segunda-feira, maio 04, 2015

TODO O TEMPO QUE O MUNDO TEM

Ora viva



Perante o tempo…somos impotentes. Todo o tempo, da meteorologia ao relógio. O tempo mostra-nos o nosso lugar. Somos instantes pequenos no infinito universo da história universal. No meu dia-a-dia, no que ao tempo do relógio diz respeito, sou organizado e só gasto tempo com quem gosto, naquilo que gosto. O tempo é precioso, irrepetível. 

Quanto à meteorologia, tirem-me da frente nevoeiro e ventanias. Mas o que nos adianta não gostar, se não pudemos mudar, não adiantamos nem atrasamos. Perante o tempo somos aquilo que somos sempre, frágeis. De que vale a correria, se na corrida passamos ao lado de tanta coisa que pode distinguir a nossa vida. De que me vale amuar em dias de vento e nevoeiro, se a roda dos dias avança na mesma? 

Viver é o melhor remédio. O melhor e o maior remédio que temos. Extraordinária oportunidade diária. Momentânea. Aproveitem. Tudo. Ao máximo.

ABRAÇO

Hélder

segunda-feira, abril 27, 2015

OS OUTROS

ORA VIVA


Os problemas dos outros são sempre dos outros, ainda que amemos profundamente os outros antes dos seus problemas. É sempre um conflito entrar na história da outra pessoa. Não há um livro que registe a memória, as emoções, as estratégias. Não há um livro de estilo. Por mais que nos esforcemos a história nunca será a nossa. Honestamente, acho que não deve ser. A objetividade é sempre uma ferramenta para lidar com a crise.
Esta distância sobre os problemas que não são os nossos pode fazer de nós maus ouvintes, e até insensíveis para com a dor dos outros. Nunca percebemos bem o que é um dia complicado de um amigo se não vivemos o dia desse amigo. Fazemos uma ideia.
Nunca entenderemos a morte de um pai de um colega de trabalho porque não sabemos da dinâmica que havia entre ambos, e nem conhecemos o lugar mais secreto da afetividade que os unia ou desligava. Os outros serão sempre os outros e nunca nós, por muito amor que lhes tenhamos.

ABRAÇO

sexta-feira, abril 10, 2015

Laranjeiras em flor

Ora viva

Laranjeiras em flor é o melhor e maior sinal de verão, frescura, liberdade e sabor a vento. Uma ida ao nosso Alentejo ou Algarve, por esta ocasião, é dar o melhor mergulho na infância. As correrias pela rua, a bicicleta, as casas muito brancas, as escadas dos jogos sem fim. Tudo isto é, para mim, laranjeiras em flor. A par do aroma, que me fica na boca, a beleza da flor. Tão bonita como frágil, dura tão pouco e marca tanto. 

No fim do perfume e das flores, vem o fruto, que fresco recebe o verão. Uma laranja fresca no fim de um almoço de verão, entre amigos e abraços, é a melhor forma de celebrar a criação da cor, da amizade, da sede saciada, da memória de antigamente. Tanta coisa numa flor de laranjeira, que as grandes perfumarias bem tentam eternizar mas não conseguem, ninguém consegue pôr tanto num frasco. 

abraços

sexta-feira, março 06, 2015

perder e vencer

Ora viva

Perder pode ser uma incrível forma de vencer. Tenho várias derrotas na minha vida, algumas ainda não engoli bem. Grande parte delas deram-me vitórias nos dias de hoje. É assim comigo, é assim com o mundo inteiro. Dar a volta. Fazer do velho novo. Reconverter. Recomeçar. São verbos que gosto. Perder alicia a nossa paciência, a nossa resistência, fortalece o sopro da nossa vontade. Perder é tramado, dá a volta à tripa da nossa existência. 

Eu nunca daria tanto valor às minhas vitórias se não tivesse as minhas derrotas, as minhas quase tragédias. Mas não é tudo estrada à frente. Perder pode ser uma pedra no sapato e na mente. Perder esgota, gasta e consome. Perder derrete-nos por dentro. O bom é agarrar na lama dessas derrotas e dar músculo à vida, limpar a cabeça, limpar a casa da alma, perdoar e avançar. Não há outra, nem melhor, forma de vencer.

abraço

terça-feira, fevereiro 10, 2015

O frio

Ora viva

Podia custar menos, mas custa muito, passar frio! Podia não me saber tão bem, mas sabe-me a vida, músculos, palpitações. Sou fascinado por dias de Inverno, frios, cheios de sol, com árvores despidas e gente agasalhada na rua. Sabe-me melhor a bebida quente, as camadas de roupa, a luz abrigada, a forma das coisas, a mesa. O frio chama-me ao centro de mim, concentra-me. É assim, nem mais nem menos. 

Por norma levanto-me cedo. Como repórter tenho uma vida exposta ao frio, chuva, calor, desconforto, conforto, tudo num mesmo dia. Custa, muitas vezes, mas gosto, quase sempre.
A par de tudo isto há o olhar a natureza e saber que ela está abrigada dentro de si mesma, a preparar-se para sair, mostrar a sua beleza numa primavera que se quer sempre morna e com os dias a crescer.


Por tudo isto, o inverno sabe-me bem. Leva-me para o melhor de mim, o melhor de tudo o que ciclicamente vai nascer. E recomeçar pode ser tudo o que é esperança.

Bons dias de inverno

até já.

HR

terça-feira, janeiro 27, 2015

JANEIRO


Ora viva


Janeiro é o mês das concretizações. Em dezembro desejamos, em janeiro cumprimos. Pode ser? A ser, janeiro é um mês difícil. Todos falhamos nas concretizações e por conseguinte todos ficamos aborrecidos cá por dentro, é o pior dos conflitos. Eu gosto do inverno, muito. Gosto do frio, da regeneração, das mesas fartas, da lareira, do vinho tinto, de tisanas quentes, das malhas e blusões, do sol de inverno, da luz das manhãs frias.
Para mim, todos estes gostos inspiram à concretização dos meus votos de dezembro. Um dia, uma possibilidade, e com um cenário meteorológico excelente. Provavelmente é por isto que gosto tanto do inverno, de janeiro e de falhar com objetivos; sei que posso sempre voltar a tentar amanhã, porque amanhã ainda é janeiro e um ótimo dia de inverno: a altura ideal para recomeçar.

até amanhã

hélder

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Espreitei para uma casa

Ora viva



Há dias, enquanto passeava a minha cadela e as minhas ideias, vi uma senhora a decorar a sua árvore de Natal. Sim, espreitei para dentro de uma casa. A mulher estava sozinha, mas feliz. Ajustava, com detalhe, cada brilho da árvore. Foi a melhor imagem que tive deste Natal. Preparar a casa para a época. É como quando nos aperaltamos para uma ocasião especial. Mas no Natal todos os dias são ocasião solene.

O meu Natal é sempre maravilhoso. Mesmo depois de saber o que é não ter alguém para sempre…na nossa mesa. O fabuloso do Natal é mesmo isso, persistir. Persiste à dor, à morte, à guerra, à derrota, à tristeza, ao luto, à pobreza, às dívidas, ao desamor, a toda a espécie de fins. O Natal mantem-se, fiel a si. Solene. Provavelmente aquela mulher teria marido e filhos, para os quais vestia a casa. Provavelmente aquela mulher vivia sozinha e enfrentava a maior dor da sua vida. Mas o Natal mantem-se, digno de si mesmo. Haja o que houver, seja para quem for. Feliz Natal

Abraço

segunda-feira, novembro 17, 2014

AS SAUDADES

Olá gente boa


As saudades. Nunca percebi este sentimento. Confesso, não me dou muito à saudade. Há coisas boas de nos recordamos, pessoas, momentos. A saudade, a mim, parece-me sempre coisa do passado, e que não volta, e que dificilmente ajudará no futuro. Não quero ser injusto com o sentimento mais português que o mundo conheceu. 

Há vezes em que a saudade até me parece injusta. Eu explico: lembrar-se de uma pessoa que amamos, que já não está entre nós; alimentar esta saudade é dano para a alma, dor para o coração, e a pessoa nunca voltará. Ficam os bons momentos. Pois ficam, isso é um facto, mas não voltam os momentos. Não regressam as pessoas.

É…acho que afinal de contas não gosto da saudade. É tristeza para a alma, e ausência para o coração. Não consigo gostar daquilo que me faz sentir falta.

Até amanhã

Hélder

quarta-feira, outubro 08, 2014

perder

ora viva

Saber perder exige tanta humildade como saber ganhar. Quando perdemos há sempre uma revolta, um certo desejo de vingança, uma vontade de desistir. Tudo na escala da perda que sofremos, claro. Mas que há sempre um frio de indignação, isso há. Pois bem, eu tenho perdido, como todos vocês. E com o tempo que o tempo me tem dado, tenho-me apercebido da necessidade de humildade para receber a derrota. Não é resignação, é humildade. Quando perco, olho para o que perco e pergunto: e agora? O que vou fazer contigo? Antes disso, vasculho dentro de mim os motivos, as culpas, as soluções. 

Este é o esqueleto de como lido com a perda. Nem sempre chego às respostas, e eu que tanto gosto de boas respostas. Mas, até à data, tenho resolvido quase todas as minhas perdas. Nem sempre fáceis. Nunca públicas. Coisas minhas, de mim para mim e depois de mim para o mundo. No fim de contas fica a humildade, a minha humildade sai sempre mais forte depois de cada derrota.

abraço

quarta-feira, setembro 24, 2014

O silêncio

Ora viva

No princípio era o silêncio e o silêncio tornou-se no princípio de todas as coisas. Quanto mais vivo, mais gosto do silêncio. Quanto mais gosto do silêncio, mais vivo. Como profissional da comunicação, cabe-me saber perguntar, mas também saber ouvir a resposta. Nunca farei uma boa pergunta, com toda a preparação e concentração que perguntar exige, se não me dedicar à resposta do meu convidado. Para tal tenho de me calar, é simples. Nunca conseguirei fazer uma nova canção se não me calar e ouvir o silêncio, que é o espaço onde existe a criação. Para vos escrever este texto, estou sentado, em silêncio, na companhia de uma luz morna, uma janela aberta, no sossego da casa.


O mundo é falador. Cada vez mais. Há gente que não se cala. Por todas estas contas, gosto de gente calada, não dos sonsos, mas daqueles que se calam para ouvir, ou porque não têm nada a acrescentar. Quem disse que temos de ter sempre opinião? Ou que para se ser sincero tem de ser dizer tudo o que se pensa e não pensar no que se diz, ou se vale a pena dizer?


 O silêncio é de ouro, diz quem sabe, e há muitos anos. Eu gosto do admirável mundo do ouvir calado. Experimentem. Vale mesmo a pena!

Abraço

terça-feira, setembro 16, 2014

O tempo que faz lá fora

Ora viva

O tempo que faz lá fora nunca é o tempo que faz dentro de mim. Falo de meteorologia. Gosto do tempo todo. A chuva embala-me o corpo, apetece-me quente. O calor amolece-me a alma, desejo as árvores e a sua sombra. O vento acorda-me os músculos, espevita-me por dentro. O nevoeiro adormece-me os sentidos. A trovoada acorda-me os olhos. Gosto da luz do outono, das manhãs de primavera, das noites de verão, da morrinha do inverno.


 Do frio na pele e chegar a um sítio quente. Gosto muito da minha vida cá por dentro, e acho que ela fica agradada com qualquer tempo que faça cá fora. Isto é bom. Nunca estou sentado no constante do mesmo tempo. O meu corpo, o meu dentro, surpreende-se sempre com cada estado de tempo…e a monotonia morre entediada. Sempre gostei das coisas de dentro para fora. Parecem-me sempre mais resolvidas. Neste movimento, quando o meu dentro se confronta com o tempo cá de fora, a surpresa e o agrado são sempre constantes. Experimentem!

abraço
Hélder

sexta-feira, agosto 29, 2014

Meu querido mês de setembro

Ora viva

Setembro era um mês que eu adorava. Dias mornos. Molenguice. Vontade de nada. Fins da tarde na praia, a apetecer uma toalha enrolada no corpo. A areia a suspirar de alívio depois das enchentes de Verão. Preparar o regresso às aulas, à altura sem esta especulação de mercado! Enfim…dias serenos do meu querido mês de Setembro. 

Bom…agora setembro parece o mês em que se concretiza tudo aquilo que uns e outros andaram a preparar entre julho e agosto. Pois é neste mês nove que tomamos conhecimento de tudo. Muito muda. Muito aumenta. Muito se despede. Muito se contrata. Muito se espera e desespera. Até parece que os dias apetecem menos com medo do mês em que todos os ventos se conhecem. 

A verdade é que quando eu vivia os suaves dias de setembro dos tempos idos, a vida não me fazia tanta aflição como me faz hoje. Crescer tem destas coisas. Emancipa-nos e dá cabo da nossa inocência. 

até amanhã
Hélder

domingo, agosto 24, 2014

Viajar e Regressar

Ora Viva

Gosto muito de viajar. É um prazer e um investimento na minha cultura. Não há livro que substitua uma viagem. Considero-me um homem já com algumas grandes viagens feitas. Curiosamente, cada vez que faço uma incursão, já preparo a próxima. Não há nada melhor do que preparar uma viagem enquanto se está a viajar. Parece um movimento contínuo e intrínseco à minha rotina.

O mundo é, efectivamente, muito grande. Já me apercebi que não viverei o suficiente para todas as viagens que quero fazer, vou tentar acreditar que uma nova vida me dará o resto do tempo.

A par de viajar, gosto de regressar a casa. Mas gosto muito. O cheiro das minhas coisas faz-me falta. Em cada objeto estão as pessoas que amo, só elas vão e habitam o meu lar. Sabe-me bem entrar nas minhas paredes, no fim de uma viagem, abrir a porta e ainda com as malas na mão inspirar a minha casa. Encher os pulmões com o ar e a luz do sítio onde vivo, e matar saudades cá por dentro.

Entendo que viajar é tão bom como regessar. Em cada regresso nasce a vontade de uma nova viagem, certamente porque tenho um lugar para onde voltar e que tanto amo, a minha casa!
Até amanhã

quinta-feira, julho 17, 2014

JOVENS

Ora viva

Ao longo dos últimos meses tenho entrevistado jovens. Quero saber o que andam a fazer e o que lhes diz a palavra futuro. De empregados a desempregados, voluntários a empresários. Todos cabem nestas minhas duas perguntas. A par das respostas vou conhecendo as suas vidas, os seus projetos, por vezes avivando-lhes a memória sobre o que queriam ser quando ainda eram mais jovens. Já entrevistei perto de 40. São inspiradores. Gente que se faz ao mundo porque a vida não admite que seja ao contrário. 

Apesar do desavesso deste sítio onde vivemos e morreremos, encontro uma juventude esperançosa, otimista nos seus objetivos, adotaram o lema: eu sou o primeiro a acreditar em mim. Já se emocionaram comigo, já me emocionei com eles. Só quero saber como estão. Sem pressas. Esta televisão que faço não contempla a correria. É para ouvir e partilhar com o espectador o sumo destas conversas. São nutrientes para a alma, pelo menos para a minha tem sido. Temos um futuro de gente que acredita e está disponível. Tantas vezes isso, isto, é tudo.

até amanhã
hélder

quarta-feira, julho 09, 2014

Pirilampo?

Ora viva

obrigado a todos os que passam por aqui, e me deixam mensagens tão generosas. Obrigado!! Esta semana vi pirilampos...

E se a vida fosse como um pirilampo? Há dias, passeava na praia, com um amigo (nunca passearia na praia com quem não amo) e desabafávamos problemas que nos inquietavam. Nem sempre a vida nos dá o que queremos, da forma como queremos. Há dias cheguei a essa conclusão, nem sempre o retorno é na moeda que queremos (metaforicamente falando). Bom, dizia eu que passeávamos na praia, inundados pelos nossos problemas, quando muitos pirilampos invadiram a nossa conversa. A fragilidade de um ser que, apesar de quase impercetível, é deslumbrantemente luminoso. Era a resposta que faltava à nossa nuvem de comos e porquês. 

A luz é um fenómeno maravilhoso em dias escuros, seja de uma vela, candeeiro, ou de um grande pirilampo.

Até breve
Hélder

terça-feira, julho 01, 2014

A vida é...

Ora viva

A vida é para quem dá. Quem gosta de abraço e sabe perdoar, perder, dar e avançar. A vida é dos que acreditam no amanhã. Daqueles que não se regozijam com o mal dos outros. A vida é de quem gosta de água limpa. A vida é dos determinados, dos que constroem e ajudam quem está destruído. A vida é de quem dá oportunidades, uma, duas ou três. A vida é dos que voam dentro deles. A vida é um sopro, por isso é de quem gosta de respirar profundamente. A vida é de quem olha e fica. A vida é de quem sorri com a esperança e dá esperança a quem precisa de sorrir.

A vida é dos frágeis que querem ser fortes e dos fortes que ajudam os frágeis. A vida é de quem não quer saber do que se diz da vida dos outros. A vida é de quem a vive, não de quem vive a vida do vizinho. A vida é dos altos, mesmo que sejam baixos, veem além. 

A vida é de quem quer ser pássaro mesmo que saiba que nunca será, persegue o sonho possível, o de ser livre com asas de vento. A vida é assim. Cheia e vazia. Se está cheia partilha, se está vazia, procura quem a encha e sê obreiro de ti, nunca ninguém viverá o que só tu podes viver. É assim que vejo a vida. A minha. A dos que amo.

até breve
Hélder

quarta-feira, junho 25, 2014

Hoje

Ora viva

Hoje vi a D. Maria, nos seus 90 anos, sair de casa e olhar para a praia. Uma necessidade de quem tem uma vida inteira naquela rua, naquela casa, naquele sítio virado para o mar. Esta concentrada na sua observação, atenta aos pormenores de uma praia que em pouco mudou. Estaria a respirar profundamente. Os olhos enchiam-se da serenidade do fim de tarde.

A vida é mesmo assim. Os sítios que amamos, a casa, a nossa rua, e enchermo-nos com o que nos faz bem. Num fim do dia, são vários os atentados à nossa convicta serenidade, precisamos de lutar contra o vazio que nos querem meter. A nossa vidas será sempre nossa, por muito que nos tentem tirar. À D. Maria ninguém lhe roubou o mar nem a enorme vontade de o ver. Assim nos inspiremos.

Abraço

terça-feira, junho 10, 2014

O meu frigorífico

Ora Viva

Esta semana avariou-se o frigorífico. Já vos deve ter acontecido. Imaginam as consequências. Pois eu fazia uma vaga ideia do transtorno, mas nunca pensei em tanta confusão. Uma simples avaria mudou toda a minha rotina, e por muito que não goste de rotinas, há algumas que me sabem bem. Um frigorífico fez o que muitas pessoas tentaram fazer e não conseguiram: mudar-me hábitos. Tudo por que eu não tinha onde guardar frescos.

 A vida é assim, não um frigorífico, mas uma roda cheia de itinerâncias que sucedem pelos motivos mais inesperados. E quando damos por nós, mudamos. Deixamos de fazer como fazíamos, ou já não fazemos de todo. Mudar por fora, pode resultar em mudar por dentro, ou um movimento contrário. Mudar, simplesmente.


O meu frigorífico fez-me mudar. Não sei se as mudanças se vão manter, agora que ele voltou do sítio onde nasce o frio, mas pensei na mudança, na alteração de padrão, de hábitos. Questionei porquê assim, e não de outra forma. No fundo fez-me bem a tua ausência, meu simples frigorífico!

Abraço

terça-feira, maio 27, 2014

Saúde



Ora viva

Os hospitais ou são lugares de saúde ou de doença. Os hospitais são sítios de avaliação. Do corpo. Da alma. Ir ao hospital, por motivo do nosso corpo, ou do corpo de alguém que amamos, é um motivo de constatação simples: sem corpo somos muito pouco. Traduzido em linguagem mais simples, sem saúde não vamos a lado nenhum. E no corpo todos somos iguais, fisiologicamente falando. Numa maca de hospital, não há ricos nem pobres, há pessoas à espera da cura. Simples não é?

Gosto de terminar as minhas entrevistas desejando saúde ao meu convidado, a quem me vê. Pensei que não era uma expressão que fosse muito tida em conta, até repetidamente me dizerem que gostam de me ouvir dar votos de saúde. Em bom da verdade de que mais precisamos nesta curta vida? Podemos ser muito ricos, ser muito pobres, com saúde podemos recomeçar, lutar, desistir, mudar, ser melhor, ou ser pior; mas sem saúde nada feito, sem a dita senhora não vamos a lado nenhum. O triste é darmos por ela, pela sua infinita importância, quando não a temos. A maior ambição da minha vida? Ter saúde. O resto, tudo o resto eu conquisto.

até amanhã
Hélder

terça-feira, maio 06, 2014

O OLHAR

Ora viva


Olho para ti. Para os teus lábios. O teu peito. Imagino o lugar por onde andam os teus pés. O que trazes   nos sacos, que música estás a ouvir, que livro carregas nas mãos. Gosto de te ver. Não a ti em exclusivo,  gosto de ver gente, pessoas que olhem a vida de modo curioso. Gosto de mãos e olhos, gosto de adivinhar para onde vão,  de onde vêm,  o que levam e aquilo que ainda vão levar.

 Hoje caíste-me tu na vista, enquanto fazia a minha viagem, centrado na minha vida, quando a tua se cruzou com a minha. E pronto,   ficamos ligados  por breves minutos, eu mais ligado a ti, que tu a mim, receio que nem deste por mim.   Eu, por outro lado, agarrei-me a ti, bebi a tua serenidade, irreverência limpa, roupa honesta. 

Sem te saber apercebi-me dos teus sonhos e da garra na gana. Saíste do comboio primeiro que eu, fiquei mais uns minutos a contemplar a tua ausência e o que em mim ficou de ti, mesmo sem te conhecer, mesmo sem saber o teu nome.

até amanhã
hélder