domingo, janeiro 04, 2026

AS FESTAS

 Sou um aficionado do Natal. A verdade é que o mês de dezembro é sempre de tanto trabalho, que não tenho quase tempo para viver a serenidade que a época pede. Mas faço a minha árvore, o meu presépio, raiz da minha mãe, e muitas decorações de Natal. Vivo com intensidade e sou apaixonado por luzes de Natal, de cor única, sem confusões. Depois passa a época, chegados os reis, a fazer justiça ao nome de família. Não vos seu explicar a tristeza do fim das festas... arrumar o presépio, desnudar a árvore, sempre natural... é como esvaziar o coração do luzes e bolinhas que me alegravam os dias. Depois passa-me, mas nestes dias, é um aperto. Quando era pequeno, participava, com a minha mãe, de tudo o que era preparação, mas recusava-me a arrumar o Natal numa caixa, ainda hoje sou assim, peço sempre que alguém me guarde o Natal. É parvo, eu sei, mas custa-me. Deixo umas luzes brancas no exterior todo o ano, luz é sempre luz. E pronto, acabam as festas, ficam os votos e os dias que se seguem, a vida tem tanta festa, mas já estou em contagem decrescente para o próximo Natal... :)

Tenham um bom ano, que seja de saúde

Hélder

quarta-feira, novembro 19, 2025

O teu propósito é?

 Há dias lia um artigo sobre o segredo do envelhecimento, entre muitos segredos estava o facto das pessoas com propósito de vida viverem mais tempo. Faz sentido, o propósito é que te faz sair da cama, fazer planos, motivar, evoluir. E onde encontram isso? Na família, no desporto, no trabalho? O trabalho é substancia dos nossos dias, provavelmente nele está muito do nosso propósito. Quando se esvazia pode ser perigoso, quando se vive só para trabalhar ainda mais perigoso se torna... não é fácil esta gestão. Ter uma família fabulosa e um trabalho sugador de energia, e ao contrário? Para onde vamos na brisa dos dias? E sabemos que grande parte das doenças de foro mental nascem pela falta de propósito. E mais, quem é que valida o nosso propósito? Nós, claro. Mas seremos nós os donos da nossa vontade, rumo, destino, objetivo? Nem tudo depende de nós. Mas o propósito é nosso.. pois. Fica a questão.


Abraço

Hélder

domingo, setembro 21, 2025

CALA-TE, POR FAVOR


 O silêncio. Aprendi desde muito novo o convívio com este estado de ser. Viver no seminário, exigia falar baixo, vários momentos de oração, em silêncio, retiros de semanas, em silêncio. Silêncio nos corredores, nos quartos. Era uma casa de silêncio. Assim vivi 12 anos. Impossível ser outra coisa que não um homem que gosta do silêncio. Acontece que a sociedade tem o culto do som, e das pessoas que não se calam. Todos sabemos que há gente que fala muito, obviamente ouve pouco, e claro que retém ainda menos. Chegam mesmo a cansar...é um facto. 

O pior lugar para se calar, é a nossa cabeça. E só saberão disto se fizerem silêncio. A cabeça produz medos, efervescências criativas a toda a hora, sonhos, expectativas, antecipa problemas que nunca irão acontecer, inventa cenários... enfim, a nossa cabeça é um teatro de Filipe La Féria. É muito difícil calar e sossegar a nossa mente, mas dando-lhe elevadas doses de silêncio vão ver que conseguem. Eu tenho dias horríveis, na minha cabeça, mas quando analiso bem, nem foram assim tão maus. 

O silêncio é organização mental, é nutrir a audição, o diálogo, as respostas inteligentes, a ponderação, a serenidade. Desconfiem sempre de uma pessoa que fala muito, ouve pouco, e adora falar de si. Sim, todos nós temos um pouco de tudo isto, mas há quem cultive ser assim, simplesmente. 

Para terminar, o silêncio como resposta. É um manjar de sabedoria, difícil, muito difícil, e nem sempre sabemos se é melhor calar ou falar. Contudo, o silêncio é sempre inebriador. Imaginem uma conversa essencial para nós, o outro lado não está nem aí para a nossa inquietação, ainda por cima lança-nos perguntas que nos fazem suspeitar que a conversa não vai levar a lado nenhum. Or, experimentem não responder, só um delicado pois... e... silêncio. Depois dessa conversa, uma caminhada, em silêncio, e não permitir que a nossa cabeça elabore as respostas que não demos. Fácil? NADA. Possível, muito!!!

Em casa, no carro, no trabalho, no desporto... vão experimentando fazer silêncio, comecem aos bocadinhos, vão ver que a vossa vida agradece. Digo-vos isto como fiel aprendiz da arte do silêncio.


Abraço

Hélder

segunda-feira, julho 21, 2025

 


A roupa. É uma bela casca da pele. É um modo de comunicar. É um conforto. É um nada. É uma dor de cabeça.

Não sou de tendências, não sou de moda. Sou do conforto, essencialmente do sentir-me bem. Vaidoso, confesso-me. Descomplicado, assumo. Vestir e calçar, desde miúdo, foi sempre algo que me deu prazer, em busca do conforto. Vestir uma camisola nova, de inverno, sentir o abraço da lã. No verão as sapatilhas novas, as camisas finas. A roupa feita pela mãe. Não havia abundância. Havia dignidade. Ainda hoje guardo roupa feita pela minha mãe... Para mim. Deu-me pele várias vezes.

É só roupa. Mas sabe bem... É um estado de espírito que se projeta na cor, na forma, no tamanho, na história que a peça tem. Sou daqueles que tem uma peça anos... Guardo as primeiras calças de ganga que comprei com o meu dinheiro. E vou dando roupa à medida que a peça me deixa de contar histórias... Para mim não há roupa antiga, há roupa carregada de momentos, que nenhuma lavagem tira. Mas há roupa nova... Aquela com zero quilómetros, zero vidas. Porque eu só o várias vidas no meu corpo. E pronto... Gosto de roupa e calçado, sem complicar, mas com a densidade suficiente de ter muito prazer em me vestir para sair. Sem complicar, sempre.  
Hélder Reis

segunda-feira, julho 07, 2025

MENOS CALOR



 Era só menos calor, tirando este detalhe o verão é incrível. Dias salgados de luz, mesa posta até tarde, bebidas frescas, fruta madura, sombra de árvores, gelados, roupa leve, mar a querer mergulhos. Mas o calor tórrido desmotiva a tudo isto. A casa tem de estar fechada, impossível sair de dia, ar condicionado, roupa suada, corpo suado. 

Enfim... o verão é incrível nos livros ou em alguns dias do verão, para mim, que vivo zangado com o calor, mas em paz comigo. Os verões estão cada vez mais agrestes, secos, de tempestade, instáveis, tudo menos o que desejamos do verão nos dias de janeiro. Enfim...agarramo-nos aos dias normais de verão, raros, mas ainda a existir. É a tal coisa, aproveitar o melhor da vida, agora.


Abraços

domingo, maio 04, 2025

O MAIO DOS 50



 Como eu gosto de maio. Para quem viveu numa casa a cheirar a mar, maio era o presságio de dias de sol, e fruta vermelha. Uma primavera igualmente amadurecida, a saber a verão. Por isso os meus aniversários sempre foram cheios de sol, mesa com receitas frescas, limonadas do limoeiro no qual amarrava a minha cama de rede e nela embalava os meus sonhos todos, os que sou, os que tentei, os que vou desistir e aqueles que ainda virão. Viva a cama de rede e o limoeiro!

É uma benção fazer anos, dar-se ao luxo de se envelhecer, melhor ainda quando há cerejas, morangos ameixas e fins de tarde mais logos na praia. Meu querido mês de maio, e este ano é de meio século. Mais de metade da vida já está. Valeu tudo a pena? Hmmmm há pessoas que me fizeram perder tempo, o que é uma merda, problemas que afinal eram desocupações da alma, uma alma ocupada liga-se ao essencial... Bom, mas o todo foi bom, é bom. Tenho saúde. Sou um homem amado, escrevi livros, plantei árvores, creio ter ajudado algumas pessoas, evoluí, faço mais desporto, criei uma empresa que me orgulha muito, deixei a música, mas nunca perderei a musicalidade, e sim, ainda acredito que a televisão me quer. Viajei por lugares fabulosos, faço uma casa que adoro. Sei estar cada vez mais em silêncio. Cozinho melhor e leio melhor. Estou um homem feito. Claro que queria a minha mãe mais um dia, no dia em que farei cinquenta. Para lhe ler o meu último livro, mostrar-lhe como a minha agricultura tem crescido, e como ainda uso barba. Abraça-la e ver aqueles maravilhosos olhos pequeninos... Dizer que a amo, e sinto a falta dela todos os dias, mas sem saudade, com amor. Ela ia ficar triste como algumas coisas saíram da minha vida, mas o que nos pesa e deixa de estar... torna-nos mais leves, não acham? E quem não gosta de perder um peso a mais? 

Planos? Ter a capacidade de ter menos, exceto na saúde e no amor... e o básico para viver dignamente, nunca me dei a grandes materialidades, como está... está bom. Mas ter menos carga com o que consome, o que não depende de mim, o que não posso mudar, e que aquilo que me define não seja o que faço e digo, mas o que sou. E nem sempre é a mesma coisa. Vocês sabem. E não é assim tão fácil.

Sou grato, muito grato à vida. Foi boa nestes 50. O que falta? Provavelmente não falta, já tive... pronto, está feito, agora sossego e bebo uma limonada numa cama de rede, outra cama e outro limoeiro, porque a vida anda para a frente e nunca para trás e haja saúde, o mais central de nós, não acham?

Obrigado pelo carinho de quem acompanha a minha tímida, voluntária, vida pública. Aos que estão na minha vida, esses sabem tudo.

Até já

Hélder

sábado, março 01, 2025

O SILÊNCIO NÃO TEM RELIGIÃO

 

Nos 12 anos que tive de seminário estudei, muito, 6 anos na universidade católica onde a Teologia me deu a história universal, a história de arte, a lógica, antropologia, sociologia, filosofia, história das religiões, análise do eu e o maiores pensadores e filósofos do mundo, Aristóteles, Kant, Descartes, Hegel, Hume, Sartre, Ortega Y Gasset. Cresci a lê-los.

 Não podemos falar de interioridade, contemplação, meditação, sem estudar os clássicos, e ler os contemporâneos só me faz pensar na genialidade dos clássicos e nos lugares comuns de alguns dos atuais. E tudo isto leva-me ao silêncio. No seminário fazia 8 dias de silêncio absoluto por ano, sem religião, ou com, conforme a nossa vontade. Não havia conversa nas refeições, nas caminhadas, NADA, e o silêncio. No silêncio levava todos os nomes que estudava e com eles a profunda reflexão sobre o ser, a humanidade, e a interioridade. Ou então estava calado dentro de mim. 12 anos desta prática. No final... o meu caminho era ainda longo.

Hoje? Parece que a estrada é ainda mais longa... Estes dias saí de casa para um retiro de 3 dias de silêncio. Numa casa de silêncio e longos jardins, uma casa que não é um negócio. O objetivo... limpar-me com silêncio, e provavelmente um ou outro filósofo clássico, ou nada. O nada é um bom mergulho no tudo.


Recomendo. CALEM-SE UM BOCADINHO, POR FAVOR.


Abraços

Hélder