segunda-feira, outubro 15, 2018

Empresta-me o teu azul

Empresta-me um pouco de azul
Porque hoje estou vazio
Vazio é sempre que estamos descolorados
Descoloradas são as pessoas que estão sem lugar
Empresta-me do azul dos teus olhos
Ou então deixa-me afogar nessa tua cor
Porque hoje nada me pinta a alma.
Pelo azul dos teus olhos                      eu recuperava a respiração.
Coisa que me falta na tua ausência.
Sacana da morte que nos leva quem amamos e nos deixa o amor sem termos quem amar.
E o azul... emprestas-me ou não?
Hoje não garanto que te devolva.
Amanhã. Talvez amanhã

         
                     HR conversas com o céu

segunda-feira, outubro 08, 2018

NU NA PRAIA



 fotografias HR 2018






Foram 9 dias de praia. Água tão morna como transparente. Areia fina a engolir a água meiga do mar . Um sol dourado, a querer dourar. Cheguei aqui um caos de pessoa. A precisar de um silêncio acolhedor e espaçoso, que só a praia teria. E teve. Uma casa de janelas para chaminés brancas e porta para o mar. Uma cama de rede. A vida haveria de ser uma cama de rede. Debussy, que parece sair da minha seiva, e a vida fez-se.

Vi gaivotas em banhos pesqueiros. Incríveis mergulhos. Os delas e os meus. Porque o mar me proibia de não o experimentar, repetidamente. Havia ainda maçãs. Roer maçãs na praia, a lembrar os GNR, é um alimento para o palato da alma.

Li 5 livros. A poesia de Sophia, porque a praia manda; Tolentino, era obrigatório para a liberdade; Miguel Esteves para me dar um Portugal dele; Ishiguro para receber mundo, e a biografia de Nevada Hayes. Substitui as pessoas por livros e as redes sociais pelas conchas. Correu-me bem.

Grelhei peixe todos os dias e com ele grelhei as correrias do dia a dia, ainda que todos os dias eu corresse, no meu tempo, uns saudáveis 8 km, para suar o corpo e a alma. 

Bebi esta vida toda com um bom vinho do norte ao sul. E em 9 dias... despedi-me do Verão e despi-me de mim, para me vestir de serenidade de maresia. Porque da vida o melhor que recebemos... sabe a mar e a amar. E fui forte. Mais forte do que eu. Mais forte do que o mar... como canta Cristina Branco.

O titulo deste texto era só para chamar a atenção. Não me levem a mal. Mas as vergonhas são para serem tapadas. Mas despi-me de confusões ... ai isso sim... e sem pudores, porque para ser livre e inteiro, tem de ser agora, amanhã será tarde.

Divirtam-se .

HR



























quinta-feira, setembro 27, 2018

SEPARAÇÃO

Inevitável. É o que é. Dramática. É o que não é. Não separe o homem o que Deus uniu... e até que a morte vos separe. Sabemos que não é verdade, não pode ser, não depende de nós, e falhamos logo à nascença. Felizmente, cortam-nos da nossa mãe, e na primeira respiração já somos nós, aqueles que se separam. Separamo-nos das coisas de criança, dos nossos pais, de irmãos, de vícios e hábitos antigos, separamo-nos de caminhos e modos de ser. Separamo-nos da comida preferida, dos sonhos antigos e até de trabalhos seguros. Separamo-nos da roupa preferida, da canção que era a de sempre, e do ídolo que seria eterno. Separamo-nos de quem havíamos escolhido para o sempre... E até nos separamos de convicções. Porquê? Porque queremos ser mais, ou ser menos. E não vejo mal nenhum.

Separamo-nos de amigos, para os encontrar, se resistirem à separação, em nome do reencontro. Porque o que se separa e é unido pelo amor, está no caminho do reencontro; nem sempre acontece, não tem de acontecer.

Mas não vos sabe bem a possibilidade de reencontrar o conforto do que nos separamos e voltamos a encontrar com vontade de unir?

Para mim, a separação é o jeito mais doloroso de criar a união mais duradoura. Não faz sentido? Se um dia se ligarem ao que alguma vez se separaram, vão ver que o sentido é total.

Pior do que não separar, é fingir que se está unido.

Até já.

Hélder

segunda-feira, setembro 24, 2018

SORRISO NO CANTO DA ALMA

Sorri para mim, sorrirei para ti. Um sorriso é tão meigo como poderoso, mas a mim importa a meiguice, que de poder o mundo está cheio. Quando era criança convivi com o sorriso mais rasgado do mundo, o da minha mãe. Quando íamos de bicicleta para a praia, o mundo não era mais nada, sorrisos, areia e mar. Barrigadas de sorrisos, que ocupavam todos os cantos da alma.

Ficou-me para a vida que um sorriso não só pode fazer um Verão, como faz uma vida. A dinâmica é fácil, sorri para mim, sorrio para ti. Ligeiro, leve leve, como em Santo Tomé, afinal a vida descobre-se num lábio que ri e nos mostra uma alma com vontade de ser feliz, sabemos que não somos felizes, estamos felizes e queremos ser felizes, sempre na caminhada.

Mas fica-me o exercício. Sorri para mim, sorrio para ti.

quinta-feira, setembro 20, 2018

O MEDO QUE NOS LEVANTA


O medo não é coisa má. O medo assenta-nos os pés no coração. Provoca-nos. Sempre gostei da provocação, que venha para me acrescentar e sou todo ouvidos. Já tive medo, já tive medos. Já desisti e levantei-me e já me levantei sem desistir. No final do rosário dos medos... o balanço foi sempre positivo. Fortaleci a alma, que é o músculo mais importante da minha emoção.

Quando tive de enfrentar os meus maiores medos, curiosamente, foi quando me tornei indomável, focado, sereno, livre, e a querer prolongar-me em tudo o que amo. E amo, amei, fui amado, sou amado. Porque no fundo, tudo se resolve com o amor que damos, porque será o amor que recebemos; e neste movimento do amor, o medo, qualquer tipo de medo, fica a perder, porque nos erguemos, levantamo-nos, estamos de pé para ele.

até já


HR


segunda-feira, setembro 17, 2018

NÃO NASCI PARA SER ESTRELA

Nasci para comunicar. Da minha vida 12 anos são de seminário. O adivinhar de uma vocação para ser sacerdote. Falhei. Ou a fé falhou-me. Ainda não sei. Sei que segui outro caminho. Ser padre é um ritual complexo de comunicação. Longe eu de saber o meu futuro, no seminário ensaiei-me em contacto com multidões, cantorias a solo e solenes, altares, que são uma espécie de palco sagrado. Ensaiei-me para comunicar.

Quando deixei este projeto, sempre convicto que era o que eu nao queria. Não há melhor garra do que a de saber o que não queremos para nós.  Fiquei perdido. E agora? O que vou fazer? O que sei fazer? Tinha as cantorias... surgiu-me a RTP. Era, orgulhosamente, empregado da Praça da Alegria. Comunicava com a minha presença, que sempre quis que fosse humilde e afirmativa. Não era para falar. Mas sempre gostei da palavra. Um dia... falei. Outros dias depois começaram responsabilidades de apresentador. Estudei jornalismo. Acabei Teologia. Li e leio sobre o tema. Observei quem faz TV. Aprendi com os melhores. Fiz-me. Fizeram-me.

Hoje, a televisão é o meio pelo qual atravesso mensagens construtivas, palavras pensadas, gestos delicados, carinho por quem abraça. Fiz e faço uma televisão de rua, sem rede de estúdio, mas com o amparo de uma gente de Portugal que só é imensa.

É dos meus convidados anónimos para o público que eu amo construir uma entrevista. Contar histórias Todos temos uma bela história. Comunicar sentidos e sentimentos. Esta minha vida de falar em televisão afastou-me de um outro tipo de televisao; mais charmosa, do recato de um estúdio, mais pomposa e ilustre. O meu caminho foi outro. É outro. Sou outro. Com o preço que tem.

Não tenho vocação de estrela. Tenho vocação de comunicador. Longe da perfeição e mas muito perto da felicidade.

Obrigado por estes anos. Cada um.

HR

terça-feira, setembro 11, 2018

SOBRE A PELE...


BALCÃS\HR

As mãos. Os olhos. A pele. O abraço. O compromisso. A cor. Não sou dos que acham que já foi o tempo dos valores, sou dos que sentem falta de tempo para os valores. Às vezes, a vida pede-nos jogos pessoais, artimanhas sociais, velocidades interiores que atropelam os valores. Barreiras. Errado, tão errado. É quase legítima defesa. E depois? O que nos fica?

Continuo esperançado na força de um aperto de mão e de um abraço. Cada vez menos sentidos, eu sei. Cada vez mais precisos, eu sinto. É como ousar necessitar escutar um outro coração, para que o nosso bata com a mesma intensidade. O som compõe-se de multiplicidade.

Até já

HR