segunda-feira, fevereiro 15, 2016

INVEJA

Ora viva


Constatei que a felicidade cria inveja. Se a felicidade do outro não interferir na minha, tudo bem, mas se toca na minha alegria, eis que se torna um problema. Medíocres. Sermos medianos na capacidade de ser feliz, corta-nos as asas de um universo construtivo. Quanto mais saudável e feliz o mundo for, mas eu serei também. O sucesso dos meus colegas de trabalho, será o meu. A realização dos meus amigos no amor, será a minha. A prosperidade do negócio do meu vizinho será a minha prosperidade. 
O mundo não é a minha circunstância. 

Eu acredito na boa vontade, nos bons valores, no dar que recebe, no recebe que dá. Eu incluo-me nos invejosos. Mais tarde ou mais cedo… Odeio a inveja. Amo a felicidade. Mas a verdade é que tenho tropeçado em muitos invejosos. Ainda estou a pensar se os contorno, na indiferença; ou se passo por cima, para ver as vistas!

abraço

quinta-feira, dezembro 17, 2015

O Natal passou a ser irritante

Ora viva



O Natal é irritantemente bonito e bom. Só porque permite que sejamos bonitos e bons uma vez, com a justificação de que mais vale uma vez bom, do que nenhuma. E lá nos deixamos levar pelas ondas solidárias, os cabazes de consoada, as mantas para os sem-abrigo, os jantares bem querentes. Dia 1 de Janeiro. Não temos tempo, adorava ajudar mas…, as luzes pisca pisca apagam-se e o nosso mundinho fica às escuras, o nosso e o dos que no Natal beneficiaram da solidariedade das Marias que vão com as outras. Batemos palmas e somos todos felizes no Natal.

As empresas ganham fortunas com a solidariedade. As pessoas ganham fortunas por ajudarem e os designados necessitados ficam felizes uma vez por ano. E batemos palminhas.
Eu não sei se concordo com a ideia: antes fazer o bem uma vez, do que nunca. Eu não sei se gosto da solidariedade calendarizada e natalícia.

Contudo, ajudar é sempre ajudar. Quem precisa, uma única ajudada é abissalmente melhor do que nenhuma. Se gosto do circo à volta tudo isto, e com presépio e árvore de Natal? Este ano acho que não gosto. Acho mesmo que odeio, e odiar é tão feio numa altura de paz, amor e esperança (citação de um postal de Natal).

Há ilhas humanas que são Natal todos os dias, e que estão caladas, resguardadas das bocas do mundo, e são Natal sempre. Eu sei. Mas longe de serem a maioria. Longe de contagiarem o mundo por esta bondade.


Eu faço parte de todos estes esquemas estratégicos de ser solidário. Não sei é se me apetece para o ano. Todas as palavras que escrevi são para mim, também. Os 40 são tramados.

Feliz Natal

Palminhas! J

domingo, novembro 29, 2015

MUITA CONVERSA

Ora viva


Globalmente as pessoas falam muito. Eu falo muito, nos dias de hoje. Contrario-me, mas falo. Portanto, as pessoas ouvem pouco. Sempre fui uma pessoa na linha das pessoas caladas, e virei apresentador, o tipo que fala. Falar para televisão, não é falar socialmente. Estas minhas palavras refletem sobre as conversas sociais, entre amigos, a família, conhecidos, trabalho. Eu gosto de gente sintética, intensa e sintética. 

Podemos ser objetivos sobre qualquer assunto sem dar a volta o mundo para voltar ao mesmo dito assunto. Ser rápido na conversa, não tem de ser atabalhoado, a despachar. Nada disso. Ser rápido na conversa incentiva a atenção do nosso ouvinte. Óbvio, ninguém tem paciência para quem usa os verbos e adjetivos de todo o dicionário para falar de uma ida à mercearia.


Há também os que falam muito e de tudo. Não. Silêncio. Por favor. Um pouco de silêncio que nos ensine a ouvir. Calados também estamos bem. Nem tudo precisa da nossa opinião. Silêncio, porque se pode cantar o fado, a qualquer instante.

abraço

domingo, novembro 22, 2015

Paris

Ora viva

Todos podíamos ser Paris. Estive, pela RTP, em reportagem onde 7 atentados mataram gente como nós. Nunca terei palavras para um cenário de morte num sítio onde deveria haver luz e festa. As pessoas que morreram estavam a viver, tranquilamente, e morreram, aterradoramente.

O que aconteceu em Paris, acontece em todo o mundo, num mundo mais pobre, menos político, menos interessante mediaticamente. As mortes por atos de terrorismo cresceram muito. Mas nem de todas as mortes ouvimos falar. Outras mortes, longe de Paris, de gente como nós. Nem sabemos os sítios, nem vos digo agora, porque não escrevo aqui para informar, mas para pensar alto. Pesquisem, vão ficar assustados, e tristes por não se aperceberem que Paris é uma entre tantas feridas.
Ver os rostos de quem morreu, e que só estava a jantar com a namorada, é inquietante. Morrer porque se estava no sítio errado; provavelmente era um casal que tinha primos muçulmanos  e que naquela noite, juntos, iam fazer uma vigília contra a violência.

O mundo é pequeno. Na dor e na paz. Nós não estamos longe de nada disto. Estamos perto e fazemos parte desta história.




Abraço

terça-feira, outubro 13, 2015

SOL

Ora viva



A vida podia ser menos que o sol, mas não é. Com o sol, vem as coisas e pessoas que encontramos e olhamos. Com o sol vem o alimento do lado feliz da vida, uma vida em flor. Com o sol vem a casa luminosa, o brilho dos objetos, a transparência, o sabor do mar, a pele morna. 

O sol de todo o ano sabe-me a vida, a vontade de abrir janelas e portas. O sol alimenta-me a vontade. A luz é solene e mostra caminho.



Um dia luminoso é um dia com certezas e confiança. O sol amansa a alma. Convida a esticar a pele e deixar que a luminosidade nos aqueça. O sol é uma melodia constante de boas vontades; não será isto tudo o que precisamos para conseguir a felicidade?

abraço

terça-feira, outubro 06, 2015

A minha mãe

Ora viva



A minha mãe é um mundo, as mães são um mundo. A minha vai à luta, tem 79 anos de vida dura, nunca lhe deram nada, tudo o que tem foi conquistado por ela, até a vida de cada dia. A minha mãe enche a minha alma de segurança, a mesma que eu precisava quando chegava de um dia de escola e, com urgência, precisava do colo da minha mãe. 

Quando tinha 12 anos fui para o seminário, passava uma semana longe do regaço da mãe; lembro-me, como se fosse hoje, das despedidas semanais. A minha mãe dava-me um beijo e um abraço, nesse gesto colocava o amor que não podia dar-me durante a semana em que eu estava no seminário. Essa injecção de amor durava-me toda a semana; em bom da verdade a quarta-feira era o dia em que eu precisava do seu amor, porque já ia longa a semana. Era à quarta-feira que a minha mãe me podia ligar para o seminário e nesse dia recebia novo carregamento de amor. 

Ainda hoje é assim. A minha mãe abastece o meu coração de amor, determinação, garra, responsabilidade e perseverança. Aquilo que a vida nos dá, é aquilo pelo qual lutamos; foi sempre o que aprendi da minha mãe, Margarida de nome.

Um abraço

quinta-feira, setembro 24, 2015

A MINHA VARANDA

Ora viva

Da minha varanda vejo o mundo. Hoje, a meio da tarde, estava saturado de ideias, confusões do dia, leituras…enfim, precisava de ar. Fui até à minha varanda, fechei os olhos, desliguei-me. Consegui ouvir os sinos de uma Igreja que nem sabia haver perto, um avião, o mar, os pássaros no adeus do Verão, a rua, o silêncio. Ouvi isto tudo, e deixei de ouvir as minhas confusões que me torravam o cérebro. 

Pensar é um movimento tramado. Exige tudo de nós. Depois precisamos de varandas que nos levem para outro lado da nossa vida, onde até pode haver silêncio e outras coisas que nos fazem falta. Haja uma varanda que nos aproxime de tudo o que é realmente importante.

 Qual é a vossa varanda?

abraço

segunda-feira, maio 04, 2015

TODO O TEMPO QUE O MUNDO TEM

Ora viva



Perante o tempo…somos impotentes. Todo o tempo, da meteorologia ao relógio. O tempo mostra-nos o nosso lugar. Somos instantes pequenos no infinito universo da história universal. No meu dia-a-dia, no que ao tempo do relógio diz respeito, sou organizado e só gasto tempo com quem gosto, naquilo que gosto. O tempo é precioso, irrepetível. 

Quanto à meteorologia, tirem-me da frente nevoeiro e ventanias. Mas o que nos adianta não gostar, se não pudemos mudar, não adiantamos nem atrasamos. Perante o tempo somos aquilo que somos sempre, frágeis. De que vale a correria, se na corrida passamos ao lado de tanta coisa que pode distinguir a nossa vida. De que me vale amuar em dias de vento e nevoeiro, se a roda dos dias avança na mesma? 

Viver é o melhor remédio. O melhor e o maior remédio que temos. Extraordinária oportunidade diária. Momentânea. Aproveitem. Tudo. Ao máximo.

ABRAÇO

Hélder

segunda-feira, abril 27, 2015

OS OUTROS

ORA VIVA


Os problemas dos outros são sempre dos outros, ainda que amemos profundamente os outros antes dos seus problemas. É sempre um conflito entrar na história da outra pessoa. Não há um livro que registe a memória, as emoções, as estratégias. Não há um livro de estilo. Por mais que nos esforcemos a história nunca será a nossa. Honestamente, acho que não deve ser. A objetividade é sempre uma ferramenta para lidar com a crise.
Esta distância sobre os problemas que não são os nossos pode fazer de nós maus ouvintes, e até insensíveis para com a dor dos outros. Nunca percebemos bem o que é um dia complicado de um amigo se não vivemos o dia desse amigo. Fazemos uma ideia.
Nunca entenderemos a morte de um pai de um colega de trabalho porque não sabemos da dinâmica que havia entre ambos, e nem conhecemos o lugar mais secreto da afetividade que os unia ou desligava. Os outros serão sempre os outros e nunca nós, por muito amor que lhes tenhamos.

ABRAÇO

sexta-feira, abril 10, 2015

Laranjeiras em flor

Ora viva

Laranjeiras em flor é o melhor e maior sinal de verão, frescura, liberdade e sabor a vento. Uma ida ao nosso Alentejo ou Algarve, por esta ocasião, é dar o melhor mergulho na infância. As correrias pela rua, a bicicleta, as casas muito brancas, as escadas dos jogos sem fim. Tudo isto é, para mim, laranjeiras em flor. A par do aroma, que me fica na boca, a beleza da flor. Tão bonita como frágil, dura tão pouco e marca tanto. 

No fim do perfume e das flores, vem o fruto, que fresco recebe o verão. Uma laranja fresca no fim de um almoço de verão, entre amigos e abraços, é a melhor forma de celebrar a criação da cor, da amizade, da sede saciada, da memória de antigamente. Tanta coisa numa flor de laranjeira, que as grandes perfumarias bem tentam eternizar mas não conseguem, ninguém consegue pôr tanto num frasco. 

abraços

sexta-feira, março 06, 2015

perder e vencer

Ora viva

Perder pode ser uma incrível forma de vencer. Tenho várias derrotas na minha vida, algumas ainda não engoli bem. Grande parte delas deram-me vitórias nos dias de hoje. É assim comigo, é assim com o mundo inteiro. Dar a volta. Fazer do velho novo. Reconverter. Recomeçar. São verbos que gosto. Perder alicia a nossa paciência, a nossa resistência, fortalece o sopro da nossa vontade. Perder é tramado, dá a volta à tripa da nossa existência. 

Eu nunca daria tanto valor às minhas vitórias se não tivesse as minhas derrotas, as minhas quase tragédias. Mas não é tudo estrada à frente. Perder pode ser uma pedra no sapato e na mente. Perder esgota, gasta e consome. Perder derrete-nos por dentro. O bom é agarrar na lama dessas derrotas e dar músculo à vida, limpar a cabeça, limpar a casa da alma, perdoar e avançar. Não há outra, nem melhor, forma de vencer.

abraço

terça-feira, fevereiro 10, 2015

O frio

Ora viva

Podia custar menos, mas custa muito, passar frio! Podia não me saber tão bem, mas sabe-me a vida, músculos, palpitações. Sou fascinado por dias de Inverno, frios, cheios de sol, com árvores despidas e gente agasalhada na rua. Sabe-me melhor a bebida quente, as camadas de roupa, a luz abrigada, a forma das coisas, a mesa. O frio chama-me ao centro de mim, concentra-me. É assim, nem mais nem menos. 

Por norma levanto-me cedo. Como repórter tenho uma vida exposta ao frio, chuva, calor, desconforto, conforto, tudo num mesmo dia. Custa, muitas vezes, mas gosto, quase sempre.
A par de tudo isto há o olhar a natureza e saber que ela está abrigada dentro de si mesma, a preparar-se para sair, mostrar a sua beleza numa primavera que se quer sempre morna e com os dias a crescer.


Por tudo isto, o inverno sabe-me bem. Leva-me para o melhor de mim, o melhor de tudo o que ciclicamente vai nascer. E recomeçar pode ser tudo o que é esperança.

Bons dias de inverno

até já.

HR

terça-feira, janeiro 27, 2015

JANEIRO


Ora viva


Janeiro é o mês das concretizações. Em dezembro desejamos, em janeiro cumprimos. Pode ser? A ser, janeiro é um mês difícil. Todos falhamos nas concretizações e por conseguinte todos ficamos aborrecidos cá por dentro, é o pior dos conflitos. Eu gosto do inverno, muito. Gosto do frio, da regeneração, das mesas fartas, da lareira, do vinho tinto, de tisanas quentes, das malhas e blusões, do sol de inverno, da luz das manhãs frias.
Para mim, todos estes gostos inspiram à concretização dos meus votos de dezembro. Um dia, uma possibilidade, e com um cenário meteorológico excelente. Provavelmente é por isto que gosto tanto do inverno, de janeiro e de falhar com objetivos; sei que posso sempre voltar a tentar amanhã, porque amanhã ainda é janeiro e um ótimo dia de inverno: a altura ideal para recomeçar.

até amanhã

hélder

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Espreitei para uma casa

Ora viva



Há dias, enquanto passeava a minha cadela e as minhas ideias, vi uma senhora a decorar a sua árvore de Natal. Sim, espreitei para dentro de uma casa. A mulher estava sozinha, mas feliz. Ajustava, com detalhe, cada brilho da árvore. Foi a melhor imagem que tive deste Natal. Preparar a casa para a época. É como quando nos aperaltamos para uma ocasião especial. Mas no Natal todos os dias são ocasião solene.

O meu Natal é sempre maravilhoso. Mesmo depois de saber o que é não ter alguém para sempre…na nossa mesa. O fabuloso do Natal é mesmo isso, persistir. Persiste à dor, à morte, à guerra, à derrota, à tristeza, ao luto, à pobreza, às dívidas, ao desamor, a toda a espécie de fins. O Natal mantem-se, fiel a si. Solene. Provavelmente aquela mulher teria marido e filhos, para os quais vestia a casa. Provavelmente aquela mulher vivia sozinha e enfrentava a maior dor da sua vida. Mas o Natal mantem-se, digno de si mesmo. Haja o que houver, seja para quem for. Feliz Natal

Abraço

segunda-feira, novembro 17, 2014

AS SAUDADES

Olá gente boa


As saudades. Nunca percebi este sentimento. Confesso, não me dou muito à saudade. Há coisas boas de nos recordamos, pessoas, momentos. A saudade, a mim, parece-me sempre coisa do passado, e que não volta, e que dificilmente ajudará no futuro. Não quero ser injusto com o sentimento mais português que o mundo conheceu. 

Há vezes em que a saudade até me parece injusta. Eu explico: lembrar-se de uma pessoa que amamos, que já não está entre nós; alimentar esta saudade é dano para a alma, dor para o coração, e a pessoa nunca voltará. Ficam os bons momentos. Pois ficam, isso é um facto, mas não voltam os momentos. Não regressam as pessoas.

É…acho que afinal de contas não gosto da saudade. É tristeza para a alma, e ausência para o coração. Não consigo gostar daquilo que me faz sentir falta.

Até amanhã

Hélder

quarta-feira, outubro 08, 2014

perder

ora viva

Saber perder exige tanta humildade como saber ganhar. Quando perdemos há sempre uma revolta, um certo desejo de vingança, uma vontade de desistir. Tudo na escala da perda que sofremos, claro. Mas que há sempre um frio de indignação, isso há. Pois bem, eu tenho perdido, como todos vocês. E com o tempo que o tempo me tem dado, tenho-me apercebido da necessidade de humildade para receber a derrota. Não é resignação, é humildade. Quando perco, olho para o que perco e pergunto: e agora? O que vou fazer contigo? Antes disso, vasculho dentro de mim os motivos, as culpas, as soluções. 

Este é o esqueleto de como lido com a perda. Nem sempre chego às respostas, e eu que tanto gosto de boas respostas. Mas, até à data, tenho resolvido quase todas as minhas perdas. Nem sempre fáceis. Nunca públicas. Coisas minhas, de mim para mim e depois de mim para o mundo. No fim de contas fica a humildade, a minha humildade sai sempre mais forte depois de cada derrota.

abraço

quarta-feira, setembro 24, 2014

O silêncio

Ora viva

No princípio era o silêncio e o silêncio tornou-se no princípio de todas as coisas. Quanto mais vivo, mais gosto do silêncio. Quanto mais gosto do silêncio, mais vivo. Como profissional da comunicação, cabe-me saber perguntar, mas também saber ouvir a resposta. Nunca farei uma boa pergunta, com toda a preparação e concentração que perguntar exige, se não me dedicar à resposta do meu convidado. Para tal tenho de me calar, é simples. Nunca conseguirei fazer uma nova canção se não me calar e ouvir o silêncio, que é o espaço onde existe a criação. Para vos escrever este texto, estou sentado, em silêncio, na companhia de uma luz morna, uma janela aberta, no sossego da casa.


O mundo é falador. Cada vez mais. Há gente que não se cala. Por todas estas contas, gosto de gente calada, não dos sonsos, mas daqueles que se calam para ouvir, ou porque não têm nada a acrescentar. Quem disse que temos de ter sempre opinião? Ou que para se ser sincero tem de ser dizer tudo o que se pensa e não pensar no que se diz, ou se vale a pena dizer?


 O silêncio é de ouro, diz quem sabe, e há muitos anos. Eu gosto do admirável mundo do ouvir calado. Experimentem. Vale mesmo a pena!

Abraço

terça-feira, setembro 16, 2014

O tempo que faz lá fora

Ora viva

O tempo que faz lá fora nunca é o tempo que faz dentro de mim. Falo de meteorologia. Gosto do tempo todo. A chuva embala-me o corpo, apetece-me quente. O calor amolece-me a alma, desejo as árvores e a sua sombra. O vento acorda-me os músculos, espevita-me por dentro. O nevoeiro adormece-me os sentidos. A trovoada acorda-me os olhos. Gosto da luz do outono, das manhãs de primavera, das noites de verão, da morrinha do inverno.


 Do frio na pele e chegar a um sítio quente. Gosto muito da minha vida cá por dentro, e acho que ela fica agradada com qualquer tempo que faça cá fora. Isto é bom. Nunca estou sentado no constante do mesmo tempo. O meu corpo, o meu dentro, surpreende-se sempre com cada estado de tempo…e a monotonia morre entediada. Sempre gostei das coisas de dentro para fora. Parecem-me sempre mais resolvidas. Neste movimento, quando o meu dentro se confronta com o tempo cá de fora, a surpresa e o agrado são sempre constantes. Experimentem!

abraço
Hélder

sexta-feira, agosto 29, 2014

Meu querido mês de setembro

Ora viva

Setembro era um mês que eu adorava. Dias mornos. Molenguice. Vontade de nada. Fins da tarde na praia, a apetecer uma toalha enrolada no corpo. A areia a suspirar de alívio depois das enchentes de Verão. Preparar o regresso às aulas, à altura sem esta especulação de mercado! Enfim…dias serenos do meu querido mês de Setembro. 

Bom…agora setembro parece o mês em que se concretiza tudo aquilo que uns e outros andaram a preparar entre julho e agosto. Pois é neste mês nove que tomamos conhecimento de tudo. Muito muda. Muito aumenta. Muito se despede. Muito se contrata. Muito se espera e desespera. Até parece que os dias apetecem menos com medo do mês em que todos os ventos se conhecem. 

A verdade é que quando eu vivia os suaves dias de setembro dos tempos idos, a vida não me fazia tanta aflição como me faz hoje. Crescer tem destas coisas. Emancipa-nos e dá cabo da nossa inocência. 

até amanhã
Hélder

domingo, agosto 24, 2014

Viajar e Regressar

Ora Viva

Gosto muito de viajar. É um prazer e um investimento na minha cultura. Não há livro que substitua uma viagem. Considero-me um homem já com algumas grandes viagens feitas. Curiosamente, cada vez que faço uma incursão, já preparo a próxima. Não há nada melhor do que preparar uma viagem enquanto se está a viajar. Parece um movimento contínuo e intrínseco à minha rotina.

O mundo é, efectivamente, muito grande. Já me apercebi que não viverei o suficiente para todas as viagens que quero fazer, vou tentar acreditar que uma nova vida me dará o resto do tempo.

A par de viajar, gosto de regressar a casa. Mas gosto muito. O cheiro das minhas coisas faz-me falta. Em cada objeto estão as pessoas que amo, só elas vão e habitam o meu lar. Sabe-me bem entrar nas minhas paredes, no fim de uma viagem, abrir a porta e ainda com as malas na mão inspirar a minha casa. Encher os pulmões com o ar e a luz do sítio onde vivo, e matar saudades cá por dentro.

Entendo que viajar é tão bom como regessar. Em cada regresso nasce a vontade de uma nova viagem, certamente porque tenho um lugar para onde voltar e que tanto amo, a minha casa!
Até amanhã