segunda-feira, outubro 08, 2018

NU NA PRAIA



 fotografias HR 2018






Foram 9 dias de praia. Água tão morna como transparente. Areia fina a engolir a água meiga do mar . Um sol dourado, a querer dourar. Cheguei aqui um caos de pessoa. A precisar de um silêncio acolhedor e espaçoso, que só a praia teria. E teve. Uma casa de janelas para chaminés brancas e porta para o mar. Uma cama de rede. A vida haveria de ser uma cama de rede. Debussy, que parece sair da minha seiva, e a vida fez-se.

Vi gaivotas em banhos pesqueiros. Incríveis mergulhos. Os delas e os meus. Porque o mar me proibia de não o experimentar, repetidamente. Havia ainda maçãs. Roer maçãs na praia, a lembrar os GNR, é um alimento para o palato da alma.

Li 5 livros. A poesia de Sophia, porque a praia manda; Tolentino, era obrigatório para a liberdade; Miguel Esteves para me dar um Portugal dele; Ishiguro para receber mundo, e a biografia de Nevada Hayes. Substitui as pessoas por livros e as redes sociais pelas conchas. Correu-me bem.

Grelhei peixe todos os dias e com ele grelhei as correrias do dia a dia, ainda que todos os dias eu corresse, no meu tempo, uns saudáveis 8 km, para suar o corpo e a alma. 

Bebi esta vida toda com um bom vinho do norte ao sul. E em 9 dias... despedi-me do Verão e despi-me de mim, para me vestir de serenidade de maresia. Porque da vida o melhor que recebemos... sabe a mar e a amar. E fui forte. Mais forte do que eu. Mais forte do que o mar... como canta Cristina Branco.

O titulo deste texto era só para chamar a atenção. Não me levem a mal. Mas as vergonhas são para serem tapadas. Mas despi-me de confusões ... ai isso sim... e sem pudores, porque para ser livre e inteiro, tem de ser agora, amanhã será tarde.

Divirtam-se .

HR



























quinta-feira, setembro 27, 2018

SEPARAÇÃO

Inevitável. É o que é. Dramática. É o que não é. Não separe o homem o que Deus uniu... e até que a morte vos separe. Sabemos que não é verdade, não pode ser, não depende de nós, e falhamos logo à nascença. Felizmente, cortam-nos da nossa mãe, e na primeira respiração já somos nós, aqueles que se separam. Separamo-nos das coisas de criança, dos nossos pais, de irmãos, de vícios e hábitos antigos, separamo-nos de caminhos e modos de ser. Separamo-nos da comida preferida, dos sonhos antigos e até de trabalhos seguros. Separamo-nos da roupa preferida, da canção que era a de sempre, e do ídolo que seria eterno. Separamo-nos de quem havíamos escolhido para o sempre... E até nos separamos de convicções. Porquê? Porque queremos ser mais, ou ser menos. E não vejo mal nenhum.

Separamo-nos de amigos, para os encontrar, se resistirem à separação, em nome do reencontro. Porque o que se separa e é unido pelo amor, está no caminho do reencontro; nem sempre acontece, não tem de acontecer.

Mas não vos sabe bem a possibilidade de reencontrar o conforto do que nos separamos e voltamos a encontrar com vontade de unir?

Para mim, a separação é o jeito mais doloroso de criar a união mais duradoura. Não faz sentido? Se um dia se ligarem ao que alguma vez se separaram, vão ver que o sentido é total.

Pior do que não separar, é fingir que se está unido.

Até já.

Hélder

segunda-feira, setembro 24, 2018

SORRISO NO CANTO DA ALMA

Sorri para mim, sorrirei para ti. Um sorriso é tão meigo como poderoso, mas a mim importa a meiguice, que de poder o mundo está cheio. Quando era criança convivi com o sorriso mais rasgado do mundo, o da minha mãe. Quando íamos de bicicleta para a praia, o mundo não era mais nada, sorrisos, areia e mar. Barrigadas de sorrisos, que ocupavam todos os cantos da alma.

Ficou-me para a vida que um sorriso não só pode fazer um Verão, como faz uma vida. A dinâmica é fácil, sorri para mim, sorrio para ti. Ligeiro, leve leve, como em Santo Tomé, afinal a vida descobre-se num lábio que ri e nos mostra uma alma com vontade de ser feliz, sabemos que não somos felizes, estamos felizes e queremos ser felizes, sempre na caminhada.

Mas fica-me o exercício. Sorri para mim, sorrio para ti.

quinta-feira, setembro 20, 2018

O MEDO QUE NOS LEVANTA


O medo não é coisa má. O medo assenta-nos os pés no coração. Provoca-nos. Sempre gostei da provocação, que venha para me acrescentar e sou todo ouvidos. Já tive medo, já tive medos. Já desisti e levantei-me e já me levantei sem desistir. No final do rosário dos medos... o balanço foi sempre positivo. Fortaleci a alma, que é o músculo mais importante da minha emoção.

Quando tive de enfrentar os meus maiores medos, curiosamente, foi quando me tornei indomável, focado, sereno, livre, e a querer prolongar-me em tudo o que amo. E amo, amei, fui amado, sou amado. Porque no fundo, tudo se resolve com o amor que damos, porque será o amor que recebemos; e neste movimento do amor, o medo, qualquer tipo de medo, fica a perder, porque nos erguemos, levantamo-nos, estamos de pé para ele.

até já


HR


segunda-feira, setembro 17, 2018

NÃO NASCI PARA SER ESTRELA

Nasci para comunicar. Da minha vida 12 anos são de seminário. O adivinhar de uma vocação para ser sacerdote. Falhei. Ou a fé falhou-me. Ainda não sei. Sei que segui outro caminho. Ser padre é um ritual complexo de comunicação. Longe eu de saber o meu futuro, no seminário ensaiei-me em contacto com multidões, cantorias a solo e solenes, altares, que são uma espécie de palco sagrado. Ensaiei-me para comunicar.

Quando deixei este projeto, sempre convicto que era o que eu nao queria. Não há melhor garra do que a de saber o que não queremos para nós.  Fiquei perdido. E agora? O que vou fazer? O que sei fazer? Tinha as cantorias... surgiu-me a RTP. Era, orgulhosamente, empregado da Praça da Alegria. Comunicava com a minha presença, que sempre quis que fosse humilde e afirmativa. Não era para falar. Mas sempre gostei da palavra. Um dia... falei. Outros dias depois começaram responsabilidades de apresentador. Estudei jornalismo. Acabei Teologia. Li e leio sobre o tema. Observei quem faz TV. Aprendi com os melhores. Fiz-me. Fizeram-me.

Hoje, a televisão é o meio pelo qual atravesso mensagens construtivas, palavras pensadas, gestos delicados, carinho por quem abraça. Fiz e faço uma televisão de rua, sem rede de estúdio, mas com o amparo de uma gente de Portugal que só é imensa.

É dos meus convidados anónimos para o público que eu amo construir uma entrevista. Contar histórias Todos temos uma bela história. Comunicar sentidos e sentimentos. Esta minha vida de falar em televisão afastou-me de um outro tipo de televisao; mais charmosa, do recato de um estúdio, mais pomposa e ilustre. O meu caminho foi outro. É outro. Sou outro. Com o preço que tem.

Não tenho vocação de estrela. Tenho vocação de comunicador. Longe da perfeição e mas muito perto da felicidade.

Obrigado por estes anos. Cada um.

HR

terça-feira, setembro 11, 2018

SOBRE A PELE...


BALCÃS\HR

As mãos. Os olhos. A pele. O abraço. O compromisso. A cor. Não sou dos que acham que já foi o tempo dos valores, sou dos que sentem falta de tempo para os valores. Às vezes, a vida pede-nos jogos pessoais, artimanhas sociais, velocidades interiores que atropelam os valores. Barreiras. Errado, tão errado. É quase legítima defesa. E depois? O que nos fica?

Continuo esperançado na força de um aperto de mão e de um abraço. Cada vez menos sentidos, eu sei. Cada vez mais precisos, eu sinto. É como ousar necessitar escutar um outro coração, para que o nosso bata com a mesma intensidade. O som compõe-se de multiplicidade.

Até já

HR


domingo, setembro 09, 2018

CANSADO

Cansado. Às vezes sento-me cansado e parece que o meu corpo e a minha cabeça não se sentam comigo. Nunca sentiram? Eu quero que tudo o que é meu pare, respire fundo, relaxe, e o movimento não permite.

O mundo tem muito movimento.

Podem ser os meus 43 anos e muitos outros de algumas coisas na minha vida, mas há dias de muito cansaço. E sabem que mais? Não vejo nisto um problema. É uma realidade desta nossa curta existência. Há muito barulho na rua, nas lojas, nos restaurantes, nas igrejas, no trabalho. A vida pede-nos tudo. O erro é impossível. As pessoas iludem e desiludem... e tudo isto cansa... ou vai cansando.


Eu não me sento no cansaço. Isso seria grave. Sento-me no descanso e na vontade,  para depois me levantar. Tal como o faço há 43 anos. Levantar-me.


Saúde

HR

terça-feira, setembro 04, 2018

Quem vê portas...

                           Fotografia HR


A glória e as portas são-nos dadas todos os dias. Ou entramos. Ou ficamos à soleira... a meio da escada... a meio da rampa... ou não entramos de todo.

Em bom da verdade... não temos de entrar em todas as portas que vemos. Mesmo as tentadoras. O não também serve ao movimento. Às vezes, muitas vezes, basta contemplar a porta e imaginar o que vive dentro da sombra daquela casa. Há casas erradas para nós mas com belas entradas.

Quem vê fachadas... não vê corações, mesmo os mais religiosos.

HR

Conveniente

A vida é  conveniente mas não é uma conveniência. Amar exige esforço. Trabalhar é um desgaste. Os amigos são uma dedicação. A luz desilude. A noite ilude.

A vida seria bem melhor sem a expectativa da conveniência. Eu sei. Todos sabem. Mas somos seres que vivem do elevadíssimo luxo da conveniência. E agora?

Até já

HR

domingo, setembro 02, 2018

Definição

Orgulha te de todo o silêncio que conquistares
Um dia serás colecionador de silêncios
Portanto, um observador.
           
HR/2018

O silêncio que queremos calar

                     
                             Mourão|2018|HR


Ora viva. O silêncio. Os Silence 4 têm a melhor canção sobre o estado desta quietude auditiva. O mundo está cada vez mais barulhento. As pessoas falam alto, sem saberem que a afirmação vem da atitude e não do volume.

As criancas gritam porque os pais acham saudável a libertação pulmonar dos miúdos. As musicas estão altas nas lojas, nos bares, nas ruas...

E falam e falam falam falam falam. Sem pontos e virgulas e .muito menos parágrafos. Estar calado é uma virtude. Eu sou dos calados. Não dos que as fazem pela calada. Sempre confundiram o meu silêncio com timidez. Porque falaram sempre mais do que me ouviram e olharam. Uma boa conversa é feita de silêncio. Partilhar silêncio numa relação é a maior idade da mesma. Só grandes amigos sabem estar juntos e calados.


Experimentem o silêncio que o mundo tem e que nós tanto queremos calar.

Até já.

sábado, setembro 01, 2018

A tua carreira acabou... sem nuvens

                  HR 2018

Quem nunca passou um bocado a olhar as nuvens e a perceber-lhes a forma. Elas só podem nascer de uma máquina que lhes dá a geometria. Seja de onde vierem... eu sempre as acreditei... tal como nos meus sonhos.

Há uns bons anos, já era eu um rapaz da televisão, um diretor disse que por eu já ser velho, devia encarar a minha carreira por findada. Nesse dia as nuvens ganharam forma de tempestade. Caramba... ainda tinha céus por conquistar. Julgava.

Não desisti. Mantive a rota do querer... nem muito nem pouco... só querer. E aconteceu. O senhor diretor saiu... eu mantive-me... às vezes a olhar as nuvens... e fiz novos programas... confiaram me emissões especiais, delegaram me representações internacionais em nome da RTP... Eu e todas as nuvens que ainda insistia agarrar, dar lhes nome e forma.

Eu acredito que quando se quer... a culpa é da vontade. E há uma nuvem para todos nós .

HR

sexta-feira, agosto 31, 2018

Sobre portas e telhados

                  Alentejo.2018.HR

Ora viva


Uma porta é um inegável banquete de possibilidades. Uma porta no telhado coloca-nos ainda mais perto dos lugares altos e possíveis.

Tenho um fascínio por as fotografar. Portas e janelas. Imaginar quem vive nelas. Nas casas que mais não são que gente vestida de cal e sítios permanentes.

O primeiro poema que escrevi foi sobre uma janela. Um entendedor metido no seu conhecimento achou-o mediano e sem tema. Nunca mais parei de escrever. Nunca mais parou o meu fascínio pelas geometrias que se desenham nas casas, que deixam ver a forma da luz, mas que podiam bem se desenhar nos nossos corpos.

Até já.

HR


quarta-feira, agosto 29, 2018

Preciso de asas que me levem para longe de mim.

HR

Observar. Não há melhor verbo para acompanhar a beleza e a sabedoria. Esta flor nasceu me em casa. De um cato que não é para brincadeiras. Longe de o saber sensível na cor. Hoje encontrei o assim... despido de vergonha e abusado na cor. Não reparei entre uma selva que crio na varanda. Escapou me.

Por isso... observar. Não há melhor forma de conhecer um bom ou mau ouvinte. Um amante da estética. Um bajulador. Um lambe botas e um ardiloso. Um cato de uma flor... ou os dois em um. Observem... 5 minutos. Quando era novo... sim... 43 já me dão velhice. Diziam me: a forma como olhas até magoa... parece que estás escavar.

E estou. Sempre a escavar para perceber. Escavar com os olhos... para se chegar ao lugar onde tudo nasce. E mesmo assim escapou se me este cato em flor.

Fotografei o. Para guardar  a sua beleza e a minha distração.

Experimentem.

Até.

terça-feira, agosto 28, 2018

Senta-te naquele banco daquele mesmo jardim
O jardim que sempre pensas
Quando pensas num jardim
Arruma-te no teu lugar
Observa o tempo passar por ti
Dentro de ti
Por fora de ti
Ao teu lado
É para tudo isto que serve um banco
Um jardim
E toda a imaginação que tens de ti
E das horas da tua vida
Observa-te
Como se fosse agora o teu princípio
Nesse mesmo jardim
Nesse mesmo banco
HR

segunda-feira, agosto 27, 2018

Ora Viva


Hoje arranquei ervas de alguns vasos da minha varanda. Arranquei-as como se arrancasse as mesmas da minha vida. Folha e raiz, para não lhes deixar fôlego para renascerem. Semeia-se para se colher e arrancam-se ervas para se plantar em terra limpa.

Quando era muito garoto, e vivia num campo que era perto da praia, passava os dias descalço, havia sapatos, mas não existia melhor sensação do que a de sentir o sítio onde se planta na palma do pé, na raiz do meu corpo. Tudo, mas tudo faz mais sentido quando mais velhos e com a nobre capacidade de eliminar as daninhas da vida, nem que se comece por um vaso.

até já

HR

domingo, agosto 26, 2018

Agarro na palavra
Como se fosse músculo e folhas
Seguro-a com os dentes
Vontade de comer
Trinco as letras e construo sentidos
Mastigo as frases
Engulo as verdades
Cuspo as mentiras
Sou um comedor de conversas cartas bilhetes e outros alimentos
Sobrevivo à custa da palavra
Da que é dita com os olhos e a pele
         HR 2018

sexta-feira, agosto 24, 2018

A REDE

Ora viva

Fiz contas, confesso-me mau contador, e gasto 55 minutos por dia nas redes sociais. Gastava. A rede furou. Já todos ouvimos e lemos sobre a intoxicação das redes, já há os detox da rede. Percebo. Não quero. Prefiro não usar.

Entras na rede e vais na faina, és robalo do facebook, sardinha do instagram, e usas um whatsup que te revela se a pessoa leu ou não, está online ou já esteve e por aí fora... Eu quero as cartas de volta, os selos de correio, as chamadas de telefone em vez dos emojis. Quero ouvir e escrever, quero conhecer a verdade de quem me fala e não a verdade que nos engana na rede que nos apanha.

Tudo bem para quem as usa. Permitam-me desligar. Até que não seja para sempre, mas que seja o tempo que o meu tempo quiser. Para estar feliz não o tenho de gritar ao mundo e nem quero esconder lágrimas em fotgrafias de arquivo onde naquele dia estava de sorriso posto

Preciso de paz, compromisso, perceber a verdade, sem grandes fotografias, e que quase sempre revelam o oposto do estado. Quero a democracia do não querer as redes.

Para os que, simpaticamente me seguem, o mais fácil... é encontrar-me. Ainda recebo cartas na RTP... isso seria outra conversa!

Até.

Hélder

segunda-feira, março 21, 2016

O AMOR NUM PALAVRÃO

Ora viva



O amor é fodido, quem o diz é Miguel Esteves Cardoso. Ele pode definir assim. Eu não. Mas posso citar. Por pudor, usarei o F. sempre que parafrasear o Miguel. O desamor ainda é mais F. E quem sofre de desamor é uma pessoa F. Todos conhecemos gente não amada e isso criou-lhes amargura no peito, rancor no olhar, ações medíocres. 

O amor cura tudo, a falta de amor tudo adoece. Não há melhor do que ser amado, chegar a casa e ser abraçado, ter janelas cheias de beijos, bilhetes de surpresa, mãos dadas na aventura e nos sonhos, uma cama quente. Amar é pleno de quem nos cuida e de quem cuidamos. O amor passa a ser F. quando é tanto que não nos cabe no peito, o excesso de amor não estraga, purifica. A falta de amor azeda, fede a rancor e a vómito. 

Pessoas mal-amadas cheiram mal, tresandam a uma espécie de solidão merecida porque nunca souberam o que é a maravilha de amar e ser amado. Por tudo isto, o Amor é fodido quando o lugar do amor está vazio, carregado de pó. 

Quem não tem amor, quem não é amado é só um poço seco, um buraco no meio da terra que não serve para nada, a não ser para ser perigoso. Cada um tem o amor que merece!

divirta-se