente de poucas brincadeiras. Tem de ser. Tem que ser. Tenho de Ser.Eu e a casa. A que fica e a que não volta.
Até breve
Hélder
Lembras-te da casa onde nasceste e te fizeste..e desfizeste daquilo que não querias ser? Lembras-te das tardes de sol, dos lanches apressados porque a vida era uma brincadeira de levar a sério? O jardim bem arrumado, as escadas quentes do sol...à espera de ti para as desceres e subires vezes sem conta. Nem pensavas...para onde me levam as escadas?
E as portas, as janelas, a chaminé, tudo o que nos nossos desenhos ganhavam uma espécie de vida com olhos e boca, e era a nossa casa. E o cheiro!? Da cozinha no Natal? Dos almoços de domingo, melhorados por ser dia solene. E lá permanecia a casa...a ver o tempo passar e nós nem pensávamos que o tempo passava para outra coisa que não fosse a brincadeira que se seguisse, e o tempo passa da luz para as sombras, da morte para a vida, da vida para outra coisa chamada saudade e que tem uma insaciável fome.
E quando cresces e vês esta casa envelhecida, com o tempo a fazer das suas. As coisas lá estão, paradas e pousadas. Carregadas de sombras e de memórias. Malditas e benditas memórias sejam vós! Agora somos nós que vemos a casa, desejosa que o tempo regresse aos almoços de domingo. E tudo vai longe. E o longe não volta. E nunca nos disseram isto enquanto perdíamos horas a brincar com o tempo, o mesmo que um dia nos faria falta à juventude.
E como havemos lidar com esta dor do fim e do perto do fim. Do adeus e do quase adeus. Arranha-nos, não os joelhos das brincadeiras, mas a alma, porque agora somos gente séria de alma dolente e madura, e gente de poucas brincadeiras. Tem de ser. Tem que ser. Tenho de Ser.Eu e a casa. A que fica e a que não volta.
Até breve
Hélder
domingo, abril 15, 2012
A GESTAÇÃO DA CHUVA
Esta é a capa do meu novo livro de poesia. Esta é a capa que guarda o meu corpo despido pelas palavras. É...a poesia despe. Escrevi metade deste livro antes da morte do meu pai, outra metade depois dele morrer. Morte. Vida. Amor. Recomeçar. É a linha deste livro e que ganha força visual pela ilustração do pintor Ruy Silva. Escrevi para me arrumar. Para sossegar a minha alma. Calar o meu luto. Eu não sabia qual era a dor da morte. Já sei. Mas não aprendi. Não quero aprender, e gostava tanto de não ter que repetir esta dor.
Os meus poemas são pequenos. Muito diminutos. São limados e polidos, para terem só o coração das coisas. Nem sempre consigo. Ando no ensaio da vida e no ensaio da escrita. Para quem o ler, espero que goste, já é vosso, não é meu.
Hélder
domingo, março 11, 2012
SAUDADE
Ora Viva
A saudade. Sabemos ser de difícil tradução. E como se traduz a saudade para dentro de nós? Como a explicamos à nossa alma, ao nosso sangue, ao nosso coração, aos nossos sentimentos?
O que é que faço com a saudade? Não a que um dia pode ter uma volta, mas com aquela cujo destinatário não volta mais? Eternamente nunca mais? Há um guia de boas práticas? Um dicionário que a traduza e simplifique o conceito? Um livro de estilo? Qualquer coisa mais simples que a saudade. Essa espécie de outono que nunca mais termina....
Será maldita? Será abençoada porque não alimenta o esquecimento? Será egoísta? Será que sabe que eu a sinto, e não a chamei?!
até amanhã
hélder
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
AMANHÃ
Ora viva
Podias chamar-te um sítio qualquer. Mas chamas-te amanhã. Tens nome de futuro. Tens futuro no nome. Nem sempre é fácil acreditar-te. És feito de sol e chuva, de gente, sorriso e dores, de preguiça e de amor, és de sal e mal, de sol e tal e qual um amigo que nos quer bem. És amanhã. Nem sempre me apetece receber-te, apesar de te desejar, com a sede de um dia de Verão. A vida sabe-me bem, mas nem todos os dias são apetitosos.
Mas gosto de ti. Gosto mais que gostar. Preciso. Tu és um dia limpo. Uma casa arejada. Uma praia luminosa. Uma escada ao sol. Uma mãe a chamar o filho. Um filho a chamar a mãe. Uma música a existir. Tu és o mais perto que existe daquilo que serei.
Obrigado por me esperares.
Até já.
Hélder
terça-feira, janeiro 03, 2012
AINDA ESTÁS AÍ?
AINDA ESTÁS AÍ
À ESPERA QUE NASÇA?
À ESPERA QUE CHEGUE E ME AQUEÇAS
AS PERNAS DE TE PROCURAR?
AINDA ESTÁS AÍ... PARA ALÉM DA PORTA FECHADA
OU DA CASA DE JANELAS SOPRADAS PELO MAR,
E ESPERAS POR MIM PARA AS TUAS CAVALITAS SALTAR
COMO QUEM QUER ENFRENTAR O MUNDO COM UMA ESPADA DE CHOCOLATE?
AINDA ESTÁS AÍ PARA ME EMBALARES NA NOITE
ONDE AS ESTRELAS SE VESTEM SOLENES
E A LUA ME CONVIDA PARA DANÇAR?
AINDA ESTÁS AÍ PARA ME FAZERES NASCER DIARIAMENTE
COMO QUEM CHAMA PELAS FLORES DA PRIMAVERA?
AINDA ESTÁS AÍ COM BRAÇOS ABERTOS QUE NUNCA SE CANSAM
E OLHOS VERDES DE PAI TERRA E CORAÇÃO DE ÁRVORE?
AINDA ESTARÁS AÍ?
ao meu pai Eduardo
quinta-feira, dezembro 15, 2011
À deriva
Ora Viva
Andar à deriva....é... às vezes andamos entre a chuva e o vento, as passadeiras cheias de gente e os museus vazios...andamos entre cafés e corredores, livros deixados a meio e roupa que não gostamos. Sítios que não nos apetece e conversas que nos aborrecem. Já lá nos dizia o Variações: estar onde não se está, ir onde não se quer ir.... À deriva...perdidos de nós, afinal de contas somos espaçosos por dentro e por vezes por fora....
O bom da questão é que sabe bem encontrar o norte e renovar sentidos, uma reconversão, eu acredito em 2as, terceiras e quartas oportunidades....acredito na mudança, nos novos caminhos que queremos e ponto.
Ando à deriva....mas vou encontrar a saída por um portão que dê para um jardim virado para o mar.
Até já
Hélder
Andar à deriva....é... às vezes andamos entre a chuva e o vento, as passadeiras cheias de gente e os museus vazios...andamos entre cafés e corredores, livros deixados a meio e roupa que não gostamos. Sítios que não nos apetece e conversas que nos aborrecem. Já lá nos dizia o Variações: estar onde não se está, ir onde não se quer ir.... À deriva...perdidos de nós, afinal de contas somos espaçosos por dentro e por vezes por fora....
O bom da questão é que sabe bem encontrar o norte e renovar sentidos, uma reconversão, eu acredito em 2as, terceiras e quartas oportunidades....acredito na mudança, nos novos caminhos que queremos e ponto.
Ando à deriva....mas vou encontrar a saída por um portão que dê para um jardim virado para o mar.
Até já
Hélder
terça-feira, outubro 25, 2011
FAÇO OU NÃO FAÇO?
Ora Viva
O que vou fazer para lutar contra a ditadura da crise?
É claro que é uma ditadura. Repare, por mais que proteste ninguém o ouve? Por mais que não concorde, ninguém lhe dará razão? E para que conta a sua opinião ou impossibilidades quanto a cortes e recortes no seu salário?
Posto isto o que fazer?
E a quantidade de gente que fala e "refala" do tema com soluções e oposições? E procura-se o culpado? E... "ai Jesus" as pessoas, ou os números? E a "aflição" dos políticos? A oposição a querer fazer boa figura a opor-se.... e o governo a querer sempre o inevitavelmente melhor para Portugal.... e a opor-se à oposição!!!
Gostava de experimentar uma política onde não houvesse ordenados, cargos ou encargos!?! Será que haveria tantos interessados em defender o bem comum? Hmmmmm
E o que faço? Deito-me com a crise, e passo uma boa noite de sono com ela... ou uma boa noite de sexo? Sexo com a crise?Hmmmmmmm é melhor não.
Acho que vou trabalhar...hoje. Amanhã se verá!
Até já.
O que vou fazer para lutar contra a ditadura da crise?
É claro que é uma ditadura. Repare, por mais que proteste ninguém o ouve? Por mais que não concorde, ninguém lhe dará razão? E para que conta a sua opinião ou impossibilidades quanto a cortes e recortes no seu salário?
Posto isto o que fazer?
E a quantidade de gente que fala e "refala" do tema com soluções e oposições? E procura-se o culpado? E... "ai Jesus" as pessoas, ou os números? E a "aflição" dos políticos? A oposição a querer fazer boa figura a opor-se.... e o governo a querer sempre o inevitavelmente melhor para Portugal.... e a opor-se à oposição!!!
Gostava de experimentar uma política onde não houvesse ordenados, cargos ou encargos!?! Será que haveria tantos interessados em defender o bem comum? Hmmmmm
E o que faço? Deito-me com a crise, e passo uma boa noite de sono com ela... ou uma boa noite de sexo? Sexo com a crise?Hmmmmmmm é melhor não.
Acho que vou trabalhar...hoje. Amanhã se verá!
Até já.
terça-feira, setembro 20, 2011
Espero por ti
Ora Viva
OBRIGADO. Sabe bem ler quem passa e fica.
Deixei-te chegar. Não tinha outro remédio. Até o jardim já esperava por ti. As nuvens pareciam reunir-se para determinar o teu tempo. Tempo. O tempo que faz, o tempo que se tem, o novo tempo que chega. Eu não te chamei. Tu não precisas que te chame, eu sei. Não és um filho que se chama para a mesa. És o OUTONO. Não és triste. És o preparativo do banquete do Inverno. Chuva, cobertores, conversas à lareira, ou enrolados na manta velha, compotas e neve, folhas secas e chá quente com fumo de espero por ti.
E recomeçar. Recomeça-se sempre qualquer coisa no início de cada estação. Ou acaba-se. Há uma regra que diz que o fim de qualquer coisa é o pincípio de outra? Acho que sim...acho que não me apetece saber. Acaba o Verão, começa o Outono. Vem o Inverno. Regresso ao tudo que a minha vida tinha antes de Junho, ou Julho, ou antes da Primavera.
Aqui estou. Não pronto para ti, mas à espera que chegues. Mesmo sem te chamar. Anuncias-te e recebo-te, um pouco amuado. Apetecia-me esperar mais um pouco por ti. Entre uma e outra folha caduca do velho plátano da minha rua.
Até já.
Hélder
OBRIGADO. Sabe bem ler quem passa e fica.
Deixei-te chegar. Não tinha outro remédio. Até o jardim já esperava por ti. As nuvens pareciam reunir-se para determinar o teu tempo. Tempo. O tempo que faz, o tempo que se tem, o novo tempo que chega. Eu não te chamei. Tu não precisas que te chame, eu sei. Não és um filho que se chama para a mesa. És o OUTONO. Não és triste. És o preparativo do banquete do Inverno. Chuva, cobertores, conversas à lareira, ou enrolados na manta velha, compotas e neve, folhas secas e chá quente com fumo de espero por ti.
E recomeçar. Recomeça-se sempre qualquer coisa no início de cada estação. Ou acaba-se. Há uma regra que diz que o fim de qualquer coisa é o pincípio de outra? Acho que sim...acho que não me apetece saber. Acaba o Verão, começa o Outono. Vem o Inverno. Regresso ao tudo que a minha vida tinha antes de Junho, ou Julho, ou antes da Primavera.
Aqui estou. Não pronto para ti, mas à espera que chegues. Mesmo sem te chamar. Anuncias-te e recebo-te, um pouco amuado. Apetecia-me esperar mais um pouco por ti. Entre uma e outra folha caduca do velho plátano da minha rua.
Até já.
Hélder
segunda-feira, agosto 29, 2011
O meu bloggue
Ora Viva
Obrigado pleos comentários. Quando criei este blogue, senti necessidade de partilhar histórias, pensamentos, e raras opiniões ( já há quem opine taanto, certo?).
Recebo bastantes visitas e comentários...o que me motiva; modero os comentários e raros são os que não publico, muito raros mesmo!
Um dos comentários...que está publicado, o comentador, que não assina, chama-me de PIDE por moderar os comentários e por castrar uma certa liberdade...
Lamento que não encontrem aqui um local de total liberdade ou libertinagem (coisas diferentes) para escreverem o que vos apetece. Sugiro que procurem outras páginas ou criem os próprios blogues. Nem sempre a democracia funciona bem...
Até já
Hélder
Obrigado pleos comentários. Quando criei este blogue, senti necessidade de partilhar histórias, pensamentos, e raras opiniões ( já há quem opine taanto, certo?).
Recebo bastantes visitas e comentários...o que me motiva; modero os comentários e raros são os que não publico, muito raros mesmo!
Um dos comentários...que está publicado, o comentador, que não assina, chama-me de PIDE por moderar os comentários e por castrar uma certa liberdade...
Lamento que não encontrem aqui um local de total liberdade ou libertinagem (coisas diferentes) para escreverem o que vos apetece. Sugiro que procurem outras páginas ou criem os próprios blogues. Nem sempre a democracia funciona bem...
Até já
Hélder
segunda-feira, agosto 15, 2011
VERÃO
Ora Viva
MUITO obrigado pelos comentário e por quem me pede novas escritas.
O Verão inspira.
Enquanto descia a rua de paralelos antigos, que me lembravam sítios de sorrisos generosos e roupa branca virada para o sol, sentia no rosto a magia da luz. A luz abre-nos a pele às vontades claras do principio.
Na rua havia um aroma a mar, a peixe e a alecrim acabado de regar. Que festa fazem as flores com a água fresca, que festa fazem os homens com novos sonhos desenhados.
O Verão anunciava-se em cada casa branca, com janelas a convidar o sol, com escadas a pedir o descanso de uma tarde solenemente luminosa.
Até breve
hélder
MUITO obrigado pelos comentário e por quem me pede novas escritas.
O Verão inspira.
Enquanto descia a rua de paralelos antigos, que me lembravam sítios de sorrisos generosos e roupa branca virada para o sol, sentia no rosto a magia da luz. A luz abre-nos a pele às vontades claras do principio.
Na rua havia um aroma a mar, a peixe e a alecrim acabado de regar. Que festa fazem as flores com a água fresca, que festa fazem os homens com novos sonhos desenhados.
O Verão anunciava-se em cada casa branca, com janelas a convidar o sol, com escadas a pedir o descanso de uma tarde solenemente luminosa.
Até breve
hélder
terça-feira, julho 19, 2011
PERDER
Ora Viva
Como é a vossa capacidade de perder?! Deixar ir? Abrir mãos, braços, carne e peito?
Olho para a vida, por cima das nuvens. Procuro as raízes das árvores no céu e as copas verdes plantadas no chão. Inverto tudo para evitar deixar partir. Perder.
Perder nunca será ganhar. De que me vale a experiência que fica, a experiência da dor, o tempo que sara, a maturidade que se adivinha. A verdade é que perdi, vou perder, poderei perder. E agora o que fica? Como fico? Será que há lugares que se voltam a ocupar?
Aguardo-vos
Hélder
Como é a vossa capacidade de perder?! Deixar ir? Abrir mãos, braços, carne e peito?
Olho para a vida, por cima das nuvens. Procuro as raízes das árvores no céu e as copas verdes plantadas no chão. Inverto tudo para evitar deixar partir. Perder.
Perder nunca será ganhar. De que me vale a experiência que fica, a experiência da dor, o tempo que sara, a maturidade que se adivinha. A verdade é que perdi, vou perder, poderei perder. E agora o que fica? Como fico? Será que há lugares que se voltam a ocupar?
Aguardo-vos
Hélder
Subscrever:
Mensagens (Atom)